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  - Sábado, Junho 16, 2007

Sim à paz e à concórdia, não ao populismo e à arruaça










Após uma semana de intenso trabalho, que não deixou espaço para grandes aventuras na blogosfera, constato que pouco ou nada de significativo ocorreu no mundo da Briosa. Mais uma "carrada" de jogadores referenciados, mas nenhuma aquisição. Assim, é o jogo de preparação com o V. Guimarães, agendado para o dia 14 de Julho, na Tocha, que continua a alimentar a discussão nos meios académicos.
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Indo, porventura, contra a opinião dominante, defendi aqui a normalização das relações institucionais com a colectividade vimaranense e a realização do referido encontro.
Ao assumir abertamente essa posição, sinto ter quebrado um tabu. Daí algumas reacções mais inflamadas que pude constatar em alguns comentários.
Como já referi, já passaram quase 20 anos após o famigerado "caso N'Dinga" e Pimenta Machado há dois anos que deixou de ser presidente do clube da cidade-berço. Por isso, é tempo de virar a página e normalizar as relações entre os dois clubes.
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Argumentam os opositores com o respeito pela memória. Ora, se a preservação da memória histórica é fundamental para a identidade de qualquer instituição (um país, uma empresa ou um clube de futebol), a verdade é que a obsessão, manipulação e mi(s)tificação dessa memória é que está na base de todas as guerras e conflitos.
Tomemos como exemplo as guerras que, de 1991 a 1999, devastaram quase toda a antiga Jugoslávia, da Eslovénia ao Kosovo, com especial destaque para as verdadeiras carnificinas que ocorreram na Bósnia-Herzegovina.
Aí, sérvios, croatas e muçulmanos jogavam com as memórias de antigas guerras para justificar o injustificável. Querem maior irracionalidade que a ideia sérvia de que o Kosovo (habitado por 90% de albaneses) lhes pertence só porque aí perderam uma batalha há 700 anos atrás?
Estes exemplos servem apenas para mostrar o perigo dos constantes apelos à memória, em que os "nossos" são sempre os "bons" e os "outros" sempre os "maus". Por essa lógica, as guerras seriam infinitas.
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Voltando, agora, à questão em apreço, julgo que a oposição à realização do referido jogo-treino é mais um episódio das lutas políticas internas no seio da nossa instituição.
Não é por acaso que a campanha contra o reatamento dos laços com o V. Guimarães partiu (e tem sido dinamizada) pelos sectores oposicionistas afectos à direcção de Campos Coroa, que vêem aqui uma forma de tentar "entalar" a Direcção. Isto sem embargo de haver apoiantes dos actuais dirigentes que são abertamente contra o jogo, enquanto que alguns dos seus opositores manifestam uma posição de maior abertura.
No fundo, o apelo ao "patriotismo" (neste caso, ao academismo), à memória, à luta contra o inimigo externo são a marca de todos os populismos. E, para quem está na oposição, o apelo populista é uma tentação a que poucos conseguem fugir.
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Dentro do espírito liberal e tolerante por que procuro pautar a minha actuação, a discordância é inteiramente legítima e ninguém é mais ou menos académico por defender uma ou outra posição. Entendo, aliás, que todos os que não concordam com a realização da partida procurem fazer valer a sua opinião utilizando os meios que os Estatutos da instituição lhes conferem, inclusive a convocação de uma Assembleia Geral extraordinária. Agora, o que não posso concordar é que se apele a que "em última instância, se o jogo não for desmarcado, no dia do próprio encontro para impedir a sua realização a qualquer custo".
Com efeito, há aqui um apelo implícito ao uso da violência que é meu dever denunciar. Não apenas porque entendo o seu uso como a pior forma de resolver conflitos mas também porque, a ocorrer qualquer incidente desse tipo, seria um golpe para a imagem da Académica. Ou seja, um verdadeiro "tiro no pé".
O mais estranho (ou talvez não...) é que o referido apelo vem de quem se afirma defensor dos valores académicos. Será que neles se inclui a arruaça?
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Para mim, se desporto deve ser sempre sinónimo de aproximação e não de afastamento entre os Homens, desporto académico deve sê-lo ainda mais. A paz e a concórdia são valores académicos, o populismo e a arruaça não. Normalizando as relações com o V. Guimarães e realizando o jogo-treino, a Briosa dará uma lição de superioridade moral, que deve ser a sua marca distintiva e muito contribuirá para voltar a ganhar o respeito da generalidade dos adeptos do futebol.
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Ainda sobre este tema, mais duas notas:
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1 - Sempre considerei desastrosa a gestão de Campos Coroa. Apesar de tudo, tenho o antigo presidente por grande académico e pessoa séria.
Por isso, estranhei o comentário que proferiu à agência Lusa, eivado de demgogia: "A minha direcção ganhou o caso na Relação e a direcção que me sucedeu perdeu-o no Supremo". Para além de não ser bonito atirar para outém responsabilidades próprias (quem não aceitou os 750 mil euros que a FPF ofereceu?), ainda é pior quando o outro (neste caso o falecido presidente João Moreno) já cá não está para se defender. Ou seja, o ex-presidente perdeu uma boa ocasião para estar calado!
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2 - Na mesma ocasião, a agência Lusa abre com a seguinte notícia: "A marcação de um jogo particular de futebol entre a Académica e o Vitória de Guimarães para o próximo dia 14 de Julho já deu origem a uma petição por parte de centenas de associados, que se manifestaram contra a iniciativa".
Ora, ao visitar o site onde se encontra a referida petição vejo que ela ainda só conseguiu, no momento em que escrevo, umas míseras 40 assinaturas.
Fui correspondente desportivo da Lusa (curiosamente, na altura do "caso N'Dinga") e sei que ela possuia, nessa altura, um Livro de Estilo extremamente exigente. Funcionando como "grossista da informação", o jornalista da agência tem de obedecer à mais estrita objectividade, não podendo manifestar a sua opinião sobre aquilo que noticia. Ao mesmo tempo, deve ser extremamente rigoroso na narração dos factos.
Ao transformar quatro dezenas em centenas, o autor da notícia cometeu uma falha deontológica que, se já era grave noutro órgão de comunicação social, é imperdoável numa agência noticiosa.
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*Por estar a suscitar uma discussão mais acesa, este post (publicado ontém) foi puxado para cima.

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