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  - Terça-feira, Abril 15, 2008

Análise dos resultados eleitorais

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Um dia após o acto eleitoral que ditou a escolha dos corpos gerentes da Académica-OAF para o próximo triénio, é altura de fazermos o balanço dos resultados do sufrágio.
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Uma das primeiras conclusões que podemos tirar é a semelhança entre o desfecho destas eleições e as de Dezembro de 2004. Então, José Eduardo Simões vencera com 56% dos votos, quedando-se Maló de Abreu pelos 41%. Ontém, JES ficou dois pontos abaixo (54%), enquanto que o seu opositor, João Francisco Campos, repetiu o "score" do derrotado de há três anos. Os votos brancos e nulos subiram de 3 para 5%. De realçar, porém, os menores índices de participação eleitoral: de 2332 para 1734 votantes para eleger a Direcção.
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Estes resultados mostram aquilo que, desde o início da campanha, sempre foi a nossa percepção: há descontentamento com a actual gestão da colectividade mas a oposição não mostrou capacidade para o capitalizar.
Revelam também que continua a existir uma divisão muito profunda no seio da massa associativa academista. Ambos os campos mantiverem o seu peso eleitoral, o que parece indiciar que a crispação se vai manter entre eles.
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José Eduardo Simões sai vencedor de mais esta prova. Apesar da "obra feita" ao nível das infraestruturas (com destaque para a conclusão da Academia Dolce Vita), do alívio da tesouraria e da estabilização da equipa no escalão principal, partiu para esta "corrida" algo desgastado pelos processos judiciais de que é alvo e pela política desportiva que, apesar do enorme investimento, mais não tem permitido que lutar pela manutenção. Acresce a isso um estilo presidencialista do exercício do poder sem grande tradição na Briosa.
Apesar de tudo, a desorientação e as fraquezas dos seus opositores permitiam conceder-lhe a maior dose de favoritismo. Algo que veio a confirmar-se nas urnas.
Terá agora de provar que o seu projecto é o mais válido para, sem pôr em causa a sustentabilidade da instituição, levar a Académica a outros patamares. Ao mesmo tempo, reforçando a aposta na formação e nas infraestruturas.
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João Francisco Campos perdeu as eleições mas ganhou espaço para o futuro. Após a recusa e as hesitações de alguns ditos "notáveis" e a desistência de Maló de Abreu a três dias do fim do prazo de apresentação das listas, tomou a decisão corajosa de assumir a "bandeira" da oposição. Efectuou uma boa campanha, com um programa equilibrado, sem demagogia e sem os ataques pessoais que caracterizam a intervenção de alguns sectores oposicionistas, mas faltou-lhe tempo para preparar melhor o seu projecto. Com uma equipa muito jovem, entrou bem nos sócios mais novos mas não logrou convencer os mais antigos. Mas ganhou já o estatuto de "reserva" da colectividade.
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Nas eleições para os outros órgãos sociais, a vantagem da lista "jesista" foi mais reduzida, sendo as votações dos candidatos opositores ligeiramente superiores. Algumas análises mais apressadas pretendem que estes tiveram maior aceitação que JFC. Não é essa a nossa opinião.
O que sucedeu deveu-se ao comportamento de associados que apoiaram o actual presidente como "mal menor" mas terão pretendido limitar o seu poder, não votando na lista A para um ou mais dos outros órgãos a eleger.
Contudo, os efeitos desse "voto cruzado" não se fizeram sentir de forma semelhante em todos eles. Vejamos, então, quais as diferenças entre as votações para a Direcção e as restantes.
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Na eleição para a ASSEMBLEIA GERAL, verificou-se apenas a transferência de 18 votos (0,9%) da lista da "situação" (liderada por Paulo Mota Pinto) para a da oposição (encabeçada por Ferreira da Silva). Uma perda que não terá sido maior devido ao prestígio do candidato da lista A.
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No CONSELHO ACADÉMICO, a lista afecta ao actual presidente (tendo como nº 1 Jaime Dória Cortesão) perdeu bastante mais votos: 36 (2,2%). Mas o facto é que a lista oposicionista (que tinha à frente Campos Coroa) beneficia apenas de uma transferência semelhante à da AG: 20 votos (1,0%). Os restantes 1,2% engrossam os votos brancos e nulos. Algo que confirma que o ex-presidente ainda tem vários "anti-corpos" em certos sectores da colectividade.
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Foi no CONSELHO FISCAL que a lista A (com António Preto à cabeça) teve o seu pior resultado, com menos 49 votos (2,8%). Aqui, a lista C (sob a liderança de Américo Santos) capitalizou 36 desses votos (2,0%), indo 0,8% para votos em branco ou inválidos. Tal como havíamos previsto, a natureza fiscalizadora deste órgão terá levado a aumentar o fenómeno de "voto cruzado". Isso beneficiou a candidatura oposicionista, embora também não tenha capitalizado a 100% as perdas da "situação".
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No que se refere às votações por mesa, a lista A ganhou claramente nas mesas 1 e 2, onde se situam os associados mais antigos; em contrapartida, na mesa 3, onde votam os mais recentes, o triunfo coube às listas da oposição. Na mesa 4, com menos eleitores, a lista afecta ao actual presidente venceu por muito poucos votos em três órgãos e perdeu tangencialmente na Assembleia Geral.
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O que mostra a clivagem geracional que a sondagem que efectuámos já evidenciava: a bancada poente massivamente por JES e a bancada nascente ligeiramente pró-JFC.
Aliás, falando da sondagem "Simplesmente Briosa", verificamos que ela se aproximou bastante da realidade. Assim, praticamente acertámos a percentagem de José Eduardo Simões (obteve 54% dos votos, quando a previsão era de 53,5%); já relativamente a João Francisco Campos houve um maior afastamento do resultado real (41,3%) em relação ao resultado médio previsto (35,6%), embora a votação estivesse dentro do intervalo (que ia até aos 42,1%).
A maior falha ocorreu na estimação dos votos brancos e nulos (os 4,7% ficaram longe dos 10,9% anunciados no inquérito), algo que já prevíamos: "é provável que alguns acabem por abster-se, pelo que a percentagem de votos brancos ou nulos poderá não ser tão elevada como a sondagem sugere". Julgamos que, para além disso, a maioria dos indecisos e alguns descontentes que declararam, então, votar em branco ou anular o voto acabaram por se decidir pela lista D.

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