A mesquinhez do "novo rico"
.Não conheço pessoalmente o presidente da Naval, Aprígio Santos. Sei apenas que foi emigrante em França e é hoje um próspero empresário, com negócios por todo o país.
Reconheço que a ele se deve o facto de a Naval, sem grandes apoios da Câmara Municipal e ignorada pela maioria dos figueirenses (como se pode depreender das fraquíssimas assistências no seu estádio), vá para a quarta presença consecutiva no escalão maior do futebol nacional.
Mas, como a maioria dos "novos ricos", continua pequeno e provinciano. É isso que revela a sua atitude relativamente à alteração da data do encontro Académica-Naval, a realizar no próximo domingo.
Independentemente dos problemas pessoais que possam existir entre ele e a Direcção da Briosa, o presidente navalista devia ter pensado que estava em jogo a relação entre duas importantes instituições desportivas do distrito e que estas não têm qualquer interesse em estar "de costas voltadas".
Por outro lado, a Queima das Fitas é um acontecimento que, embora pertença de Coimbra e da sua Academia, sempre envolveu a Figueira da Foz, através da realização da tradicional Garraiada. Não deveria Aprígio Santos ter igualmente pensado nisso?
Infelizmente, o presidente da colectividade figueirense preferiu uma estúpida "vingançazinha" que nada adianta aos interesses do seu clube, mas prejudica a Académica e isso dá-lhe grande satisfação. Claro que também saem prejudicados o futebol e os adeptos de ambas as equipas, que têm de optar entre o jogo e o Cortejo, mas isso é algo que não parece interessar-lhe.
No fundo, esta sua atitude só mostra que o grande problema do "novo-riquismo" é ter as "vistas curtas".
PS - A grande ironia disto tudo é que, se alguma das equipas estivesse na luta pela manutenção, o jogo seria no domingo, mas às 19:15, como todos os outros (à excepção do FC Porto-Nacional).
Já agora, pergunto: se o jogo já não tem qualquer interesse para as grandes decisões da Liga (campeão, apuramento para as provas da UEFA e despromoção) nem interfere com elas, faz algum sentido que uma eventual alteração de horário tenha de ter a concordância do clube visitante, ao contrário do que sucede no resto da prova?




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