Presidente em entrevista a "A Bola": "Ilegalidades? Não cometi nenhuma"
O Presidente da Briosa concedeu uma entrevista ao jornal "A Bola", conduzida pelo jornalista Carlos Rias, que passamos a transcrever..
Aparentemente é um homem tranquilo. Mas as suas palavras denotam revolta. José Eduardo Simões, presidente da Académica, diz que "em Portugal se vive um ambiente entre o pidesco e o inquisitorial, de denúncia anónima e de práticas repulsivas e infames". Acusado de oito crimes de corrupção passiva, confessa que o dinheiro encontrado no seu carro já passou de 200 mil a 100 mil euros. E diz que "são os agentes judiciários e o Ministério Público quem viola o segredo de justiça".
.
— A sua presidência não tem sido tranquila, tem sido, até, demasiado agitada e turbulenta...
— A presidência tem sido tranquila, com um ou dois picos de maior intensidade em termos de comunicação pública, mas que estão perfeitamente definidos. Há o caso que se prende com o processo que me envolve em termos judiciais, sobre o qual não posso falar muito, pois a defesa está a ser preparada, e a partir daí são apenas incidências do aspecto futebolístico. Não se pode dizer que haja uma grande onda de contestação, pelo contrário, tenho assistido a um apoio muito forte.
— O processo que sobre si recai é grave. É acusado de oito crimes...
— É um processo que está em segredo de justiça, e, felizmente para mim, agora posso defender-me. Espero, no fim, pôr um ponto final em tudo o que foi dito às vezes de forma muito pouco avisada, pela comunicação social... Em tempo recente o Banco Espírito Santo (BES), em Espanha, foi objecto de investigação. E a sua imagem foi gravemente prejudicada. Há poucos dias surgiu a notícia de que, afinal, as autoridades espanholas concluíram que nada foi feito contra a lei e o BES estava inocente de qualquer prática de acto ilícito. E agora? E se o BES tivesse sido dissolvido? Agora está inocente. Quem repararia os danos causados? Quem viola o segredo de justiça?
— A comunicação social traz a público o que o Ministério Público permite...
— Esse é um ponto-chave, que o senhor procurador da República se esqueceu de referir em intervenção recente. De facto o senhor procurador fala do segredo de justiça como sendo um período que até deve ser ampliado para não prejudicar as investigações, esquecendo-se de que quem viola o segredo de justiça são os agentes judiciários e o Ministério Público.
— Entende que existe perseguição em relação a si?
— Entendo que o ambiente actual indicia isso de alguma forma. O futebol está a servir quase de touro numa arena da opinião pública, que permite disfarçar a inépcia, a incompetência, a falta de empenho e de qualidade do sistema político português.
— Pode ser mais claro?
— No meu caso, e porque decorre a minha defesa, não vou poder referir rigorosamente nada. Não demorará muito, nesta fase de instrução, até que haja uma resposta. Vamos aguardar. Talvez surjam surpresas.
— A sua presidência não tem sido tranquila, tem sido, até, demasiado agitada e turbulenta...
— A presidência tem sido tranquila, com um ou dois picos de maior intensidade em termos de comunicação pública, mas que estão perfeitamente definidos. Há o caso que se prende com o processo que me envolve em termos judiciais, sobre o qual não posso falar muito, pois a defesa está a ser preparada, e a partir daí são apenas incidências do aspecto futebolístico. Não se pode dizer que haja uma grande onda de contestação, pelo contrário, tenho assistido a um apoio muito forte.
— O processo que sobre si recai é grave. É acusado de oito crimes...
— É um processo que está em segredo de justiça, e, felizmente para mim, agora posso defender-me. Espero, no fim, pôr um ponto final em tudo o que foi dito às vezes de forma muito pouco avisada, pela comunicação social... Em tempo recente o Banco Espírito Santo (BES), em Espanha, foi objecto de investigação. E a sua imagem foi gravemente prejudicada. Há poucos dias surgiu a notícia de que, afinal, as autoridades espanholas concluíram que nada foi feito contra a lei e o BES estava inocente de qualquer prática de acto ilícito. E agora? E se o BES tivesse sido dissolvido? Agora está inocente. Quem repararia os danos causados? Quem viola o segredo de justiça?
— A comunicação social traz a público o que o Ministério Público permite...
— Esse é um ponto-chave, que o senhor procurador da República se esqueceu de referir em intervenção recente. De facto o senhor procurador fala do segredo de justiça como sendo um período que até deve ser ampliado para não prejudicar as investigações, esquecendo-se de que quem viola o segredo de justiça são os agentes judiciários e o Ministério Público.
— Entende que existe perseguição em relação a si?
— Entendo que o ambiente actual indicia isso de alguma forma. O futebol está a servir quase de touro numa arena da opinião pública, que permite disfarçar a inépcia, a incompetência, a falta de empenho e de qualidade do sistema político português.
— Pode ser mais claro?
— No meu caso, e porque decorre a minha defesa, não vou poder referir rigorosamente nada. Não demorará muito, nesta fase de instrução, até que haja uma resposta. Vamos aguardar. Talvez surjam surpresas.
.
"200 mil euros? A acusação já vai em metade"
"200 mil euros? A acusação já vai em metade"
.
— Dentro do seu carro foi encontrada uma verba que se disse rondar os 200 mil euros.
— Lá está uma maneira de os jornais fazerem sangue. E é infame tentarem acusar pessoas de algo que elas não cometeram. As notícias, no princípio, diziam que tinham sido encontrados 200 mil euros, repetidamente 200 mil euros. Na acusação já vai em metade. E até agora ninguém me perguntou de quem é esse dinheiro. Mas grande parte dele é meu. Tenho meios próprios, riqueza pessoal. Disse-o na altura. Era dinheiro que se destinava a pagar salários da Académica, porque ainda não tínhamos recebido uma verba importante da transacção dos direitos desportivos de um atleta. E não era dinheiro apenas meu, mas também de outras pessoas.
— Apesar de tudo aquilo de que é acusado é um homem tranquilo?
— Estou tranquilo. Sei o que fiz e o que não fiz. Ilegalidades? Não cometi nenhuma. Vamos ver daqui a algum tempo as respostas que vão ser dadas. Sei que tenho o apoio, fortíssimo, de toda a gente que esteve comigo há dois anos.
— Há quem defenda que deveria ter suspendido o mandato ou provocado eleições...
— Se considerasse a suspensão de mandato vantajosa para a Académica era isso que fazia, tal como disse por carta ao dr. Almeida Santos. Mas a opinião unânime dos órgãos sociais é a favor da minha continuidade.
— Dentro do seu carro foi encontrada uma verba que se disse rondar os 200 mil euros.
— Lá está uma maneira de os jornais fazerem sangue. E é infame tentarem acusar pessoas de algo que elas não cometeram. As notícias, no princípio, diziam que tinham sido encontrados 200 mil euros, repetidamente 200 mil euros. Na acusação já vai em metade. E até agora ninguém me perguntou de quem é esse dinheiro. Mas grande parte dele é meu. Tenho meios próprios, riqueza pessoal. Disse-o na altura. Era dinheiro que se destinava a pagar salários da Académica, porque ainda não tínhamos recebido uma verba importante da transacção dos direitos desportivos de um atleta. E não era dinheiro apenas meu, mas também de outras pessoas.
— Apesar de tudo aquilo de que é acusado é um homem tranquilo?
— Estou tranquilo. Sei o que fiz e o que não fiz. Ilegalidades? Não cometi nenhuma. Vamos ver daqui a algum tempo as respostas que vão ser dadas. Sei que tenho o apoio, fortíssimo, de toda a gente que esteve comigo há dois anos.
— Há quem defenda que deveria ter suspendido o mandato ou provocado eleições...
— Se considerasse a suspensão de mandato vantajosa para a Académica era isso que fazia, tal como disse por carta ao dr. Almeida Santos. Mas a opinião unânime dos órgãos sociais é a favor da minha continuidade.
.
— De acordo com o site oficial da Académica, Manuel Machado renovou o contrato, mas na altura das eleições no V. Guimarães pareceu com um pé em Coimbra e outro no Minho. Essa atitude fragilizou o grupo?
— O professor foi um pouco infeliz nas declarações que proferiu, mas temos de separar o treinador da Académica, que é um profissional, da pessoa que é sócio do V. Guimarães e que participa na vida desse clube com sentimento. Não foi uma situação fácil de gerir, tendo em atenção aquilo que existe entre os dois clubes por causa do caso N'Dinga e a forma como o então presidente Pimenta Machado alterou a verdade desportiva.
E a concluir:
— Manuel Machado está a fazer um bom trabalho. A Académica joga como não jogava há muitos anos. Falta-nos a sorte. Somos campeões das bolas ao poste e dos penalties que não nos marcam — nem um único a nosso favor!
— De acordo com o site oficial da Académica, Manuel Machado renovou o contrato, mas na altura das eleições no V. Guimarães pareceu com um pé em Coimbra e outro no Minho. Essa atitude fragilizou o grupo?
— O professor foi um pouco infeliz nas declarações que proferiu, mas temos de separar o treinador da Académica, que é um profissional, da pessoa que é sócio do V. Guimarães e que participa na vida desse clube com sentimento. Não foi uma situação fácil de gerir, tendo em atenção aquilo que existe entre os dois clubes por causa do caso N'Dinga e a forma como o então presidente Pimenta Machado alterou a verdade desportiva.
E a concluir:
— Manuel Machado está a fazer um bom trabalho. A Académica joga como não jogava há muitos anos. Falta-nos a sorte. Somos campeões das bolas ao poste e dos penalties que não nos marcam — nem um único a nosso favor!
.
— A Académica mostra-se insatisfeita com as arbitragens. Desculpas de mau pagador?
— Não é nada disso. Este ano as arbitragens não estão a ser de grande nível, os árbitros parecem não ler pela mesma cartilha. No jogo com o Boavista (derrota da Académica por 2-0) dois atletas nossos lesionaram-se e um deles gravemente, por entradas duríssimas do adversário, que não foram punidas pelo árbitro. Frente ao V. Setúbal um árbitro que tivesse um comportamento minimamente rigoroso devia ter expulso dois ou três jogadores sadinos, que barbaramente agrediram continuadamente quer o Miguel Pedro, quer o Filipe Teixeira. A Académica tem um grupo de artistas, que jogam bem, se os árbitros permitem a agressividade não saudável, aquela que magoa, é difícil jogar. E não nos deixam jogar.
— A Académica mostra-se insatisfeita com as arbitragens. Desculpas de mau pagador?
— Não é nada disso. Este ano as arbitragens não estão a ser de grande nível, os árbitros parecem não ler pela mesma cartilha. No jogo com o Boavista (derrota da Académica por 2-0) dois atletas nossos lesionaram-se e um deles gravemente, por entradas duríssimas do adversário, que não foram punidas pelo árbitro. Frente ao V. Setúbal um árbitro que tivesse um comportamento minimamente rigoroso devia ter expulso dois ou três jogadores sadinos, que barbaramente agrediram continuadamente quer o Miguel Pedro, quer o Filipe Teixeira. A Académica tem um grupo de artistas, que jogam bem, se os árbitros permitem a agressividade não saudável, aquela que magoa, é difícil jogar. E não nos deixam jogar.



| << Voltar ao Inicio