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  - Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Nuno Piloto
O primeiro golo



A ironia do futebol pode levar a que um jogador, já com uma carreira apreciável na Liga principal, acabe de marcar o seu primeiro golo e não queira passar pela mesma experiência outra vez. Como? Passamos a explicar, começando pelo final feliz da estória: Nuno Piloto, polivalente médio (e às vezes até defesa) da Académica, deu o empate à sua equipa, no último domingo, com um golpe de cabeça certeiro, já perto do final do encontro.

O feito teria assumido importância extraordinária para o jogador - afinal era uma estreia nessa matéria em jogos do Campeonato - , mas tratou-se antes da remissão por um erro que não mais lhe saiu da cabeça e só tinha uma forma de ser compensado. «Senti, de alguma forma, que tinha defraudado os meus colegas, ao perder a bola que originou o golo do Nacional. Ainda por cima, estávamos avisados pelo mister para o facto de o adversário jogar no erro e de não podermos perder bolas em posição frontal à nossa baliza. Lidar com a intranquilidade que se gerou na equipa e alguns assobios, leva-nos, naturalmente, a querer reverter as coisas. Felizmente consegui fazer o golo, mas se for para marcar outro assim, nestas circunstâncias, não quero mais! [risos]»

Na quinta época no escalão principal, já com 26 anos, Piloto há muito perseguia este momento de felicidade. «O único golo que tinha marcado até agora foi há quatro anos, para a Taça de Portugal, frente ao Messinense. Um dos aspectos que tento melhorar no meu jogo são os golos. Marquei um na pré-época, frente ao U. Leiria, e agora era bom que continuassem a surgir», vaticina o médio dos estudantes, que justifica a míngua de remates certeiros com as posições em que já teve de jogar (defesa-direito ou trinco), quando até é um daqueles jogadores com vocação para atirar à baliza.

Estudos à CSI e experiências-piloto

Fora das quatro linhas, Nuno Piloto faz jus ao conceito de atleta da Académica e prepara-se para defender a tese de Mestrado, no âmbito da Medicina Legal e Ciências Forenses (é licenciado em Bioquímica), até ao final do ano. Estará na forja mais um Grisson (personagem da série da SIC, CSI Las Vegas)? «[Risos] Só se for nos honorários! Por aquilo que o senhor cobra por cada episódio, não me importava nada! O meu interesse pela área já vem de trás, mas não escondo que a série aborda e realça certos aspectos que estudamos.»

A tese do jogador da Briosa versa sobre os efeitos da utilização da eritropoietina, uma substância dopante, no desporto, uma temática muito em voga ultimamente. Nuno Piloto fez experiências com um grupo de ratos de laboratório, tentando perceber como reagiriam, a determinadas doses do produto, ao praticarem exercício, neste caso natação. «Não nos interessam apenas os resultados positivos, como o aumento da capacidade de aeróbia, mas também os negativos, como complicações cardiovasculares», explica.

Entre o saber académico e o futebol, a escolha nunca se colocou, mas o jogador da Briosa não tem dúvidas em eleger a sua área preferida: «Os estudos são importantes e apostei neles por influência dos meus pais, mas onde sinto mais prazer é nos relvados.» Como castigar quem diz a verdade?


in Mais Futebol

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