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  - Domingo, Abril 08, 2007

E. AMADORA 3 - 3 ACADÉMICA
Três, a conta que Deus fez

É difícil, para quem não acompanha o futebol, perceber porque move multidões, porque nos deixa tristes ou felizes depois de um resultado da nossa equipa. Para quem nunca foi ao futebol, teve hoje, na Reboleira, uma excelente oportunidade para "perder o medo" e ganhar entusiasmo. Com 3 pontos de diferença na tabela, Estrela da Amadora e Académica de Coimbra empataram a três golos num jogo onde não faltou emoção e acima de tudo... golos.

Manuel Machado fez entrar de início Pedro Roma na baliza, Medeiros e Litos no eixo da defesa, Lino a defesa esquerdo enquanto que Sarmento se encarregou do lado direito. Devido ao castigo de Roberto Brum, Paulo Sérgio foi o trinco da equipa num meio campo em losango contando com Alexandre, Nuno Piloto e Filipe Texeira a médio ofensivo. Na frente de ataque, Dame e Pitbull funcionaram como dois pontas de lança soltos.

O jogo começava e melhor não podia ter sido para as cores negras. Um alívio de Medeiros originou que Amoreirinha fizesse um mau atraso para o guarda-redes do Estrela. Pitbull mostrou a sua raça, foi oportuno e rematou certeiro para o 0-1 quando estavam decorridos apenas 2 minutos. A partir daí, a Académica acomodou-se e deixou o Estrela mandar no jogo. Sem brio de estudante, a Briosa sofria dois golos da maneira que mais frequentemente nos tem habituado. Aos 27 minutos, num cruzamento do lado esquerdo, Litos perde o confronto directo e deixa Anselmo cabecear para o empate. Mais tarde, aos 43 minutos, e depois de vários minutos de sufoco na grande área, o Estrela da Amadora passa para a frente no marcador. O nosso, sim, o sempre nosso Dário cabeceou para o fundo da baliza daquele que foi seu colega de equipa durante tantos anos. Enquanto que todos os jogadores o felicitavam, Dário levou as mãos à cara como que pedindo desculpa. A resposta dos adeptos que viajaram de Coimbra esteve à altura do gesto e o golo foi aplaudido.

Com a sua equipa em desvantagem, Manuel Machado mexeu tirando Sarmento, já amarelado, para o lugar de Joeano. Antes do intervalo, Pitbull quase imitou Lino, que já havia acertado no poste de bola parada. Desta vez, Paulo Lopes fez uma defesa apertada.

Enquanto decorria o intervalo, ficaram a aquecer Miguel Pedro, Gyano e Danilo. Quando o mais lógico seria a entrada do português, o técnico da Briosa surpreende tudo e todos esgotando as substituições fazendo Danilo entrar por Nuno Pitoto e Gyano por Alexandre. Três defesas centrais e três pontas de lança era a pólvora mágica com que a Académica tentava virar o resultado. Marcar um golo cedo era o mais importante, uma vez que a equipa da casa entrou a defender o resultado e o desgaste físico com o decorrer do tempo tornar-se-ia inevitável.

A Briosa veio com força e vontade de vencer para os últimos 45 minutos. Aos 55', Joeano concretizava da melhor maneira um canto batido por Lino, fazendo o 2-2. A um ritmo impressionante ia-se jogando e nove minutos depois novo golo para os visitantes. Mais um pontapé de canto, depois de uma primeira defesa do guarda-redes, "Joeano voltou a marcar, e pôs a Mancha a cantar". Na resposta e querendo manter a toada de jogo, Paulo Sérgio fez falta na grande área originando penalty para o Estrela - por certo se o ct4 estivesse no jogo cantaria a música habitual. Chamado à conversão, Jaime não falhou e fez 3-3 no marcador.

Até final, a Académica ainda jogou contra 10 mas nunca conseguiu converter as várias oportunidades que teve. O empate acaba por ser um resultado justo e que dignifica o futebol espectáculo. No entanto, a haver um vencedor, seria à Briosa que a vitória mais justa ficava, uma vez que mostrou ser sempre o conjunto mais ambicioso. Pode até ser um desabafo tendencioso mas é a sensação que ficou esta tarde.

Os pretos, um a um:

Pedro Roma (3) - Três golos sofridos, mais uma vez de bola parada ou cabeça. Dados para preocupar mas que, no entanto, o capitão da Briosa em nada podia ter evitado. Valeram alguns lances que esteve atento.

Litos (2) - Ficou claramente mal visto no lance do primeiro golo e a defesa não teve um chefe que pudesse comandar a nível posicional. Com o ataque móvel do Estrela, a equipa andou várias vezes desatenta no que cabe a marcações.

Medeiros (3) - Tentou ser eficaz e não comprometer. Assim o fez e foi inteligente no recurso à falta. No entanto, quando se sofre 3 golos...

Sarmento (2) - Confuso e sem saber onde se posicionar. Dário baralhou-o e nunca percebeu quando e onde o devia marcar. A atacar não existiu, acabando por ser substituído ainda antes do intervalo.

Lino (4) - É a tal polémica do "muito bom a atacar, mas a defender é que ui". A equipa ganhou e muito com as suas investidas na segunda parte.

Alexandre (2) - Pouco influente no meio campo, esteve ainda assim ligado a alguns lances de transição de jogo. Por obra do resultado, Manuel Machado substituiu-o para mudar o rumo ao jogo.

Paulo Sérgio (3) - Mesmo sendo ele que cometeu o penalty, esteve bem no resto do jogo. Garantiu consistência mesmo quando jogava sozinho no meio campo.

Nuno Piloto (2) - Inicialmente a interior-direito e depois a lateral, nunca provou que é um jogador útil à equipa. Melhores dias virão.

Filipe Teixeira (4) - É o menino bonito da Académica. Com a bola nos pés só com recurso à falta é que é travado. Mais uma exibição de grande nível. Faltou-lhe, no entanto, usar a meia distancia à entrada da área.

Dame (3) - Primeiro a ponta de lança e depois a meio campo, mostrou mais uma vez que é melhor nesta segunda posição. Uma lesão muscular nos últimos minutos impediu-o que desse todo o seu potencial dentro de campo, sendo no entanto de louvar a sua determinação em querer ficar.

Claudio Pitbull (3) - Entrou com o pé direito com um golo logo a abrir o jogo. Depois disso, levou um toque na cabeça e talvez por isso tenha baixado o seu rendimento. Mesmo sendo um jogador que, segundo Manuel Machado, não aguenta 90 minutos, hoje esteve à altura de manter o lado direito do ataque sempre fresco.

Joeano (5) - Entrou e marcou, por duas vezes. É o homem da partida.

Gyano (2) - Não conseguiu acrescentar nada de crucial ao jogo. É um jogador esforçado mas que nem oportunidades conseguiu ter.

Danilo (3) - Cumpriu com o que era pedido. A Académica na segunda parte sofreu apenas de grande penalidade e aí não havia nada a fazer. Limpou o jogo aéreo e em caso de dúvida, pontapé na frente.

A Académica faz agora 22 pontos, numa altura que faltam apenas 6 jogos até final do campeonato. A luta pela manutenção promete e é fundamental uma vitória no próximo jogo. Contra o FC Porto nada é impossível e, por certo, todos acreditamos.

O Simplesmente Briosa aproveita também para desejar uma boa Páscoa a todos os que nos visitam e que por aqui se informam, sofrem e desabafam.

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