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  - Sábado, Junho 23, 2007

A triste realidade do futebol nacional: Clubes da I Liga deviam 524,2 milhões em 2005/06


O passivo dos 18 clubes de futebol que integraram a I Liga portuguesa na época 2005/2006 atingia 524,2 milhões de euros e sete equipas mostraram que não têm autonomia financeira, com mais dívidas do que activos.
Segundo os dados de um estudo hoje apresentado pela consultora "Deloitte", divulgado pela agência Lusa, os clubes portugueses estão sobreendividados, porque apresentaram, na temporada em análise, capitais próprios de apenas cerca de 36 milhões de euros. Ou seja, para cobrir 524,2 milhões de euros de dívidas, só havia 560,1 milhões de euros de activos, segundo os dados apresentados durante a divulgação do Anuário das Finanças do Futebol Profissional.
Estes valores revelam, segundo a consultora, um sobre-endividamento da indústria, com níveis nulos ou quase nulos de autonomia financeira. Sete das equipas não apresentam mesmo autonomia financeira, ou seja, os seus passivos são superiores ao valor dos seus activos líquidos contabilísticos.
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Em termos acumulados, nas últimas sete épocas as 18 equipas acumularam prejuízos de 293,5 milhões de euros. Em agregado, contudo, na época 2005/06 verificou-se um desagravamento nos resultados correntes sem transferências de jogadores, face à época anterior, de 9,1 por cento, para 73,5 milhões de euros. O Benfica reduziu os prejuízos correntes, sem transferências, de 11,9 para 4 milhões de euros e o Sporting de 9,5 para 3 milhões de euros negativos. O campeão FC Porto foi, à semelhança da época anterior, a equipa que apresentou os prejuízos correntes sem transferências mais elevados, com um montante de 34,3 milhões de euros. Este valor corresponde a 47 por cento da totalidade dos 73,5 milhões de euros de prejuízos correntes sem transferências da I Liga, acrescentam.
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A época ficou ainda marcada, segundo a "Deloitte", pela continuação da incapacidade de uma parte significativa das equipas (7 das 18) que participam na I Liga de gerar “cash flows” positivos. Relativamente às receitas geradas, o total gerado em 2005/2006 foi de 238,8 milhões de euros, o que corresponde a um decréscimo de 4 por cento face à época desportiva anterior, com os custos relacionados com o plantel a representarem 94 por cento das receitas correntes, sem transferências (132,8 milhões de euros). Este valor, aponta a "Deloitte", é consideravelmente acima do nível indicativo considerado pela UEFA, que aponta para um valor máximo de 60 por cento das despesas correntes.
Assim, referem, apesar da diminuição das receitas totais, observou-se um aumento de 5,1 por cento das receitas correntes, para 190 milhões de euros relativamente à época 2004/05. O Benfica foi a equipa que maior volume de receitas arrecadou, com 63,5 milhões de euros, seguido pelo FC Porto e pelo Sporting, com 45,9 e 40,2 milhões de euros, respectivamente. De acordo com o analista da "Deloitte" e co-autor do estudo, Ricardo Magalhães, os três "grandes" continuam a concentrar 62,7 por cento do total de receitas (238,8 milhões de euros), num número muito próximo ao do reportado na época anterior. Para o responsável, se os clubes conseguissem reduzir em 20 por cento os custos com o plantel (com salários e espaços), a sua situação financeira ficaria equilibrada.
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Pela positiva, a "Deloitte" destacou o aumento de 18 por cento do número de sócios dos 18 clubes profissionais para os 533 mil (contra os 451 reportados na época anterior). O Benfica, com 151.526 sócios, é o clube com maior massa associativa em Portugal, seguida do FC Porto e do Sporting, com 99.082 e 85.921 sócios, respectivamente.
Na temporada 2005/06, contudo, o número de bilhetes vendidos diminuiu 5,5 por cento para cerca de 2.992.030 (contra os 3.154.756).