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  - Sábado, Julho 19, 2008

Académica 5 Selecção da Guarda 0


A Académica jogou hoje e venceu uma equipa constituida por uma selecção de jogadores do distrito da Guarda por cinco golos sem resposta naquele que foi o primeiro jogo da época.

O primeiro onze da temporada foi constituído por uma maioria de jogadores que se adivinha estarem mais perto da titularidade. Assim, a baliza foi entregue a Rui Nereu, com um quarteto à sua frente em que entravam Gonçalo, Berger, Edson e Cleber, no meio campo Nuno Piloto, André Fontes, Fofana e Carlos Aguiar, com Lito e Eder abertos na frente no já tradicional esquema de Domingos, o 4x4x2 .


Com o jogo a decorrer com sentido único apesar da vontade e do crer dos jogadores do distrito em remar contra a maré, era sobretudo das bolas paradas que a Académica ia criando mais perigo desde o primeiro minuto.


Daqui, pode tirar-se um primeiro apontamento, que apesar de pré-época parece já definido. Cantos na Académica são sempre marcados por um jogador que tenha preferência pelo pé contrário ao do lado onde o canto é marcado. Assim, sempre que o canto foi no lado direito, Cleber percorria o campo para o marcar, e vários saíram com muito perigo para a baliza do guardião Miranda. Do outro lado era Carlos Aguiar a bater com o pé direito e também com relativo sucesso, embora não tanto como do outro lado.


O jogo decorria quando aos 15 minutos Carlos Aguiar com um bom pormenor técnico obriga o adversário a recorrer à falta. Cleber bate a bola o mais colocado possível, bem demais até, e a bola passa de raspão nas luvas do guarda redes, bate precisamente no ângulo superior do lado esquerdo do guardião e com este no chão e a bola à frente, Berger só teve de encostar para o primeiro golo da Académica versão 2008/2009.


Em jogo de sentido único, ainda houve outro golo antes do intervalo em que após boa jogada do ataque da Briosa, Nuno Piloto apareceu isolado e rematou já em desequilibrio mas ainda assim certeiro para as redes adversárias. Chegava-se ao intervalo com 2-0 no marcador, e que poder-se-ia considerar um resultado justo.


A segunda parte recomeçou com uma equipa nova. Pedro Roma na baliza, defesa com Pedrinho, Orlando, Luiz Claudio e Pedro Costa, no meio campo Paulo Sérgio, Madej, Tiero e Miguel Pedro a apoiar Licá e Vouho na frente.


Ainda a segunda parte tinha começado há poucos segundos já Miguel Pedro isolado aproveitando uma desatenção defensiva sofria penalty para Vouho fazer o 3-0 na conversão. Logo depois, 10min mais tarde, na sequência de um canto da esquerda foi Paulo Sérgio a marcar o 4-0.


Neste inicio de segunda parte, Domingos retirou Pedro Roma e meteu Peskovic e retirou Miguel Pedro de campo pouco tempo depois de entrar, supostamente por alguma questão fisica e entrou o australiano Ramone. Refira-se no entanto, que o número 10 da Briosa foi um autêntico quebra cabeças para o defesa direito adversário. Não foram nem duas nem três vezes que este ficou a ver Miguel Pedro passar à sua frente sem que este nada conseguisse fazer.


Antes do final haveria ainda tempo para Tiero rematar rasteiro num livre e Vouho no caminho da bola amortecer para Licá que só teve de encostar. Nos derradeiros minutos, destaque ainda para Tiero falhar um golo completamente isolado em frente a guarda redes e Vouho fazer um bom remate para grande defesa mais uma vez do guardião advesário.


Resultado final, cinco golos sem resposta. Golos de Berger, Piloto, Vouho, Paulo Sérgio e Licá.


Os destaques da Briosa:


Cleber - dizia-se nas bancadas. "Aquele lateral esquerdo é uma gazela" e de facto assim parecia. O jovem brasileiro consegue subir e descer como poucos, arrancar bons cruzamentos, arrancadas na esquerda, desequilíbrios até... muito bem para começar. A fazer lembrar Lino, mas pelo que se viu o ano passado não terá tantas dificuldades a defender. Um nome a ficar debaixo de olho, e por alguma razão Domingos Paciência lhe deu prioridade em relação a Vitor Vinha.


Lito - 32 anos e sempre a tentar desequilibrar com a sua velocidade e qualidade técnica. Aberto na frente de ataque como tanto gosta, foram dele muitos dos desequilibrios da primeira parte. Ficou ainda a reclamar por uma grande penalidade cometida sobre ele que da bancada deu a sensação de existir.


Miguel Pedro - absolutamente fantástico hoje. O seu marcador ainda deverá andar à procura dos rins apenas naqueles 15 minutos que o jovem formado no salgueiros esteve em campo. Foram 4 ou 5 vezes que driblou com o corpo o seu oponente e disparou para a baliza. Uma delas deu penalty, duas foram para os pés dos seus colegas que não conseguiram aproveitar.


Como jogaram os novos:


Carlos Aguiar - nota-se ainda alguma falta de entrosamento é certo, mas tem pormenores técnicos que mostram que está ali alguém que sabe sempre o que fazer à bola. Bem no remate e na marcação de cantos. Acima da média a segurar a bola e no drible. Precisa de entrosamento, mas parece partir em vantagem na luta pelo lugar de organizador de jogo.


Madej - Também parece ser reforço. Não é um extremo direito puro mas antes uma espécie de interior direito ou esquerdo, quem sabe mesmo um número 10 pela boa visão de jogo e o soberbo poder de passe que possui. Não desiludiu e na maneira de jogar faz lembrar um pouco Miguel Pedro, mas numa velocidade maior, tras fluidez ao ataque de qualquer equipa.


Gonçalo - apesar de central de raiz começou o jogo na ala direita de defesa e de forma algo surpresa deu-se bem. Destaque em algumas saídas de bola a apoiar o ataque, denotando claro alguma fragilidade técnica. Apesar disso, mostrou poder ser um boa solução para o lugar. Ainda voltou ao centro da defesa, mas num jogo destes, os dois centrais tiveram vida facilitada.


Eder - não é um prodígio de técnica nem tão pouco um jogador que consiga desequilibrar no um para um mas neste esquema pode vir a ser útil. Segura a bola na frente e consegue rodar para a baliza como mais ninguém no plantel. Para além disso tem uma presença fisica impressionante pelo que não será de estranhar que fique no plantel para este ano, nem que seja para jogos mais fechados em que seja preciso alguém com poder aéreo.


Edson - num jogo deste tipo não se pode avaliar bem um central mas pareceu estar sempre atento e no sitio correcto.

Luis Nunes - discreto tal como Edson, mas num jogo deste tipo.... vamos ter que esperar parar avaliar melhor.


André Fontes - Um jogo de trabalho a meio campo na ausência de Cris e Pavlovic, mas a mostrar-se uma opção válida.


Licá - um golo mas algum alheamento do jogo. Nota positiva apenas pela vontade demonstrada, mas nota-se que o plantel precisa de mais um avançado pelo menos.

Ramone - muito discreto em jogo, entrou para o lugar de Miguel Pedro mas esteve distante deste. Precisará de mais para convencer Domingos Paciência.


A reter:


Domingos Paciência - os jogadores da Académica trocavam constantemente de posição fosse no ataque na defesa ou no meio. Gonçalo ia para a direita, para o centro e até a trinco o vi. Piloto ia para defesa direito e vinha berger para trinco, ou subia e fazia descer André Fontes. E assim acontecia em todo o terreno. A fazer lembrar o Guimarães o ano passado, muitas e boas trocas que várias vezes confundiram marcações. Domingos abre este ano e parece continuar a sua aposta no 4x4x2.





Mancha Negra - sempre presente. "Madrugamos para te apoiar" lia-se na faixa. No final, a situação inverteu-se, foi a vez de todos os jogadores baterem palmas para a claque. Um momento diferente, a demonstrar o carácter único da instituição.