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  - Sábado, Junho 02, 2007

Reflexões sobre a semana: o blogue, a Briosa e o mundo do futebol



As duas semanas que se seguiram ao final da Bwin Liga tiveram em comum, no que à Académica diz respeito, uma enorme agitação acerca da entrada e saída de jogadores, algo que, obviamente, teve fortes repercussões na blogosfera da "preta".
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Pela nossa parte, são óbvias as limitações nesse "campeonato". Com a quase totalidade dos editores a residir e/ou a trabalhar ou estudar fora de Coimbra, encontramo-nos em clara desvantagem face a quem reside na Lusa Atenas e tem toda a disponibilidade para estar sempre em cima do acontecimento. É claro que temos os nossos contactos e as nossas fontes, mas é evidente que as possibilidades de darmos notícias em primeira mão são bastante reduzidas.
Face a esse realidade, não temos, por isso, a pretensão de entrar em competição com quem quer que seja. Mantemos, porém, os objectivos que, desde o início, nortearam este projecto: manter os académicos informados, com independência e rigor, de tudo aquilo que interesse à nossa instituição. Para nós, estão, acima de tudo, os interesses da Briosa. A nossa participação neste blogue é apenas fruto da nossa devoção à Académica e não uma forma de promoção pessoal, com o único interesse de a servir e não de nos servirmos dela ou de estarmos ao serviço de quem dela pretende tirar partido.
Recusamos, por isso, a tabloidização do blogue, alimentando especulações constantes acerca de entradas e saídas (eventualmente, com objectivos inconfessáveis), criando falsas expectativas de aquisições (com recurso, por vezes, à alimentação dos instintos machistas de alguns adeptos)que levam os incautos a ficar à espera...de Godot, ou elevar artificialmente as entradas, utilizando vários nicks e simulando discussões entre eles, também como forma de atrair os mais curiosos e os mais ingénuos. Seria, talvez, o caminho mais fácil a curto prazo, mas, provavelmente, a nossa credibilidade ficaria ferida de morte. É que à bebedeira segue-se sempre a ressaca. E esta não costuma ser agradável!...
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Passando, agora, à análise do momento actual da Briosa, pensamos que ainda é cedo para fazer o "deve e haver" das entradas e saídas.
Porém, uma coisa é certa: está em curso um profunda "revolução no plantel", que tem por base uma significativa "limpeza do balneário". Como referimos no post anterior, a aposta agora parece ser em jogadores portugueses, alguns vindos das divisões inferiores, ou em atletas contratados na Europa Central e de Leste e não em carradas de sul-americanos (especialmente, brasileiros) de categoria duvidosa ou com elevado risco de inadaptação ao futebol europeu. Nada tenho contra o Brasil e os brasileiros (antes pelo contrário) mas sempre considerei perniciosa a presença, num mesmo plantel, de demasiados estrangeiros da mesma nacionalidade, que tendem, muito naturalmente, a constituir um grupo à parte.
Claro que não há bela sem senão e a verdade é que uma equipa leva tempo a construir e que teremos de recomeçar tudo de novo. Porém, a questão que se coloca é esta: faria sentido, em nome da estabilidade, manter no plantel jogadores que provaram não ter qualidade para actuar na Liga principal do futebol português? Por mim, acho positiva a saída de jogadores como Douglas, Eduardo, Sonkaya, Danilo, Medeiros, Lira, Gelson, Nestor Alvarez e Nuno Luís (ressalvando, no caso deste último, o seu passado na Briosa). Mesmo Alexandre, não sendo mau jogador, nunca se mostrou capaz de fazer a diferença.
É certo que isso mostra, de forma eloquente, os erros que a direcção cometeu nessas contratações. Mas, pior que reconhecê-los, é persistir neles. E, se a estrutura dirigente da Académica, de acordo com o técnico Manuel Machado (cujo "dedo" parece bem visível nas novas contratações), resolveu "mudar a agulha" na política desportiva, só temos de nos congratular com esse facto.
Contudo, será importante que se mostre mais ágil a agir no mercado, de forma a que não aconteça o que sucedeu em anos anteriores: jogadores que parecem certos fogem-nos no último momento e acabamos a contratar "refugo" pelo mesmo preço ou, até, por valores mais elevados. Os casos de Fajardo e (esperemos que não) de Lucas fazem-nos recear que as lições do passado não tenham sido totalmente assimiladas.
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Por fim, uma reflexão acerca do mercado futebolístico. Infelizmente, este é cada vez mais dominado por empresários para quem o jogador não passa de uma mercadoria que se vende, compra, troca, empresta ou aluga. Alguns agem como verdadeiros "traficantes de carne humana". No fundo, estão para o atleta como o proxoneta está para a prostituta: por um lado, garantem-lhe protecção, mas, em troca, exploram-na até ao último cêntimo.
Como lhes interessa vender a "mercadoria", aproveitam os seus conhecimentos na comunicação social e na blogosfera para fazer subir artificialmente o preço do jogador, garantindo que ele tem várias propostas aliciantes quando, na verdade, não tem nenhuma.
Um jogo que os próprios dirigentes dos clubes (também interessados em promover os seus "activos") se prestam igualmente a jogar.
Não admira, assim, que, nesta época de defeso, se multipliquem as notícias mais ou menos desencontradas sobre entradas e saídas de jogadores, já que, muitas vezes, é difícil a quem informa distinguir o "trigo" do "joio". E, como é óbvio, apesar de todos os cuidados, não estamos imunes a essas situações. Mas, se não quisessemos correr esse risco, restar-nos-ia assumir o papel do site oficial que, compreensivelmente, só noticia as dispensas e aquisições quando está tudo "preto no branco".

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