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  - Domingo, Março 23, 2008

Porque nunca votaria JES

Quando se escolhe um candidato para os próximos três anos, não me parece sensato pensar apenas e só no que poderá acontecer nesses mesmos três anos. Prefiro antes pensar nos ideais que me parece ser os correctos para nortear a Académica, e os efeitos que a gestão desses três anos terão nos próximo cinco, dez, vinte, o que vier.

Se no dia de eleições tiver a oportunidade de me deslocar a Coimbra, não fazia sentido que oferecesse o meu voto a um candidato de quem ao longo destes últimos anos me fez pensar no que faria com que viessem sempre um “contentor” de brasileiros todos os anos - curiosamente do mesmo emblema – ou que nunca esclareceu aos associados o suposto melhor negócio da história da Académica. Faz-me confusão igualmente como é que se despede um vice-presidente depois de um contrato falseado por este. Faz-me confusão, porque nunca percebi como é que um vice-presidente elabora um contrato sem conhecimento do presidente, e no fim, demite-se o vice(e assume-se culpa) e o “patrão” fica impune. A não ser que na Académica os vice’s possam elaborar contratos sem dar conhecimento a mais ninguém…


Fazia-me confusão, votar num presidente que nunca percebeu o que era ser da Académica como me foi ensinado. Que em três anos elevou os níveis da educação a cenas como “o Sporting que não se desculpe por um eventual mau resultado por causa do relvado”. Que classe de resposta… acabou o jogo com a derrota da Académica, com o Sporting em segundo e a Académica em segundo também… dos que não descem pois claro. Que foi eleito pelos sócios, que várias vezes desrespeitou os estatutos e que nunca foi capaz de divulgar um comunicado meramente esclarecedor que não fosse para insultar alguém. Conseguiu ainda envolver-se em guerra com Sérgio Conceição. Será que um jogador ex-internacional que já comprou uma bilheteira inteira só para ajudar o clube decidiu manchar a sua imagem e a do clube sem mais nem menos por causa de um contrato? E que foi visto na sede da Liga por engano? Ou terá sido uma outra história, mais uma que nunca ninguém saberá?


Dizia logo no inicio do texto que não vejo uma eleição a curto prazo. Não me importo de que o orçamento seja mais modesto e não haja dinheiro para ir buscar um Pavlovic ou um Cris. São para mim dois dos melhores jogadores da equipa mas não os trocava por mais mil ou duas mil pessoas todos os domingos no Cidade de Coimbra. Um gestor profissional não verá assim, um Académico vê. Daqui a vinte anos ninguém se vai lembrar se tínhamos um Crislovic ou um Pavlocris, ou qualquer outro nome, lembrar-se-ão sim, as mil pessoas que foram a mais toda aquela temporada, de no primeiro jogo terem ido sozinhas, e de terem ficado com o bichinho e passados esses anos todos, terem a família que na altura estava espalhada pelos três estarolas, todos a torcerem pela Académica, que aqueles mil adeptos, passaram a ser três, quatro ou cinco mil associados, e que nesse dia, os jogadores em vez de durarem dois anos no clube, geraram adeptos, geraram receitas, fizeram renascer a Académica. E nunca ninguém lamentou a falta de dois jogadores, lembrou-se antes o ano da mudança.

Não me peçam que vos dê a certeza que João Francisco Campos será capaz de pensar assim. Dou-vos antes a garantia que José Eduardo Simões não o fará. Tenho a convicção de que José Eduardo Simões é um gestor frio e João Francisco Campos, com todas as más escolhas que me parece ter na sua lista, apesar de tudo são escolhas bem Académicas. É uma escolha entre o mau e o menos mau, mas prefiro que se aproveitem de umas centenas de contos para vinho, do que uns milhares a comprar jogadores apenas por interesse e sem critério. De JFC, habituei-me a ouvir sensatez aos microfones da RUC, não duvido da sua competência, duvido sim da sua companhia. A campanha, e o programa dela adjacente, parece-me que será decisivo para o esclarecimento de todos. No entanto, recuso-me a votar em quem tem feito tanto mal à minha Académica.