
A Académica empatou hoje pela primeira vez sem golos neste Campeonato na recepção à U. Leiria, em partida disputada no ECC.Com este resultado, a Briosa "quebrou o enguiço" de cinco derrotas consecutivas em "casa", mas continua sem vencer e sem marcar golos em Coimbra no ano de 2007. Concretamente, a última vitória ocorreu frente ao Beira Mar, em 26 de Novembro de 2006, e o último golo foi marcado por Gyano, na derrota por 1-2 com o Marítimo, a 10 de Dezembro do ano transacto.
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Manuel Machado operou uma "revolução táctica" relativamente ao jogo das Aves. Assim, saíram da equipa inicial Alexandre (castigado), Medeiros e Miguel Pedro e entraram Sarmento, Joeano e Cláudio "Pitbull".
Ao mesmo tempo, dispôs a equipa num esquema de 4-4-2: na defesa, Sarmento surgiu a "lateral" direito, Litos e Káká formavam a dupla de "centrais", enquanto Lino ocupava o seu lugar na esquerda; o meio-campo dispôs-se em losango, com Paulo Sérgio a "trinco", Brum (à direita) e Dame (à esquerda) nos vértices centrais e Filipe Teixeira mais adiantado; no ataque, Joeano e Cláudio "Pitbull" funcionavam como dois avançados abertos.
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A Académica entrou melhor no jogo e, logo nas primeiras jogadas, criou duas situações de perigo, em especial um remate cruzado de Filipe Teixeira ao lado da baliza leiriense.
A partir dos dez minutos, os visitantes equilibraram as operações e, ao quarto de hora, após boa jogada de Ivanildo, Paulo César cabeceou à rede lateral. Pouco depois, o mesmo jogador isolou-se, contornou Pedro Roma, mas, em lugar de rematar, atirou-se "para a piscina" e viu o "amarelo".
O ascendente dos homens do Liz durou até cerca dos vinte e cinco minutos, altura em duas boas iniciativas de Cláudio "Pitbull" levaram perigo para a baliza adversária. Seguiu-se, então, uma toada de parada e resposta, mas sem grandes ocasiões para marcar.
Nos últimos cinco minutos do 1º tempo, a Briosa voltou a ter "sinal mais". Dame, na marcação de um "livre", e Lino, num remate de longe, obrigaram Fernando a defesas apertadas.
Nas compensações, dois lances de muito perigo, um para cada lado: primeiro, boa arrancada de "Pitbull", que não consegue bater o guardião leiriense; na resposta, Touré entrou com facilidade pela defesa academista, obrigando Pedro Roma, já em queda, a defender com o pé contrário, acabando Káká por afastar a bola para longe.
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Nunca se saberá o que poderia ser a etapa complementar sem o lance ocorrido logo aos quatro minutos. Uma displicência de Káká permite que Harison o ultrapasse e vá em direcção à baliza. O defesa academista acaba por derrubar o seu adversário e vê o cartão vermelho directo, apesar de ter ainda Litos atrás de si. Uma decisão excessiva do árbitro, que condicionou toda a estratégia da Briosa.
Face à nova situação, Manuel Machado colocou em campo o "central" Medeiros e retirou Joeano. Uma alteração assobiada pela maior parte do público, mas que nos pareceu correcta: a equipa, a jogar com 10, não podia ficar apenas com um "central" nem se podia dar ao luxo de tirar um médio, pois perderia o meio-campo. Restava a saída do avançado que estava a ter uma prestação menos conseguida.
A verdade é que, depois de um breve período em que a U.Leiria veio mais para a frente, procurando tirar partido da vantagem numérica, a Académica sacudiu a pressão e, no último quarto de hora, tomou conta das operações.
Com efeito, apesar de estar a jogar com menos uma unidade, a Briosa foi a equipa que mais procurou a vitória. Jogando de forma mais solta, dispôs de três boas ocasiões: remate de meia-distância de Dame a rasar o poste; grande jogada do senegalês, que rematou forte para defesa incompleta de Fernando, com Filipe Teixeira a falhar escandalosamente a recarga e, por fim, na sequência de um "canto", a bola caiu à frente de Litos, que acabou por atirar contra o guardião leiriense.
Do lado visitante, apenas uma jogada de perigo, em que, após uma defesa incompleta de Pedro Roma a remate de Paulo Machado, o guarda-redes dos "pretos" fechou bem o ângulo à recarga de Paulo César.
No último lance da partida, um "livre" de Sarmento passou rente à barra da baliza de Fernando.
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Em conclusão, uma partida agradável de seguir, mas a que faltaram os golos. O resultado aceita-se, dado que ambas as equipas tiveram períodos alternados de domínio e algumas ocasiões para marcar. Contudo, a haver um vencedor, teria de ser a Briosa, pois foi o conjunto que mais procurou o triunfo, especialmente quando se viu em inferioridade numérica.
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Artur Soares Dias teve uma actuação de bom nível na 1ª parte.
Contudo, "borrou a pintura" no lance da expulsão de Káká, pois o brasileiro não era o último defesa da Académica, uma vez que tinha Litos atrás de si e da linha da bola. Pelo mesmo critério, Tonel deveria ter sido expulso em Alvalade, quando agarrou Gyano, mesmo tendo Polga nas suas costas. Afinal, para que servem as reuniões de árbitros com a Comissão de Arbitragem da Liga?
A partir daí, passou a errar mais, especialmente na forma de ajuizar os lances faltosos.
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Sob a arbitragem de Artur Soares Dias, do Porto, as equipas alinharam:
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Académica - Pedro Roma; Sarmento, Litos, Káká e Lino; Paulo Sérgio; Roberto Brum e Dame (Miguel Pedro, 88); Filipe Teixeira; Joeano (Medeiros, 53) e Cláudio "Pitbull" (Sílvio, 80).
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U.Leiria - Fernando; Éder, Renato, Marcos António e Laranjeiro; Paulo Gomes, Faria e Harison (Paulo Machado, 83); Ivanildo (N'Gal, 60), Paulo César e Touré (Alhandra, 61).
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Disciplina: Cartões amarelos a Roberto Brum (87); Paulo César (18), Marcos António (58), Paulo Machado (89) e Faria (90+3). Cartão vermelho directo a Káká (49).
Os "pretos", um a um:
Pedro Roma (4) - Teve algum trabalho e saiu-se bem. Embora sem fazer defesas "de encher o olho", mostrou-se sempre seguro e protagonizou algumas intervenções preciosas a evitar o golo adversário.
Sarmento (3) - Esteve bem a defender, mas falhou demasiados passes. O facto de não ser habitualmente titular explicará algum nervosismo. Em todo o caso, mostrou que pode ser alternativa válida para a posição de "lateral" direito.
Litos (3) - Uma exibição regular. Revelou bom sentido posicional, que lhe permitiu ser o "pronto-socorro" da defesa. Já perto do final, teve oportunidade de marcar, na sequência de um "canto", mas atrapalhou-se quando viu a bola à sua frente.
Káká (2) - Não esteve mal na 1ª parte, tendo, inclusive, salvo uma situação complicada já nas compensações. No início do 2º tempo, estragou tudo. É certo que a sua expulsão foi exagerada, mas a verdade é que foi a sua displicência que originou o lance fatídico.
Lino (3) - Esteve mais sóbrio do que é habitual. Não subiu tanto como é costume mas também não abriu tantos espaços nas suas costas.
Paulo Sérgio (4) - Voltou à sua posição original de "trinco" e saiu-se bem. Lutou bastante, cortando muito jogo adversário. Melhor que habitualmente no capítulo do passe, o que facilitou as transições ofensivas da equipa.
Roberto Brum (4) - Uma exibição ao nível dos "velhos tempos". Muito lutador, esteve sempre em jogo, tanto a defender como a atacar e mostrou uma clarividência que lhe tem faltado esta temporada. O melhor da Briosa.
Filipe Teixeira (4) - Mostrou, em vários lances, toda a sua classe. Não foi tão influente como em jogos anteriores mas a sua utilidade foi, mais uma vez, evidente. A dez minutos do final, teve oportunidade de marcar, após defesa incompleta do guardião leiriense, mas recargou para fora.
Dame (3) - De início, pareceu nervoso e não esteve ao seu melhor nível. Na 2ª parte, subiu bastante de produção. Teve várias arrancadas perigosas e tentou fazer uso da sua meia-distência, embora sem êxito. Saíu já perto do final.
Joeano (2) - Ainda não recuperou a forma, após a lesão que o afectou. Em várias ocasiões, mostrou-se pouco expedito a atacar os lances. Passou ao lado do jogo e, no contexto em que ocorreu, a sua substituição justificou-se.
Cláudio "Pitbull" (3) - Realizou uma boa exibição na etapa inicial, em que se mostrou muito activo. Dos seus pés partiram as jogadas de maior perigo da equipa. Após o intervalo, foi "perdendo gás" e foi desaparecendo do jogo. Substituído a dez minutos do final, já bastante desgastado.
Medeiros (3) - Entrou após a expulsão de Káká e não comprometeu.
Sílvio (2) - Estreou-se na equipa principal da Briosa, quando entrou aos 80 minutos. Não teve grandes ocasiões para mostrar as suas qualidades.
Miguel Pedro (-) - Jogou cinco minutos.
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MINUTO DE SILÊNCIO POR ERNESTO
Antes do início da partida, foi guardado um minuto de silêncio em memória de ERNESTO Francisco de Sousa, "velha glória" da Briosa. O antigo futebolista faleceu ontém, aos 66 anos, vítima de doença prolongada.
Ernesto, natural de Portimão, chegou à Académica em 1965, proveniente do União de Tomar. "Ponta-de-lança", fez com Artur Jorge uma dupla temível, que marcou os "anos dourados" da Briosa, com destaque para a época de 1966/67, em que fomos vice-campeões e finalistas da Taça. Marcou 64 golos em 94 encontros disputados com a camisola da "preta". Em 1968, transferiu-se para o Sporting. Terminou a carreira no Portimonense, clube da sua cidade-natal.
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