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  - Terça-feira, Junho 24, 2008

NA PASSAGEM DOS 50 ANOS DA SUA MORTE
Cândido de Oliveira homenageado

Cândido de Oliveira, ou Mestre Cândido de Oliveira, como sempre foi conhecido, vai ser alvo de uma homenagem em Coimbra no próximo dia 23 de Junho, por ocasião dos 50 anos do seu falecimento.
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À iniciativa da Editorial Moura Pinto juntaram-se a Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra, a Académica/OAF e o jornal “A Bola”, que em conjunto evocam a vida e obra do cidadão, do jornalista e do treinador de futebol. De um Homem com um trajecto exemplar em dignidade cívica e intelectual, dinâmica, competência e imaginação.
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Coimbra e a Académica foram um período importante na vida de Cândido Fernandes Plácido de Oliveira, nascido em Fronteira, Alentejo, a 24 de Setembro de 1896.
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Aquele que começou por ser um desafio em part-time – apenas concedeu treinar a Académica às quintas-feiras, em Coimbra, e dirigir os jogos ao domingo -, rapidamente se tornou num amor a tempo inteiro. «Apaixonou-se por nós e nós por ele», disse o nosso sempre Presidente João Moreno ao jornalista Homero Serpa, autor de um livro sobre a vida de Cândido de Oliveira.
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Sem nunca abandonar o jornal A Bola, que ajudou a fundar, Cândido de Oliveira mudou-se de armas e bagagens para Coimbra, em finais de 1955, instalou-se no Hotel Astória – e que por isso é o palco natural da homenagem no próximo dia 23 -, a expensas próprias. Todas as segundas-feiras, sem falta, Cândido de Oliveira pagava a conta, cuja diária era de 200 escudos. E com o ordenado de A Bola, de 25 contos, ainda ajudava os amigos, a própria Secção e os jogadores, quando se deparavam com dificuldades. Por isso, foi-lhe justamente atribuído o estatuto de sócio honorário da Associação Académica de Coimbra.Os três anos passados em Coimbra, os últimos da sua vida, foram extremamente ricos, não apenas no plano desportivo. Mas também nesse particular, deixou marcas indeléveis. No livro “Académica – História do Futebol”, Mário Wilson afirmaria que «depois de Cândido, Coimbra e a Académica nunca mais seriam iguais».Em Coimbra participou também nas inúmeras tertúlias dos cafés da Baixa, nas quais, salientou o Professor Afonso Queiró no livro “A Académica”, «viu melhorar o seu status na cidade e no país». E ali, acrescentou aquele que o trouxe para Coimbra e o protegeu de uma indigna perseguição política, «Eu pude ratificar a opinião que havia formado de Cândido de Oliveira, quando este prestou provas da sua capacidade intelectual no contacto com as referidas tertúlias, nomeadamente a do café Arcádia».
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Cândido de Oliveira acabaria por falecer, durante o Campeonato do Mundo de Futebol realizado na Suécia, onde se encontrava ao serviço do jornal A Bola. No seu funeral, duas semanas depois, a urna, transportada pelos jogadores, desceu à terra coberta por uma bandeira do seu clube: a Académica.
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É assim com todo o gosto que, em nome dos Órgãos Sociais do Organismo Autónomo de Futebol da Associação Académica de Coimbra, me associo a uma Homenagem que celebra a integridade, a urbanidade, a intelectualidade, a paixão pela escrita e a mestria que Cândido de Oliveira aplicou ao desporto mais belo que existe – o Futebol.
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José Eduardo Simões
Presidente da Direcção da AAC/OAF

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