Briosa: "cemitério" de treinadores!

Concretizou-se, ontém, a "saída anunciada"de Manuel Machado.
Como dissémos há uma semana atrás, o agora ex-técnico da Briosa há muito que tinha perdido a confiança da maioria dos associados e adeptos da Académica, com os quais, aliás, nunca teve grande empatia.
Por seu turno, ao demarcar-se, claramente, de quaisquer responsabilidades na constituição do plantel, afirmando que "o Orlando foi o único jogador de minha escolha pessoal", o treinador mostrou que as suas relações com o elenco directivo já não eram as melhores.
A grande questão que se colocava (e que, em meu entender era decisiva para o desfecho da situação) era saber se os jogadores estavam ou não com o técnico. Ora, a declaração acima citada terá sido a "machadada" final num relacionamento que já não era pacífico.
A fraca exibição na Madeira e a falta de reacção evidenciada após o 2-0 já eram um mau sinal relativamente à saúde psicológica do conjunto. A atitude da equipa no encontro de Gouveia, frente ao Braga, mostrou que a ruptura entre o treinador e o grupo de trabalho era irreversível. Como muitas vezes sucede, os jogadores "votaram" o despedimento daquele que os comandava.
O "caso Pablo Castro/Rogério Matias" foi o pretexto para a formalização do "divórcio".
A saída de Manuel Machado foi recebida com alívio e satisfação por amplos sectores académicos. Pela minha parte, entendo que a situação do ex-técnico era insustentável, não havendo, por isso, alternativa para a "chicotada". Porém, não sei se as alternativas disponíveis serão melhores. A verdade é que, dos nomes que têm sido falados, o único que me dá alguma confiança é Rogério Gonçalves, mas não está fácil a sua desvinculação do Beira Mar.
Independentemente do que se vier a passar, há algo que é mais preocupante e que nos deve merecer uma profunda reflexão: a Briosa está a transformar-se num verdadeiro "cemitério de treinadores".
Se considerarmos as nossas passagens pelo escalão maior nos últimos 10 anos, temos o seguinte quadro:
1997/1998 - Henrique Calisto e José Romão
1998/1999 - José Romão (despedido antes do início da época), Raul Águas, Vítor Manuel e Gregório Freixo
2002/2003 - João Alves e Artur Jorge
2003/2004 - Artur Jorge (despediu-se à 2ª jornada), Vítor Oliveira e João Carlos Pereira
2004/2005 - João Carlos Pereira e Nelo Vingada
2005/2006 - Nelo Vingada
2006/2007 - Manuel Machado
2007/2008 - Manuel Macado, ?
Como se pode ver, esta situação atravessou vários elencos directivos: direcção de Campos Coroa (1997/1998,1998/1999 e início de 2002/2003, até à saída de João Alves, em Dezembro), Comissão Administrativa de João Moreno/JES (resto de 2002/2003, 2003/2004 e início de 2004/2005, até Dezembro) e direcção de José Eduardo Simões (de Janeiro de 2005 até à actualidade).
Face a esta situação, alguém se surpreende de, em todos esses anos, não termos feito, uma única vez, um Campeonato minimamente tranquilo?
No fundo, a questão que coloco é esta: será que o problema é dos treinadores? Sinceramente, não me parece. Logo, o que tem levado a que, época após época, este "filme" se repita? Têm a palavra os leitores.



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