Assembleia Geral: Contas e Orçamento aprovados; Academia Briosa XXI inaugurada em Dezembro
A Assembleia Geral da Académica/OAF, realizada esta noite no Auditório do ECC, decorreu de forma relativamente calma. Contudo, o conclave foi pouco participado, já que só cerca de 15 minutos depois das 21 horas se atingiu o quórum de 50 sócios exigido pelos Estatutos.
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Antes da ordem do dia, o presidente da AG, Almeida Santos, invocou Fausto Correia e propôs um minuto de silêncio em sua memória, algo que foi de imediato apoiado e acatado por todos os presentes.
De seguida, Lucílio Carvalheiro pediu a palavra para referir a importância da Direcção apresentar os novos Estatutos antes do próximo acto eleitoral, para que este não tenha de ser repetido pouco tempo depois.
Antecipando a entrada na ordem de trabalhos, deu a sua opinião sobre o Relatório e Contas. Considerou que "houve um salto qualitativo na sua apresentação", uma vez que todos os documentos tinham a chancela do Revisor Oficial de Contas (ROC). Por isso, ao contrário do ano anterior, iria votar favoravelmente. Não terminou, no entanto, sem levantar algumas questões, nomeadamente em relação aos custos de financiamento da Academia Briosa XXI e ao futuro dos contratos com a Câmara Municipal de Coimbra e com a TBZ.
Seguidamente, Almeida Santos sugeriu que a acta da Assembleia anterior fosse aprovada sem se proceder à leitura da mesma, algo a que ninguém se opôs.
A terminar este período, justificou a ausência do presidente do Conselho Fiscal, Gonçalo Capitão, com uma deslocação deste ao estrangeiro.
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Entrou-se, então, no primeiro ponto da ordem de trabalhos: "Apreciação e votação do Relatório e Contas da época desportiva 2006/2007, bem como dos pareceres e relatórios do Conselho Fiscal e do Revisor Oficial de Contas referentes ao mesmo exercício".
O presidente José Eduardo Simões apresentou o documento, referindo que nos activos líquidos não estão ainda contabilizados a Academia Briosa XXI, o passe dos atletas contratados a custo zero (como Berger, Lito e Rui Nereu), os direitos de formação de alguns ex-jogadores (citou Fábio Felício e Luís Filipe) e o edifício da PROCAC.
Quanto ao passivo (superior a 10 milhões de euros), afirmou que "aumentou o de médio e longo prazo - devido ao empréstimo à CGD para a conclusão dos dois relvados sintéticos do Bolão - e diminuiu o de curto prazo". Declarou, ainda, que, devido à "regularização contabilística, pagamentos entretanto efectuados - de IVA e IRC e à Segurança Social, bem como de algumas facturas - e à não contabilização de situações objecto de contencioso, o verdadeiro passivo não deve ultrapassar os 8,5 a 9 milhões de euros". Deste, "apenas 5 a 5,5 milhões correspondem a dívidas efectivas".
Questionado sobre a situação do ex-jogador Marcelo, informou que, tendo este ganho a causa em Tribunal, a AAC/OAF entrou em contacto com o seu advogado de forma a proceder ao pagamento faseado da dívida. Segundo JES, "no início de Setembro, o atleta esteve reunido comigo de manhã e aceitou a proposta; à tarde, demandou judicialmente a Académica, que viu penhorado o pagamento da TBZ, referente ao mês de Outubro".
Passou-se, então, à votação do Relatório e Contas, que foram aprovados por larga maioria, com apenas cinco votos contra e nove abstenções, num universo de cerca de 80 associados.
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Seguiu-se, então, o segundo ponto da convocatória: "Apreciação e votação do Orçamento relativo à época desportiva 2007/2008".
Seguiu-se, então, o segundo ponto da convocatória: "Apreciação e votação do Orçamento relativo à época desportiva 2007/2008".
De novo no uso da palavra, o presidente da Direcção salientou a diminuição nos gastos como o principal objectivo.
Referiu que "a Académica possui uma receita rígida (TBZ, Amorim/Chamartin, Bingo, contratos publicitários, SportTV), algo que considerou "muito positivo". Ao mesmo tempo, declarou estar em condições de "renegociar o contrato com a Olivedesportos em condições muito favoráveis". Globalmente, "receita e despesa corrente equivalem-se", declarou.
Informou, ainda, que as instalações do futebol (profissional e juvenil) irão ser transferidas para a Academia Briosa XXI, o que "permitirá economias de escala". No entanto, referiu ser necessário rentabilizar o novo edifício para fazer face às despesas com a nova infraestrutura.
Seguiu-se Fernando Pompeu, que protestou contra o atraso na apresentação do Orçamento sem ter havido qualquer explicação por parte do elenco directivo e contra a designação de Academia Briosa XXI em lugar de Complexo de Treinos Dr. Francisco Soares.
Respondeu José Eduardo Simões, explicando que "o atraso se deveu às mudanças impostas pela Liga de Clubes à elaboração dos orçamentos", que impossibilitaram a realização da AG em Julho.
Quanto à designação do Bolão, foi de opinião de que os campos e o balneário mantém o nome do antigo médico da instituição, mas que esses são apenas uma parte integrante da Academia Briosa XXI, que, entretanto, se alargou.
Falou depois o antigo presidente Campos Coroa que anunciou o seu voto contra o documento porque, "desde 2003, todos foram inconsequentes com o que preconizavam antes". Citou declarações de JES antes da aprovação de orçamentos anteriores, dizendo sempre que "vai reduzir o passivo e adequar as receitas às despesas". Ao invés, "nos últimos cinco anos, duplicou o passivo".
Criticou também a designação da Academia, afirmando que "a Académica deve distinguir-se pela memória".
Uma referência irónica do actual presidente aos cheques sem cobertura passados pelo seu antecessor gerou um pequeno tumulto, prontamente sanado por Almeida Santos.
Seguiu-se Lucílio Carvalheiro que, face a uma referência a "acordos verbais" constante dos documentos da Direcção, declarou que, no seu tempo de dirigente, isso não se verificava. Criticou, ainda, a ausência do presidente do Conselho Fiscal a várias Assembleias, sem qualquer justificação, o que o poderia levar a "perder o mandato".
Entretanto, Carlos Clemente manifestou-se "pasmado" pelo facto de se estar a pôr em causa um Orçamento, "porque há um parecer do Conselho Fiscal, um órgão independente da Direcção". Referiu, ainda, que "qualquer orçamento pode sofrer alterações na sua execução".
Posto à votação, o documento foi também aprovado por larga maioria: dos cerca de 100 associados que, então, marcavam presença, suscitou a oposição de 12 e a abstenção de nove.
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Seguiu-se, então, o terceiro ponto da ordem de trabalhos: "Academia Briosa XXI – conclusão e inauguração".
Seguiu-se, então, o terceiro ponto da ordem de trabalhos: "Academia Briosa XXI – conclusão e inauguração".
O novo edifício foi apresentado pelo presidente da Direcção, que destacou algumas funcionalidades para ele previstas. Entre elas, referência para uma Clínica de Fisioterapia e Reabilitação, que se pretende "tornar numa referência a nível nacional", podendo ser utilizada, não só pelos atletas mas também "pelos sócios e população em geral".
No 1º andar, localizar-se-á toda a área de gestão da instituição e uma zona residencial com 20 quartos.
Entretanto, será construído um quarto relvado sintético. Relativamente ao projecto inicial, apenas não houve dinheiro para a cobertura.
Comparando a nova infraestrutura com congéneres de outros clubes, afirmou que "em nada desmerece". Em sua opinião, só fica a perder por ter menor espaço disponível, mas "foi o que a Câmara pôde disponibilizar".
Interveio de seguida o vice-presidente Reis Torgal, para declarar que, apesar de "saudar tudo o que tem sido feito pelo presidente", discorda da designação de Academia Briosa XXI. No final, anunciou ir deixar um cheque de 500 euros para a instituição.
Seguiu-se de novo José Eduardo Simões, que apelou a que "surgisse um conjunto de pessoas a dar as mãos, para que esta obra - que a todos nos orgulha - vá para a frente e se torne cada vez maior".
Revelou, então, que a inauguração oficial deverá ocorrer entre os próximos dias 15 e 17 de Dezembro, com a presença do Secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias.
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Finalmente, entrou-se no último ponto a tratar, com o título de "Informações".
Mais uma vez usou da palavra o presidente da Direcção, que deu conhecimento aos sócios de alguns aspectos da actualidade da instituição, dos quais destacamos os mais relevantes:
Novos Estatutos - Até ao final da próxima semana, a proposta estará no site oficial. Os sócios poderão apresentar "sugestões de trabalho" até 15 de Janeiro.
Manuel Machado - Rescisão por mútuo acordo: o antigo técnico só recebeu enquanto esteve desempregado (cerca de dois meses). Os seus adjuntos tiveram de pagar uma indeminização para sair.
Uruguaios: Não se adaptaram. Só receberam enquanto cá estiveram.
Tourizense: Vão-se acompanhando os atletas emprestados.
Jogadores universitários: Há cinco nos seniores (Pedro Roma, Nuno Piloto, Pedro Ribeiro, Vítor Vinha e Pedrinho, que está emprestado ao Varzim) e sete nos juniores.
Cromos: Vai sair uma segunda caderneta em Dezembro, com um "espaço memória", dedicado aos ex-presidentes da Briosa.
Transportes: Problemas graves nos autocarros. Está em vista a aquisição de uma nova viatura, com 28 lugares.
PROCAC: A AAC/OAF já detém 65% do capital accionista. No dia 13 de Dezembro, haverá uma Assembleia para a venda do imóvel dos Arcos do Jardim ao OAF.
TBZ: O contrato tem resultados positivos, mas a TBZ tem-se atrasado no pagamento de algumas prestações. Relativamente a 2006, a parte móvel (dependente dos resultados financeiros) está em falta.
Bingo: A sua transferência para o ECC originou um aumento de 60% nas receitas, que compensou a saída do Bar Remix.
Aniversário: Êxito da Gala no Estoril. Novo hino com letra de Zé da Ponte.
Renumeração: Há 8300 a 8400 sócios com as quotas em dia, 1300 a 1400 com menos de um ano de atraso no respectivo pagamento e 700 a 800 que "não cumpriram o compromisso". Caso não regularizem a situação, os respectivos números ficarão vagos.
Nessa situação encontra-se o antigo dirigente Álvaro Amaro, que enviou uma carta à Direcção (lida pelo presidente) em que solicita que possa manter a sua antiguidade como sócio caso regularize a sua situação, apesar de se ter "descuidado" e não pagar quotas desde 2004.
Gerou-se, então, uma discussão mais acalorada, que durou quase até ao final da reunião.
Almeida Santos manifestou alguma compreensão pela situação daquele associado, mas foi contrariado pelo dirigentes Carlos Clemente e Reis Torgal, secundados pelo associado Luís Borges, que consideraram que as regras da renumeração já haviam sido definidas noutra Assembleia Geral e não fazia sentido estar, agora, a modificá-las. Este último afirmou estranhar que "alguém que vai tantas vezes ao futebol não saiba o que se passa relativamente às quotas". Para o primeiro dos intervenientes referidos, isso sucede porque "entra no Estádio com borlas de amigos".
Por seu turno, Campos Coroa defendeu Álvaro Amaro, referindo que "já deu provas do seu academismo, já deu muito à Académica, já exerceu cargos na instituição", pelo que não lhe choca que a sua proposta seja aceite.
Entretanto, Mário José de Castro, depois de criticar o site oficial ("quase não existe, nenhuma notícia ou informação é dada"), propôs que fosse colocado à votação o nome da Academia. Algo que o presidente da AG rejeitou por não constar da ordem de trabalhos, embora não fechando à porta à discussão da questão noutra Assembleia.
Por fim, falou António Ferrão. Começou por referir que a questão da renumeração já estava fechada. E, quanto a Álvaro Amaro, afirmou, "não há filhos e enteados".
Aí, foi interrompido por Almeida Santos, para quem "dar o direito de pagar quotas em atraso é quase uma obrigação. Fica com um número novo, mas mantém a antiguidade." Mas acabou por remeter o assunto para nova reunião magna da instituição.
Retomando a sua intervenção, o orador criticou asperamente a Direcção pela apresentação tardia do Orçamento ("a mudança das regras contabilísticas é desculpa de mau pagardor"), pela realização do jogo particular com o V. Guimarães ("o que é que a AAC ganhou com isso?"), pelo "caso Dame" ("felicito o nosso presidente financeiro, por termos ficado sem o jogador") e pela política de comunicação ("quando há algo que não lhe interessa discutir, os sócios apenas têm direito a um comunicado").
Classificou a gestão desportiva de "catastrófica", dando como exemplo a contratação dos uruguaios.
Por fim, acusou Luís Borges: "Fartava-se de pedir borlas para os jogos no tempo em que eu era dirigente".
E foi com a troca de acusações entre estes dois associados que Almeida Santos deu por encerrada a Assembleia.



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