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  - Quarta-feira, Junho 06, 2007

Uma posição politicamente incorrecta


Admito que este post não é nada pacífico e que muitos associados e simpatizantes da Briosa (inclusive, porventura, alguns dos meus colegas editores) estarão em completo desacordo com ele.
Mas confesso que desde há algum tempo que aguardava o momento mais oportuno para o escrever.
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A oportunidade surgiu hoje, face ao agendamento de um jogo-treino entre a Académica e o Vitória de Guimarães, a realizar na Tocha, no próximo dia 14 de Julho, algo que já suscitou algumas reacções de desagrado.
Recordamos que, na época transacta, também esteve marcado um encontro de pré-época entre os dois clubes, que acabou por ser cancelado face à reacção de um grande número de adeptos da Briosa..

Essa posição filia-se no corte de relações entre as duas colectividades, ocorrido na sequência do tristemente célebre "caso N'Dinga", no final da época de 1987/88. Na altura, a inscrição irregular do jogador congolês dos vimaranenses ditou a descida da Académica à 2ª Divisão, de onde só sairia nove anos depois.
Argumentam os opositores à realização da partida que ela constitui uma traição à memória dos associados, invocando, inclusive, o falecido presidente Jorge Anjinho..

Ora, pela minha parte, não estou de acordo com esses consócios. Ao invés, defendo o reatamento das relações institucionais com o clube de Guimarães. Uma posição "politicamente incorrecta", quiçá minoritária, mas que entendo dever assumir.

Significa isso que vamos esquecer tudo aquilo de que fomos vítimas? Com certeza que não. Nem pretendo que passemos a ser grandes amigos deles e que andemos todos aos abraços e aos beijos. Apenas que tenhamos o relacionamento mínimo entre duas colectividades que pertencem à Liga Portuguesa de Futebol Profissional. .

A verdade é que, no futebol moderno e altamente profissionalizado dos nossos dias, esses cortes de relações não fazem qualquer sentido.
Por outro lado, julgo que, passados quase 20 anos da ocorrência e tendo o então presidente vitoriano, Pimenta Machado (principal responsável pelo caso e autor de algumas afirmações altamente ofensivas para a Briosa e os seus dirigentes) deixado de dirigir os destinos do clube, julgo estarem criadas as condições para resolver esse contencioso.
Recordo, aliás, que, à época (era eu jornalista desportivo da agência Lusa), o então presidente Jorge Anjinho declarou que o corte de relações duraria enquanto a colectividade da cidade-berço fosse presidida por aquele dirigente. O que, desde há dois anos, não se verifica.
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Aliás, se transpusermos este caso para as relações entre países, Portugal também reatou as relações diplomáticas com a Indonésia, que estavam cortadas após a invasão de Timor-Leste.
E, se as memórias se sobrepusessem à paz, a França e a Alemanha ainda hoje andariam a guerrear-se em lugar de constituirem o núcleo central do processo de integração europeia. Nem o Egipto e a Jordânia teriam assinado a paz com Israel, mesmo sem a resolução do problema palestiniano..

Entendo, aliás, que, ao promover a retoma das relações com os vimaranenses, a Académica daria uma demonstração de superioridade moral, na linha dos valores académicos que marcam a nossa diferença face a outras colectividades. Sempre ouvi dizer que saber perdoar é uma grande virtude. O que, obviamente, não é sinónimo de esquecimento!

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