Definir como HomePage   Contador de Visitas   RSS do Blog






  - Domingo, Abril 13, 2008

"Cartas do baralho" eleitoral


Agora que a campanha eleitoral está a chegar ao fim, vamos analisar algumas das principais "cartas" jogadas pelas duas campanhas, mostrando as que, na minha opinião, poderão ter maior influência (tanto negativa como positiva) nas escolhas dos academistas.



José Eduardo Simões - Apesar dos resultados desportivos pouco famosos e dos problemas judiciais com que se defronta, o actual presidente partiu como claro favorito e tudo parece indicar que será reeleito.
Ao contrário do que se poderia esperar, aceitou debates com o seu adversário e saiu-se bem: não se colocou na defensiva, revelou segurança e, goste-se ou não dela, mostrou ter uma ideia do rumo que quer imprimir à Briosa.
Nesse aspecto, realce para o seu programa de candidatura, bem estruturado e com medidas muito concretas. Mas as várias promessas não cumpridas neste mandato levam os associados a desconfiar, o que lhe retira eficácia eleitoral.
Jogou na "obra feita", em especial a conclusão da Academia Dolce Vita, a manutenção da equipa principal no escalão maior do futebol nacional e a estabilidade da tesouraria.
A histórica vitória na Luz (que vem reforçar a aposta feita, durante a semana, na continuidade de Domingos) constituiu uma verdadeira "prenda". Por fim, o anúncio de Pedro Roma como futuro director-geral da formação foi um "joker" muito bem jogado.
.
João Francisco Campos - Acabou por ser o mais improvável "challanger" do actual presidente, quando avançou e ocupou o vazio que parecia tomar conta do campo da oposição.
Embora não deva ser suficiente para vencer, surpreendeu pela positiva. Ao contrário do que pretenderiam alguns dos seus apoiantes mais radicais, não enveredou pelo caminho da agressividade e da crispação, tendo realizado uma campanha muito digna.
Não cedeu à demagogia e apresentou propostas realistas, embora por vezes demasiado genéricas. Contudo, para além da oposição clara ao estilo e à gestão de JES, as suas linhas programáticas não se distinguiram o suficiente das do seu adversário.
A falta de tempo para preparar o projecto reflectiram-se na organização da campanha: a divulgação do programa "a conta-gotas" é disso exemplo.
Por outro lado, não conseguiu ultrapassar os dois pontos críticos da sua campanha: a excessiva juventude da sua equipa (e a sondagem que efectuámos é reveladora disso) e a "atrelagem" da "velha guarda coroísta" (de quem tentou, aliás, subtilmente demarcar-se).


Jorge Alexandre Marques - Apesar das críticas, o actual presidente do Tourizense é, na minha opinião, um dos grandes "trunfos" da equipa de JES.
Se a gestão desportiva se revelou um dos "calcanhares de Aquiles" da actual direcção, a sua presença vem colmatar essa "brecha". Basta verificar que colocou uma colectividade de uma pequena aldeia do interior (com 200 habitantes e que nem sequer é sede de freguesia) a disputar os lugares cimeiros das competições não profissionais (mais propriamente, a série C do "Nacional" da 2ª Divisão).
As suas ligações ao FC Porto são também uma "mais-valia". Desde os tempos de Jorge Anjinho que o estabelecimento de relações preferenciais com os "dragões" (especialmente ao nível do empréstimo de jogadores) tem sido quase uma constante da estratégia de "relações externas" da Académica e os resultados têm sido positivos. Atente-se em Hélder Barbosa e Luís Aguiar, para falar apenas desta época.
.
João Paulo Fernandes - Tal como o candidato da oposição, também foi presidente da "Mancha Negra", à frente da qual demosntrou capacidade de liderança e de organização.
Foi um dos "trunfos" de JES na última campanha e faz parte da Direcção que agora cessa funções.
Enfrentou com coragem os problemas financeiros do futsal, atravessando a "tempestade" sem deixar "naufragar o barco".
Em caso de vitória da lista D seria o responsável pelas infraestruturas.
É, claramente, uma "mais-valia" na equipa de JFC.

Paulo Mota Pinto - É o candidato da lista do actual presidente à Assembleia Geral e considero-o uma excelente escolha.
Filho de um grande académico e ex-primeiro-ministro, prematuramente desaparecido, foi juíz do Tribunal Constitucional.
Honesto e prestigiado, revela o equilíbrio e o bom senso necessários para o exercício do cargo a que se candidata.
.
Américo Santos - Também ele é um dissidente do campo "jesista". Antigo presidente do Conselho Fiscal, "bateu com a porta" devido a divergências com o presidente da Direcção.
Juíz, com fama de independente, candidata-se de novo ao cargo que já ocupou.
Tem feito uma campanha discreta, cingida apenas às competências daquele Conselho. Pode beneficiar do apoio de alguns associados que, apesar de votarem em JES como mal menor, não pretendam "passar-lhe um cheque em branco". E, dadas as funções de fiscalização deste órgão, será aqui que mais se poderá fazer sentir o "voto cruzado".


Jaime Dória Cortesão - É uma figura com prestígio nos meios académicos e lidera a candidatura da lista A ao Conselho Académico, da qual constam outros prestigiados académicos.
Porém, talvez por residir em Lisboa, não tem existido durante a campanha. É certo que, nos actuais Estatutos, o poder deste órgão é bastante reduzido, mas parece-me que merecia mais um "esforçozinho".
.
Ferreira da Silva - É, igualmente, uma figura prestigiada, que já exerceu vários cargos na Briosa.
Candidato da oposição à Assembleia Geral, tem-se desdobrado em intervenções, na sua maioria demasiado genéricas e abstractas.
Se a proposta de abrir as AG com fados de Coimbra é inócua, a defesa de Álvaro Amaro dá a ideia de que há sócios "mais iguais" que outros. Por muito que tenha feito pela instituição, o autarca de Gouveia tem de sofrer as consequências de ter estado três anos sem pagar quotas, como qualquer outro associado.

António Preto - Foi um dos vice-presidentes da Direcção actual e é agora candidato da lista de JES ao Conselho Fiscal.
Do ponto de vista legal, não há qualquer impedimento. Porém, não me parece correcto do ponto de vista ético. Sempre que estejam em causa documentos da Direcção de que fez parte, pede escusa? Ou irá "António Preto-presidente do CF" julgar actos praticados por "António Preto-vice-presidente"?
.
Campos Coroa - O ex-presidente surge a encabeçar a lista oposicionista ao Conselho Académico.
Durante a campanha, falou obecessivamente do processo que levou à sua demissão em 2002, afirmando-se vítima de uma sinistra conspiração. Se não fosse reincidente, talvez desse para acreditar. Só que, em finais dos anos 80, deixou a secção de andebol, de que era presidente, no mesmo estado em que deixou o OAF: com vários meses de salários em atraso e dívidas acumuladas.
Face aos "anti-corpos" que suscita em múltiplos sectores da Briosa, as suas referências ao passado constituíram verdadeiro "fogo amigo" na candidatura de JFC.

| << Voltar ao Inicio