Pavlovic ao "Maisfutebol": "Sinto-me em casa"

Milos Pavlovic, que se lesionou com gravidade no jogo com o Boavista, foi entrevistado pelo site Maisfutebol, a propósito da deslocação da nossa selecção à Sérvia, o seu país natal.
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Em primeiro lugar, mostrou-se satisfeito por estar em Portugal.
«Fiquei muito contente quando assinei, porque já tinha estado em Portugal, em Maio do ano passado, no Europeu de sub-21 e gostei muito. Até comentei com os meus colegas: belo país, bons estádios, pessoas que adoram futebol, seria muito bom jogar aqui. E, por coincidência, surgiu a Académica. Viram-me durante o campeonato e apareceu o convite. Estou a adorar. Fui muito bem aceite e, em seis meses, ainda nem tive saudades do meu país. Sinto-me em casa. Há um grande convívio entre jogadores.»
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Sobre a sua lesão (uma fractura no pé direito, na recepção ao Boavista), o jogador mostra algum fair-play, embora revele poucas esperanças de voltar a jogar esta época.
«A minha lesão foi um acidente. Nem sei muito bem o que se passou. Disputei uma bola de cabeça e caí. Quando estava no chão, um jogador, nem vi quem foi, atingiu-me no pé. Senti muitas dores e vi logo que era grave. Levaram-me para o hospital e, na radiografia, via-se uma pequena fractura e uma rotura de ligamentos. O dr. Fonseca fez uma operação impecável e o pessoal do Centro Cirúrgico foi fantástico comigo. Fui muito bem tratado. Fizeram um belo trabalho. Estou a recuperar muito depressa, graças também ao trabalho do fisioterapeuta Miguel Rocha, mas não acredito que dê para jogar mais esta temporada.»
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Relativamente à sua vida pessoal, ficámos a saber que o jovem sérvio chegou a frequentar a Universidade, para se tornar engenheiro aeronáutico, mas o curso era muito exigente e o tempo, entre treinos, estágios e jogos, não abundava. Por isso, tentou algo mais próximo, dentro da gestão desportiva, mas, mais uma vez, não conseguiu compatibilizar as duas actividades.
«Como não foi possível atribuírem-me um regime de excepção e eu já estava a trabalhar com os seniores, não deu para continuar», lamenta o jogador, que decidiu vir para Portugal justamente quando estava numa fase de exames.
Questionado sobre a tradição estudantil da Briosa, responde: «Sei dessa vertente, mas é complicado. Primeiro, quero aprender a falar português como falo inglês. Quero melhorar, apesar de todos me dizerem que já me desenrasco muito bem. Essa é a minha prioridade. Para mim, é estúpido jogar num país dois ou três anos e não saber dizer uma palavra. Além disso, quando me retirar, gostaria de ter aprendido várias línguas», perspectiva.
«Como não foi possível atribuírem-me um regime de excepção e eu já estava a trabalhar com os seniores, não deu para continuar», lamenta o jogador, que decidiu vir para Portugal justamente quando estava numa fase de exames.
Questionado sobre a tradição estudantil da Briosa, responde: «Sei dessa vertente, mas é complicado. Primeiro, quero aprender a falar português como falo inglês. Quero melhorar, apesar de todos me dizerem que já me desenrasco muito bem. Essa é a minha prioridade. Para mim, é estúpido jogar num país dois ou três anos e não saber dizer uma palavra. Além disso, quando me retirar, gostaria de ter aprendido várias línguas», perspectiva.
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Ao contrário de maioria dos jogadores, Pavlovic não se furta a falar de política, em especial da guerra do Kosovo e da recente secessão do Montenegro.
Sobre a primeira, em 1999, conta a sua experiência :«A guerra estava concentrada sobretudo no Kosovo. A minha experiência não foi das piores, porque sempre vivi em Belgrado, longe dos conflitos. Mas tive vários amigos que participaram nele e viram coisas terríveis. Na guerra, ninguém pode cantar vitória. O pior foi quando a NATO bombardeou Belgrado.» Depois de dizer isto, Milos recorda um dia horrível para a população da principal cidade da Sérvia e aponta o dedo aos Estados Unidos:
«Queriam bombardear só porque andavam atrás de um único homem (Milosevic), por ser um criminoso de guerra. Mas isso não justifica destruírem hospitais, uma estação televisão ou pontes na capital do país. Nunca pensei que a NATO fosse capaz de bombardear Belgrado, porque é uma grande cidade, com dois/três milhões de habitantes. Sempre pensei que o conflito iria ficar-se pelo Kosovo. Mas não. Aconteceu. Nesse dia, foi terrível. Soaram as sirenes e tivemos de ir para as caves e bunkers. Houve inúmeras vítimas. Graças a Deus, não tive ninguém a lamentar, mas nunca poderei aprovar aquilo que os americanos fizeram à Sérvia».
«Queriam bombardear só porque andavam atrás de um único homem (Milosevic), por ser um criminoso de guerra. Mas isso não justifica destruírem hospitais, uma estação televisão ou pontes na capital do país. Nunca pensei que a NATO fosse capaz de bombardear Belgrado, porque é uma grande cidade, com dois/três milhões de habitantes. Sempre pensei que o conflito iria ficar-se pelo Kosovo. Mas não. Aconteceu. Nesse dia, foi terrível. Soaram as sirenes e tivemos de ir para as caves e bunkers. Houve inúmeras vítimas. Graças a Deus, não tive ninguém a lamentar, mas nunca poderei aprovar aquilo que os americanos fizeram à Sérvia».
Acusa ainda os norte-americanos de terem levado a efeito uma campanha de intoxicação da opinião pública: «Na Europa, deram uma ideia errada às pessoas. Os jornalistas da CNN, por exemplo, vinham ao Kosovo e a Belgrado e faziam estórias em que os sérvios apareciam como assassinos, terroristas e sei lá mais o quê. As pessoas, depois, viam isso em casa, e, claro, pensavam: como é possível? Ninguém contou a verdadeira estória do que se passou. Fizeram uma coisa totalmente diferente. Foi terrível.»
Relativamente à desagregação da Jugoslávia, iniciada em 1991, com a independência da Eslovénia e da Croácia e cujo último episódio foi a independência do Montenegro, no ano passado, Pavlovic considera-a negativa:
«É mau para o Desporto. Há 15 anos havia um grande país, a Jugoslávia, com a Sérvia, Croácia, Eslovénia, Macedónia, Bósnia Herzegovina, Montenegro e éramos fortes. Agora, temos um campo de recrutamento mais pequeno e fragmentado. Para mim é tudo a mesma coisa. Falamos a mesma língua, talvez com sotaques diferente, mas para mim o país é igual. Enfim, política»
O médio da Académica aceita a separação dos montenegrinos, apesar de defender que nunca houve animosidade entre os dois povos: «O Montenegro é que quis a independência, porque acredita ser possível entrar mais depressa para a União Europeia se for sozinho. E como todos ficaram contentes, não há problema. Se acham que estão melhor assim, tudo bem. Mais uma vez, é uma questão política, o povo não tem problemas com isso. Os montenegrinos não odeiam os sérvios, damo-nos todos bem. Eu, por exemplo, costumo ir lá nas férias, para fazer praia.»
O médio da Académica aceita a separação dos montenegrinos, apesar de defender que nunca houve animosidade entre os dois povos: «O Montenegro é que quis a independência, porque acredita ser possível entrar mais depressa para a União Europeia se for sozinho. E como todos ficaram contentes, não há problema. Se acham que estão melhor assim, tudo bem. Mais uma vez, é uma questão política, o povo não tem problemas com isso. Os montenegrinos não odeiam os sérvios, damo-nos todos bem. Eu, por exemplo, costumo ir lá nas férias, para fazer praia.»
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Por fim, considera o seu país favorito no jogo de hoje com Portugal. Eis a sua opinião:
«É claro que Portugal tem uma equipa muito boa, com individualidades muito fortes, e não falo apenas de Cristiano Ronaldo ou Quaresma, a defesa também é muito boa, e estão em grande forma, mas penso que somos favoritos. A Sérvia perdeu com o Cazaquistão e isso tornou o jogo mais difícil para Portugal, porque agora a nossa equipa sentirá mais pressão para ganhar. Outra vantagem é jogarmos em casa, num estádio especial [do Partizan de Belgrado], que leva muita gente, para ai 60 mil pessoas, e o facto de os adeptos serem fanáticos.»
Da sua selecção, fala de uma mescla de veteranos e jovens, alguns antigos companheiros seus nos escalões de formação: «A nossa equipa tem muitos jovens, cinco ou seis jogadores dos sub-21, que jogaram comigo no último Europeu, aqui em Portugal, e no qual chegámos às meias-finais. Destaco, por exemplo, o Krasic ou o Jankovic. Mas há uma mistura de gerações, entre jogadores experientes e mais novos.»
Quanto às hipóteses das duas equipas no apuramento para o Euro 2008, Pavlovic acredita que a formação de Scolari vencerá, com maior ou menor dificuldade, o grupo. Já sobre a Sérvia, tem muitas dúvidas se conseguirá ter a regularidade suficiente para agarrar o segundo posto. «Penso que Portugal é o candidato principal ao primeiro lugar. Antes da derrota no Cazaquistão, tinha mais esperanças. Foi só um jogo, é certo, mas era um daqueles em que era obrigatório ganharmos. Ainda por cima, agora vamos ter os encontros mais difíceis, em casa dos nossos adversários», considera Pavlovic.
Da sua selecção, fala de uma mescla de veteranos e jovens, alguns antigos companheiros seus nos escalões de formação: «A nossa equipa tem muitos jovens, cinco ou seis jogadores dos sub-21, que jogaram comigo no último Europeu, aqui em Portugal, e no qual chegámos às meias-finais. Destaco, por exemplo, o Krasic ou o Jankovic. Mas há uma mistura de gerações, entre jogadores experientes e mais novos.»
Quanto às hipóteses das duas equipas no apuramento para o Euro 2008, Pavlovic acredita que a formação de Scolari vencerá, com maior ou menor dificuldade, o grupo. Já sobre a Sérvia, tem muitas dúvidas se conseguirá ter a regularidade suficiente para agarrar o segundo posto. «Penso que Portugal é o candidato principal ao primeiro lugar. Antes da derrota no Cazaquistão, tinha mais esperanças. Foi só um jogo, é certo, mas era um daqueles em que era obrigatório ganharmos. Ainda por cima, agora vamos ter os encontros mais difíceis, em casa dos nossos adversários», considera Pavlovic.




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