Definir como HomePage   Contador de Visitas   RSS do Blog






  - Sábado, Novembro 24, 2007

AAC, 1- Benfica, 3: "Estudantes saciam águias com dois perús de Acção de Graças"



Apesar de ter jogado “olhos nos olhos” com o seu adversário durante 85 minutos, a Briosa acabou derrotada esta noite pelo Benfica, em partida disputada no ECC e perdeu uma boa oportunidade para “matar o borrego” de 34 anos.
.
Relativamente à equipa que iniciou o jogo em Setúbal, Domingos Paciência operou uma verdadeira revolução. Assim, para além de Orlando (castigado) ter dado o lugar a Litos, o técnico academista fez estrear o guardião Ricardo e colocou em campo Paulo Sérgio, Ivanildo e Vouho, deixando no “banco” Pedro Roma, Cris, Miguel Pedro e Joeano.
O treinador dispôs a equipa no habitual 4-2-3-1, com Pavlovic e Paulo Sérgio à frente dos defesas, Lito à direita, N’Doye no centro, Ivanildo na esquerda e Vouho à frente.


.
O início do jogo foi equilibrado, com ambas as equipas a procurar surpreender o adversário. Depois de uma boa jogada dos “all blacks” ter sido mal concluída, com um centro-remate de Nuno Piloto a sair muito ao lado, foi a vez de Pavlovic desarmar Nuno Assis, evitando que este se isolasse frente a Ricardo. Na sequência do lance, o benfiquista acabou por sair lesionado, sendo substituído por Cardozo.
A toada de parada e resposta mantinha-se mas o primeiro lance de perigo surgiu ao quarto de hora e para os visitantes. Rui Costa, na direita, centrou, Nuno Gomes amorteceu de cabeça para Cardozo mas Káká, também de cabeça, “tirou o pão da boca” ao paraguaio.
Logo a seguir, Vouho, após fazer um “túnel” a Luisão, rematou fraco e ligeiramente ao lado.
Até que, aos 24 minutos, a Briosa marcou. “Livre” ainda longe da área “encarnada” marcado por N’Doye, contra a barreira. A bola ressaltou para o senegalês que recargou. Corte deficiente de Luís Filipe, o esférico a sobrar para LITO, que, na meia direita, rematou rasteiro e cruzado, fazendo a bola entrar no canto inferior direito das redes de Quim.
Reagiu o Benfica, que, cinco minutos depois, viu Di Maria rematar à barra. Na recarga, Nuno Gomes obrigou Ricardo a defesa difícil.
E, aos 34 minutos, os “encarnados” repuseram a igualdade. No meio-campo, Nuno Piloto não foi lesto a afastar a bola, deixando-se bater por Di Maria. O argentino fugiu pelo corredor esquerdo, restando ao “lateral” direito academista derrubá-lo já próximo da área. Na sequência do respectivo “livre”, o extremo benfiquista deu um pequeno toque para Léo, que, com uma simulação, permitiu o remate seco e colocado de Rui Costa ao ângulo inferior esquerdo da baliza de Ricardo.
A equipa não pareceu acusar o golpe e, até ao intervalo, o “sinal mais” foi da Briosa.


.
No reatamento, Ivanildo foi rendido por Miguel Pedro, mas a alteração não produziu grandes resultados.
Nos primeiros 20 minutos, o cariz do jogo manteve-se. Embora a melhor oportunidade tenha pertencido aos visitantes, num lance individual de Di Maria bem resolvido por Ricardo, a verdade é que o jogo academista se mostrava mais fluido e os “encarnados” revelavam bastante dificuldade em suster o jogo atacante dos conimbricenses, que apenas falhava na finalização.
Ao quarto de hora, Vouho era rendido por Joeano, mas nada de essencial se alterou.


Já as alterações feitas por Camacho (em especial, a entrada de Petit) deram mais força ao meio-campo lisboeta, deixando a Académica de ter tanto espaço para jogar. Assim, o Benfica passou a aparecer mais na frente mas a verdade é que não lograva criar perigo para as redes de Ricardo.
Contudo, a 10 minutos do final, a intranquilidade do guardião academista foi por demais evidente, quando, apesar de protegido por Káká, agarrou a bola fora da área, o que lhe valeu um “amarelo”. Felizmente, do “livre” nada resultou.
Mas, aos 86 minutos, nova falha do guarda-redes foi fatal. Binya bombeou o esférico para a área, Ricardo saiu desastradamente e Luisão, de calcanhar, tocou para a baliza deserta. Em desespero, o “keeper” da Briosa ainda tocou na bola mas limitou-se a ajudá-la a anichar-se nas redes.
Domingos ainda fez entrar Hélder Barbosa mas já nada havia a fazer. E, no último lance da partida, com a equipa totalmente descompensada, Adu, na meia direita, rematou rasteiro de fora da área. A bola embateu no poste esquerdo e acabou por entrar entre este e Ricardo, que se lançou tardiamente.


.
Em resumo, numa boa partida de futebol, a Académica realizou uma exibição muito agradável, raramente se mostrando inferior ao seu poderoso adversário. Contudo, mais uma vez, uma série de erros individuais (com destaque para os "perús" do infeliz estreante Ricardo) acabou por ser fatal, ante um Benfica que não fez uma grande exibição e não teve grande produção ofensiva mas que aproveitou da melhor maneira as “ofertas” dos “all blacks”.


.
Quanto à arbitragem de Olegário Benquerença, podemos dizer que, no capítulo técnico, esteve geralmente bem; já no capítulo disciplinar foi evidente a dualidade de critérios na amostragem dos “amarelos”. Assim, é incrível o que foi mostrado a N’Doye por pretensa simulação. Por outro lado, como é possível que Binya (o “carniceiro” de Glasgow) não tenha sido alvo de qualquer “cartolina”, apesar das várias faltas cometidas? E, para terminar, Litos foi “amarelado” por protestar mas o juiz leiriense foi condescendente com os jogadores “encarnados” em situações idênticas. Ou seja, mais uma vez prevaleceu o habitual princípio do nosso futebol: "in dubio, pro grande".


.
Sob a arbitragem de Olegário Benquerença, do CA de Leiria, as equipas alinharam:
Académica – Ricardo; Nuno Piloto, Litos, Káká e Pedro Costa; Pavlovic (Hélder Barbosa, 88) e Paulo Sérgio; Lito, N’Doye e Ivanildo (Miguel Pedro, 46); Vouho (Joeano, 60).
Benfica – Quim; Luís Filipe, Luisão, David Luíz e Léo; Katsouranis (Petit, 60) e Binya; Rui Costa, Nuno Assis (Cardozo, 10) e Di María; Nuno Gomes (Adu, 63).


.
Marcadores: Lito (24) pela Briosa; Rui Costa (34), Luisão (86) e Adu (90+3), pelo Benfica.


.
Disciplina: Cartões amarelos a Vouho (47), Paulo Sérgio (75), N’Doye (78), Ricardo (80) e Litos (81); Katsouranis (41) e Luisão (64).


.
Assistência: 16165 espectadores




Os "all blacks", um a um:
.
Ricardo (1) – O futebol é, por vezes, cruel. Foi uma aposta arriscada de Domingos (talvez pensando na sua grande exibição frente aos “encarnados”, ao serviço do Varzim, na Taça de Portugal da última época). Durante 80 minutos, esteve quase sempre bem, embora não tenha tido grande trabalho, o que diz bem da fraca produção atacante do Benfica. A aposta parecia ganha.
Mas, nos últimos minutos, o nervosismo veio ao de cima e deitou tudo a perder. Depois de ter agarrado fora da área uma bola inofensiva, acabou por sofrer dois golos com grandes culpas, em especial aquele que colocou os visitantes em vantagem: falhou a saída e depois andou completamente “aos papéis”. Afectado por esse lance, voltou a ser mal batido no 3º golo. Ou seja, em cinco minutos, o técnico perdeu a aposta.
Em todo o caso, agora, há que recuperar psicologicamente o jogador. Ricardo é jovem, tem potencialidades e, por certo, melhores dias virão.
Nuno Piloto (2) – Tem grandes culpas no 1º tento benfiquista. Foi displicente a afastar a bola e, depois, deixou fugir Di Maria, agarrando-o já muito perto da área. Nunca se entendeu bem com o repentismo e a velocidade do argentino, sendo frequentemente ultrapassado por ele.
Litos (3) – Um regresso muito positivo deste “central”. Mostrou-se sempre muito seguro e, o que é mais importante, a jogar “limpo”.
Káká (4) – Uma excelente exibição. Revelou excelente sentido posicional, o que lhe valeu estar sempre muito bem nas “dobras”. Evitou um golo quase certo no 1º tempo e, na etapa complementar, ainda rematou forte mas à figura de Quim.
Pedro Costa (3) – Esforçado, mas sentiu algumas dificuldades ante Rui Costa e Adu. Apesar de tudo, não comprometeu.
Pavlovic (4) – Uma boa actuação do sérvio. Esteve sempre muito bem no auxílio à defesa e não permitiu que a bola chegasse muitas vezes jogável aos avançados adversários. Nas transições ofensivas, mostra ainda algumas deficiências mas revela progressos, sendo responsável por alguns bons lançamentos longos.
Paulo Sérgio (3) – O habitual “muro” à frente da defesa. Mostrou-se muito voluntarioso a destruir e a recuperar bolas mas continua a falhar no capítulo do passe.
Lito (4) – Marcou mais um golo (e vão cinco!). Esteve quase sempre bem, muito rápido sobre a direita, causando grandes problemas a Léo. No 2º tempo, tentou a sua sorte mas a pontaria não estava afinada.
N’Doye (4) – A jogar no centro do terreno, foi o verdadeiro “motor” da equipa. Mais uma vez, mostrou-se um “poço de energia”. Esteve muito bem nas compensações defensivas e procurou, sempre que possível, ligar o jogo atacante da equipa. Na parte final, quebrou um pouco e a equipa ressentiu-se. O melhor da Briosa.
Ivanildo (3) – Actuação positiva, embora marcada por alguma irregularidade exibicional. Começou bem, muito dinâmico na ponta esquerda, causando grandes dificuldades a Luís Filipe. Pouco a pouco, foi perdendo influência, acabando substituído ao intervalo. Terá sido em consequência de um “toque” de um adversário?
Vouho (2) – Surgiu na equipa inicial para a posição mais avançada. Esforçou-se mas parece ainda muito “verde”, sendo patente a sua ingenuidade em muitos lances. Foi substituído após um remate disparatado, que pôs fim a uma excelente jogada colectiva.
Miguel Pedro (2) – Substituiu Ivanildo ao intervalo. Entrou mal no jogo e acabou por rubricar uma actuação pouco conseguida.
Joeano (2) – Entrou para o lugar de Vouho mas não fez melhor. Batalhador, como sempre, mas viu-se pouco na área adversária. Também é verdade que a sua entrada coincidiu com a fase de alguma redução da produção atacante da equipa, mas já não dá para disfarçar a sua má "forma".
Hélder Barbosa (-) – Cinco minutos em campo. Entrou em desespero de causa, após o 2º golo do Benfica. Não deveria ter sido lançado mais cedo?