Jorge Jesus conta finalmente com o esquerdino . Já há muito se falava do interesse dos homens do restelo pelo nº20 da Briosa, mas só agora foi possível que as duas direcções chegassem a acordo relativamente ao antigo atleta de Jorge Jesus aquando da sua passagem pelo Moreirense. Ao que se sabe, Académica e Belenenses chegaram a acordo ao longo do dia de ontem, e esta tarde Fernando já treinará sob as ordens do seu novo 'mister', devendo-se tratar de um empréstimo com a duração de uma temporada.
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A ele o SimplesmenteBriosa deseja as maiores felicidades nesta nova etapa da sua carreira desportiva.
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Dame N'Doye assinou
Por um ano com mais dois de opção, foi o vínculo contratual que o senegalês e a Briosa decidiram remeter ao papel. O polivalente médio que agradou sobremaneira a Manuel Machado (como atempadamente haviamos notíciado) terá assim uma época desportiva para demonstrar toda a sua capacidade futebolística, sendo que a cláusula de opção pertence em exclusivo à Associação Académica.
Abri uma pequena “brecha” nas minhas férias para desabafar um pouco convosco. Com os pés quase dentro de água e a testa cada vez mais tostada e luzidia, vou, ao fim de 50 anos de militância na Associação Académica de Coimbra, falar pela primeira vez, publicamente , desta fracturante, divisionista e claramente reaccionária distinção entre Estudantes e Não Estudantes ( as maiúsculas são propositadas em ambas as palavras para que haja paridade).
Começo por vos dizer que tenho um respeito incomensurável por quem, com mérito, trabalho e muito sacrifício, tirou os seus cursos superiores. Honra ao mérito! E tenho rigorosamente o mesmo respeito por todos aqueles que, por opção ou devido às dificuldades, privações e vicissitudes da vida os não quiseram ou conseguiram tirar.
Quero tratar este assunto com sensibilidade e ponderação, mas, obviamente, não deixará de ser a minha posição e, como tal, discutível e sujeita a qualquer crítica, desde que séria e feita de boa fé. Vou procurar ser claro e objectivo, para que TODOS pelo menos me entendam.
O meu Pai ( e é uma pequena homenagem pública que lhe presto ) acabou a sua longa carreira de Funcionário Público, como Técnico Superior Principal na área da Saúde. Era um homem de uma cultura invulgar, memória prodigiosa e humor finíssimo. Fez, durante muitos anos, da “velha” livraria Atlântida, na Rua Ferreira Borges, a sua segunda casa. Amigo de Torga, Namora e tantos outros que passaram por aquela “tertúlia” de cultura, devorava livros a um ritmo infernal. Por razões familiares, não acabou o seu curso superior. Tinha uma paixão sublime pela Académica. A Câmara Municipal de Coimbra, atribuiu recentemente o seu nome a uma rua da nossa cidade, o que a toda a família encheu de orgulho. O meu Pai ajudou a fundar, dinamizar e estimular, aquele que foi um dos maiores movimentos de apoio à Académica. Estou a falar-vos da conhecida “NAVE DOS LOUCOS” que durante anos a fio, percorreu o País de Norte a Sul atrás da sua Amada. Todos cabiam naquela Nave. Médicos, Alfaiates, Engenheiros, Funcionários Públicos, Bancários, etc, etc. NUNCA, nos anos que os acompanhei, alguma vez ouvi o termo futrica! Era um grupo irreverente, lúdico, e de uma solidariedade “à prova de bala”. A Académica unia-os a todos.
Passando em revista (mas muito na diagonal, confesso) o que a blogosfera académica tinha escrito nas últimas semanas, deparei-me com um texto, nos “pardalitos do choupal”, assinado pelo Dr. Miguel Madeira, (que não conheço pessoalmente, nem faço a mínima ideia quem seja), que, indignado, entre a exaltação e o sentido de “posse”, me chamava futrica com todas as letras (daí a minha dedução imediata de o autor ser dr ou engº). Nada tenho contra o referido autor do texto, mas não lhe dou “ponta” de legitimidade, nem o direito de “cercear” os limites da minha visão e paixão pela Académica. Falta-me claramente um elemento fundamental. Saber a sua idade. Se for um velho “passadista”, um saudosista ressabiado, daqueles que só falam de Coimbraactual para a apoucar, ou alguém que desistiu de “agarrar” o futuro e que vive eternamente do passado, ainda tolero. Agora se se trata de um jovem “arejado”, no início da sua vida profissional, é que me preocupa mais. Mas há terapêutica para tudo e o remédio está dentro da própria “casa”. Sugiro-lhe que se sente entre os meus amigos Luís Santarino e José Romão e os ouça falar da relação entre Estudantes e não Estudantes, no período e na época em que isso fazia algum sentido. E, se não for muita maçada, leia o texto de apresentação do meu querido amigo Zé Romão quando se iniciou nas lides blogueiras nos “pardalitos do choupal”. Este termo futrica, quando utilizado hoje (e perfeitamente desajustado da actual realidade coimbrã) é por norma “assassino”, divisionista, elitista e, como atrás disse, fracturante. E ajuda a explicar, em parte, a actual realidade da Académica. Nos últimos 22 anos “vegetámos”, sem honra nem mérito, pelas “catacumbas” da 2ª divisão, alternando como umas fugazes passagens pela 1ª liga. Alguns dos “clubezecos”, a que o Dr. (ou Engº) Miguel Madeira com sobranceria e desdém se refere, deram-nos autênticas lições de vida associativa. Mobilizaram-se em torno dos seus emblemas, das suas regiões, com grande esforço, empenho e muito trabalho. Criaram as suas próprias estruturas desportivas, parques desportivos modernos e funcionais, com infra-estruturas que nos levam 10 ou 15 anos de avanço. Geraram riqueza para as suas regiões, fortaleceram o comércio local, a hotelaria, a restauração e são “residentes” com lugar cativo na 1ª divisão há bastantes anos. E mais. Nunca precisaram de “benesses” do Estado Novo, nem dos favores da política para nada.
Nós andamos AINDA, em 2006, atavicamente, a discutir de quem é a responsabilidade da não construção dos campos do bolão, infra-estrutura fundamental para o futuro desportivo da nossa Instituição. Mas se, com seriedade e salutar visão crítica, alguém quer analisar a actual situação da nossa Académica, vem logo um Exmº Srº Drº (ou Engº) “rapar” dos seus galões e arvorar-se em dono da “quinta”. Caro Dr. (ou Engº) Miguel Madeira, eu lido anualmente com centenas de licenciados, que, acabados os seus cursos, são despejados no “mercado” do desemprego. Ajudo-os a desenvolver competências que os possam tornar mais aptos, mais fortes e competitivos para enfrentar este flagelo do desemprego. É uma geração de que eu gosto particularmente e para a qual tenho grande sensibilidade, porque sei o que os espera. Ou um lugar como “caixa” de Hipermercado (o que não é desonra nenhuma), um contrato a “termo certo” ou os famigerados “recibos verdes”. Isto, claro, se não estiver “encostado” à generosidade de um partido político. Faça uma viagem com a “Mancha Negra”(se é que já não a fez). Entre em qualquer dos autocarros e veja o convívio salutar, militante e irreverente entre todos eles. E encontra lá de tudo (e neste tudo, cabe tudo!), licenciados, estudantes, operários, desempregados, eu sei lá… Vá lá perguntar-lhes o que é um futrica? Olhe, meu caro Dr (ou Engº), e para acabar este desabafo, os futricas que o Sr refere com tanto desdém e pedantismo, foram uma das grandes “alavancas” dos movimentos culturais e associativos de Coimbra. Do teatro ao cinema, passando pela música e pelas artes plásticas. Os grandes núcleos de referência cultural da nossa cidade tiveram (e têm) todos a sua marca. Na “tasca” do Romão, no Manel da Mercearia, ou no Zé Bruto, com tinto ou com branco, discutia-se apaixonadamente a Académica sem qualquer tipo de complexos. Nessa altura, o termo futrica era amizade, solidariedade, companheirismo e grande cumplicidade entre todos. Era um termo mobilizador. Utilizá-lo, hoje, é não só abusivo, como desajustado da realidade. Imagino o seu incómodo de ter que se sentar no mesmo Estádio, onde hoje coabitam consigo maioritariamente futricas. Pode ser que o Engº José Eduardo Simões lhe reserve um local exclusivo no Estádio, para ver o futebol, “imune” a esta praga!
O João Ruas ( eu cito-o, meu caro, nunca mais quero ser deselegante consigo) escreve um texto à sua maneira. A saudade, a nostalgia, “arrastaram-no”, realmente, para uma (se não a maior) época de grande consenso académico. E refere, com saudade, as equipas do fim da década de 60 que, maioritariamente constituídas por jogadores universitários, se batiam com as equipas profissionais. Meu caro João Ruas, aprendi nos bancos da faculdade e da vida profissional, que só se compara o que é comparável. Como quer o meu amigo reeditar, em 2006, o modelo de 1966/69? Independentemente do orgulho que tínhamos em ver jogadores universitários a baterem-se com profissionais, não se esqueça que os nossos também o eram. E o João Ruas “enfatizou” a componente estudantil, quando sabe que o que mais gozo nos dava e nos mobilizava era ver a nossa Briosa ganhar em qualquer campo, com grande qualidade e competência. E tem aí a razão objectiva para termos o velho “calhabé”, sempre a abarrotar pelas costuras. Tínhamos uma equipa ganhadora que, domingo a domingo, nos enchia a alma e aumentava a auto-estima. Como é possível voltar a esses tempos, se hoje qualquer jovem futebolista mediano, com 15/16 anos, já traz “à trela” um empresário, e a maior parte das vezes o pai com um cofre debaixo do braço para não deixar fugir o dinheiro? Acha o meu caro amigo que era hoje possível reeditar essas épocas de ouro, com o mesmo espírito? Acredita que é possível mobilizar uma cidade, com a baixíssima qualidade deste produto que andamos a tentar “vender” há 22 anos? Jogadores estudantes? Claro que também gostaria de os ter. Mas, primeiro, que sejam profissionais, competentes e disponíveis. Pago religiosamente o meu bilhete de época para ver futebol de qualidade jogado por profissionais a tempo inteiro. Jorge Anjinho, Mendes Silva, Paulo Cardoso, Campos Coroa, João Moreno e Eduardo Simões, todos sem excepção (uns mais do que outros), aumentaram sempre o passivo da Briosa, e pensa que foi para pagar as propinas aos jogadores estudantes? Ou para fazer residências escolares atractivas e funcionais para os atletas estudantes? Desiluda-se, meu caro. Todos eles, rigorosamente sem excepção, se preocuparam prioritariamente (e bem) em constituir plantéis profissionais que pudessem dar-nos sucessos desportivos. Até há bem pouco tempo, o nosso único património era o Pavilhão Jorge Anjinho e, mesmo esse, salvo, no limite, de uma “hasta pública”. Sabe o que aconteceu a todos os grandes jogadores das épocas de sucesso que refere? Na primeira oportunidade, cederam todos (com algumas excepções) aos convites dos grandes. Rui Rodrigues, Artur Jorge, Manuel António, Oliveira Duarte, Toni, Lourenço são claramente exemplos disso. Podia continuar a engrossar esta lista, mas o meu amigo conhece-a tão bem quanto eu.
A Académica é património de todos! É da Pedrulha, do Tovim, da Solum. É dos bairros socialmente mais desprotegidos. É da Universidade, do Politécnico, e dos Estudantes do secundário.
A Académica é tanto (ou mais) do Sr. Fernando, motorista da Briosa, como é do Magnífico Reitor. Só os “cabotinos”, os “pedantes” e os “vaidosos” é que não percebem isto. VIVA A BRIOSA!
Começou a Liga, começou a Briosa a amealhar os pontos que lhe podem permitir um campeonato mais desafogado num jogo em que foi largamente prejudicada por um trio de arbitragem lesto a puxar de cartões para os atletas de preto, mesmo que estes não cometessem falta, intimidando e tendo influência decisiva no resultado.
Tendo ambas as equipas de evoluir num terreno impróprio para consumo, entrou a Académica armada num 4-3-3 com todas as unidades do miolo de cariz defensivo (Roberto Brum, Alexandre e Pavlovic) numa clara intenção de bloquear as ideias ao meio campo ofensivo do Vitória. Não foi feliz nesse intento, muito por culpa da mais que evidente falta de rotina de Pavlovic que não só tinha imensas dificuldades em construir (perdeu bolas atrás de bolas em zonas proibídas) como destruia muitas vezes com recurso à falta. Com o meio-campo preso de movimentos e sem unidades de transição defesa-ataque, o Setúbal foi sempre mais perigoso e anulou facilmente as unidades mais adiantadas da Briosa (Miguel Pedro, Helder Barbosa e Raul Estevez).
Guardou Manuel Machado a audácia para o segundo tempo, não que sem antes tivesse a Académica sofrido um golo aos 2 minutos da 2ª parte, num livre à entrada da área a punir uma falta que não existiu de Litos (que rendeu ao jogador o 1º amarelo na partida). Manuel Machado modificou então o esquema, colocou Gelson e Nestor em campo, passou a Briosa a um 4-4-2 que facilmente se desdobrava num 4-2-4 sendo que a movimentação de Gelson, sempre muito activo no apoio ao ataque, baralhou completamente os sadinos que passaram a defender como podiam a sua baliza face a um caudal atacante da Briosa que se acentuava.
Foi como corolário lógico deste ascendente que surgiu o golo da Briosa, Roberto Brum bateu livre na esquerda rasteiro para a entrada da área onde Helder Barbosa disparou uma folha seca que concerteza acordou a coruja ...
A partir daqui entrou-se numa toada de parada e resposta mas sempre dando a ideia que a Académica poderia chegar à vitória, perdendo oportunidades por Hélder Barbosa e Gelson de dar a volta ao resultado. Viu-se neste período futebol de alto quilate por parte de Estevez,Gelson, Brum e Helder Barbosa com este ultimo a abrir autenticamente o livro, ninguém lhe tira a bola, é dono de uma técnica individual extraordinária.
A 5 minutos do final, aquela fraca desculpa para árbitro de futebol, decide de novo inventar uma falta de Litos e um cartão vermelho absolutamente ridículo que forçou a Académica a jogar com Gelson a defesa central (!!!!). Mesmo assim, procurou a Briosa ainda ganhar a partida tendo perdido uma boa chance por Helder Barbosa. Demonstração clara de uma personalidade vincada que poderá dar muitas alegrias a todos nós esta época!
Os rapazes de preto 1 a 1
Pedro Roma (3) - Uma saída em falso na primeira parte. No golo foi traído por um toque na barreira. Uma grande defesa na segunda parte. Bom mas não excelente.
Nuno Piloto (3) - Até ao cartão amarelo viu-se em palpos de aranha para segurar os extremos sadinos. Com o avançar do jogo foi melhorando e apareceu mesmo em apoio ao ataque na segunda parte com bastante "a-propósito".
Litos (4) - Bom a comandar a defesa (na transmissão televisa isso foi bem visível). Acaba por ser traído pelo árbitro por duas faltas que não existiram.
Medeiros (3) - Mais nervoso que Litos. Comprometeu um par de vezes com perdas de bola escusadas e faltas em zonas proibídas.
Lino (3) - Esteve discreto mas sempre certinho. Nota-se que já perdeu a ânsia de atacar demasiado desprotegendo as costas. Temos lateral?
Pavlovic (1) - O que terá levado Manuel Machado a colocá-lo em campo permanecerá uma incógnita. Esteve muitas vezes em jogo e quase sempre pelos piores motivos. Perdas de bola em zonas proibidas, muito trapalhão e sem capacidade de levar a equipa para o ataque.
Brum (5) - Correu, fez correr, recuperou bolas, apareceu sempre a ganhar a 2ª bola aos sadinos, fez uma assistência perfeita para golo. SOBERBO!
Alexandre (4) - Posicionamento táctico irreprensível. Recuperou muitas bolas que soltou sempre fácil.
Hélder Barbosa (5) - Ainda devem estar jogadores do Setubal em campo à procura dos rins. Assumiu sempre o jogo, nunca se escondeu. Revelou notável maturidade para a sua idade. Marcou um golaço e podia ainda ter feito outro. NOTÁVEL!
Miguel Pedro (2) - Em boa verdade nunca lhe chegou jogo para se mostrar. Um jogador a rever.
Raul Estevez (3) - Protege bem a bola mas revelou alguma inconsequência nas suas movimentações. Um fácis cansado pode indiciar ainda alguma fadiga e a explicação para a falta de velocidade.
Gelson (5) - Baralhou todo o esquema sadino. Ninguém sabe se o homem é médio, avançado ou defesa central. Jogou bem, mostrou disponibilidade física, movimentações inteligentes (um grande progresso) e o habitual espírito de sacrifício. Um jogador que joga assim só pode ser elogiado. FANTÁSTICO!
Nestor Alvarez (2) - Entrou para o eixo do ataque mas não conseguiu mostrar a veia goleadora com que vem rotulado. Um livre mal batido e alguma luta que deu aos centrais foi o que ficou de uma exibição algo apagada.
Filipe Teixeira (3) - Jogou poucos minutos mas o perfume do seu futebol ficou no ar. A sua vontade de mostrar serviço podia mesmo ter dado a vitória à Briosa.
Declarações de Manuel Machado
Manuel Machado destacou o facto de a Briosa ter sofrido o golo numa fase em que se preparava para alterar o esquema. O treinador da Briosa admitiu que a estratégia passava por uma maior contenção no primeiro tempo, para procurar a vitória na segunda parte, tendo-se mostrado satisfeito com a resposta da equipa neste primeiro jogo da temporada.
Um acordar inquieto de um sonho mal dormido O relógio que não anda, no caminho para a ermida O bilhete que se compra, na fila bem comprimido Coração que bate forte, refeição mal digerida.
Gente vestida de negro, alma de um preto retinto O tapete verde que olho, um golo sonho acordado Os artistas aparecem, o fado exprime o que sinto.
O passe mal medido, o golo falhado Pede-se em coro magia Golo sofrido, pesadelo acordado
Imploro, olhos postos em Álvaro Ameaço o nervoso cantando com bravura O passe que se acerta, o cruzamento bem medido É GOOOOLO da Briosa, esta é a doce loucura!
Entramos em campo contigo, A ganhar ou perder Se um dia jogares no céu, avisa Lá estaremos todos só para te ver!
BRIOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOSA !!!
Nota: O golo que se segue foi apontado por Vargas na época de 97/98 no Estádio do Bonfim, já em tempo de descontos, e deu a vitória aos pretos por 0-1.
Já está divulgada a lista dos 18 convocados por Manuel Machado para o jogo de amanhã frente ao V.Setubal. Sem surpresas, o destaque vai para a chamada dos mais recentes reforços Miguel Pedro e Milos Pavlovic. De salientar também a exclusão de um dos melhores na pré-época: Fernando.
Na habitual conferência de imprensa, Manuel Machado mostrou-se confiante quanto ao desempenho da equipa da Académica no seu compromisso de Segunda-Feira com o Vitória de Setúbal. Embora ressalvando que "Temos 15 novos jogadores, perdemos um conjunto de elementos nucleares que vinham da época passada, o que obrigou a um grande reajustamento do grupo de trabalho", Manuel Machado encara o jogo "com confiança. Quando se joga, é com o pressuposto da vitória e esta partida não foge à regra".
Para além de confiante, Manuel Machado manifestou alguma indignação para com certos jornalistas que fazem "sabotagem" ao divulgarem a equipa provável à Quarta-Feira. Estas declarações surgem na sequência do fecho dos treinos da Briosa à Comunicação Social após os primeiros 15 minutos de aquecimento.
Ndoye a caminho do Al-Shabab O senegalês Ndoye será cedido a título de empréstimo por uma verba a rondar os 500mil euros ao clube treinado por Humberto Coelho. De referir também que esse mesmo clube garantiu a opção de compra no final do empréstimo por uma verba bastante interessante para os cofres da Briosa.
Ao jogador o Simplesmente Briosa endereça os votos das maiores felicidades no novo clube.
O ponta de lança que a Académica contractou ao Vasas de Budapeste para esta época vai ter que ficar de fora para cumprir castigo devido à expulsão no último jogo da liga Hungara. 2 jogos foi a pena aplicada ao jogador o que significa que o treinador Manuel Machado não poderá contar com Gyano para o jogo de Segunda-Feira com o V.Setubal e para o jogo em casa com a Naval. É assim uma baixa importante para a equipa da Briosa que via o jogador como um dos possíveis titulares. Gelson e Nestor Alvarez são agora os candidatos à titularidade e a eles se pedem golos... Muitos golos.
Foi há um ano. Passado este tempo, podemos tirar conclusões entre o que foi dito e que foi feito? Talvez já se possa ver, dizem uns, ainda é pouco tempo defenderão outros, no entanto, na leitura atenta da entrevista pode levantar questões para um debate bastante interessantes. Aconselha-se vivamente a quem nunca leu que leia, e quem teve essa oportunidade no ano passado, que a releia. A caixa de comentários estará aberta para as observações finais!
O PRESIDENTE DA ACADÉMICA, JOSÉ EDUARDO SIMÕES, ACEITOU O DESAFIO DE DOIS JOVENS ESTUDANTES, O FRANCISCO E O GONÇALO, SÓCIOS DA ACADÉMICA E, NUMA ENTREVISTA DE FUNDO FALOU DO PASSADO, DO PRESENTE E DO FUTURO DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE COIMBRA/ ORGANISMO AUTÓNOMO DE FUTEBOL.
O FUTEBOL PROFISSIONAL, A FORMAÇÃO, O PATRIMÓNIO SÃO ALGUNS DOS TEMAS ABORDADOS.
AS IDEIAS, OS PROJECTOS E AS AMBIÇÕES DO HOMEM QUE LIDERA OS DESTINOS DA BRIOSA....
Nas últimas épocas, na última particularmente, tem sido latente o objectivo de garantir um lugar tranquilo na tabela classificativa. No entanto, “o triste fado conimbricense” tem ditado que a manutenção se assegure, apenas, na última jornada. O que é que tem falhado nos últimos anos?
José Eduardo Simões - Em primeiro lugar, uma correcção: na última época garantimos a manutenção a três jornadas do fim do campeonato e com muito mérito!
Para percebermos o que tem não diria falhado, mas talvez corrido menos bem, nas últimas épocas, temos que atender ao facto de a Académica ter estado demasiados anos na Liga de Honra e, por isso mesmo, perderam-se os hábitos de vitória, a capacidade de ganhar jogos com maior grau de dificuldade e, sobretudo, a capacidade de perceber que a Académica pode ser cada vez mais forte e deve ter outra ambição. Isso não se consegue de um ano para outro.
Sabíamos que este – o terceiro ano consecutivo na SuperLiga - ia ser um ano difícil. Sendo um ano de transição, foi aquele em que conseguimos acabar com o “sofrimento” mais cedo, e lançámos as bases para o futuro com outra confiança nas nossas capacidades.
Pensamos que o facto da Académica estar há três épocas consecutivas na SuperLiga é a base, o sustentáculo fundamental, para ultrapassar essa carência de jogar a alto nível e de conquistar a ambição necessária para alcançar outros voos.
Os objectivos para a nova época já foram traçados, a qualificação para as provas europeias. Um dos objectivos base era a manutenção de alguns jogadores considerados fulcrais, nomes como: Hugo Leal, José António, Dário e Vasco Faisca, que foram importantíssimos na manutenção, não permaneceram. Mesmo assim, terá o plantel a qualidade necessária para atingir as metas traçadas?
JES - Em primeiro lugar devemos cumprimentar todos os atletas que estiveram connosco a época passada. Esses quatro que citaram foram atletas que tiveram um bom desempenho e trabalharam bem. Alguns, ninguém se lembrava deles quando vieram, e nós, como Instituição que somos, com os nossos treinadores e funcionários, com a ajuda de todos os colegas no grupo de trabalho, proporcionámos a oportunidade que eles mostrarem as suas qualidades ou voltarem a revelar. A todos eles quero desejar as maiores felicidades, onde quer que eles estejam, na continuação das suas carreiras, bem como aos restantes que saíram.
Todavia, o que é mais importante aqui é salientar a manutenção da estrutura base da equipa e essa está cá na Académica. O grupo mantém-se, o espírito está intacto, a ambição também – vontade de vencer. Existe muita força interior, existe uma união que, arrisco-me a dizer, é ainda mais forte do que o ano passado.
Actualmente, falar em quem saiu não faz sentido. O que é significativo é falar de quem está e de quem veio para ajudar (o Hugo Alcântara, o Ezequias, o Filipe Teixeira, o Zada, o Gelson e o Fernando), sendo certo que se verifica, quer nos treinos e jogos, quer nas indicações que nos chegam diariamente sobre os atletas por parte do nosso grupo, que hoje a equipa está mais equilibrada e que, talvez seja mais forte, já nesta fase, do que era no ano passado em fase mais adiantada de preparação.
Fala-se uma crescente corrente brasileira no plantel da Académica, o fugir a uma mística, ao conjunto de valores que fizeram da Académica ao longo da sua história, um clube simpático, carismático mas, sobretudo, um clube diferente. Não teme que essa corrente possa quebrar muitos princípios da Instituição? Não deveria existir uma maior aposta nos escalões inferiores? Lembro, por exemplo, que duas grandes revelações da SuperLiga deste ano, não foram brasileiros, nem de outros países, mas sim portugueses oriundos do Desportivo de Chaves.
JES – Se me falam nas “revelações” da última época, as “revelações” consagradas na Gala da LPFP foram o João Moutinho, o João Alves (que estava no Chaves e foi para Braga) e o Manuel Fernandes. Neste domínio das revelações, aproveito a oportunidade para expressar que acho muito injusto que uma das grandes revelações do ano passado, não tenha sido distinguido também. Refiro-me objectivamente ao Zé Castro, o nosso atleta, que foi muito mais consistente, nomeadamente do que o atleta do Braga (independentemente do seu valor). Tenho que salientar que foi com algum sentimento de injustiça que não o vi ser referenciado entre as três revelações nacionais.
A questão da “corrente brasileira” é uma falsa questão! A Académica é uma equipa, uma Instituição que tem uma mística própria e mais do que adaptar-se a quem vem, é que vem que se adapta à Académica. Foi sempre assim e assim continuará a ser. Quando tivemos muitos atletas angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos, até de Macau, todos se adaptaram à Académica e a Coimbra porque, no fundo, a Académica é de Coimbra e a integração é fácil quando existe atitude, capacidade de sacrifício e profissionalismo, como aquela que existe nos nossos atletas; sejam eles portugueses, espanhóis ou brasileiros.
Podemos afirmar que todos eles, e cada um deles, representam muito bem a Académica. São atletas com qualidades humanas, que se integram bem na nossa mística e, devo dizer, que são capazes de transmitir um querer, uma vontade exemplares. Todos, sejam eles brasileiros, seja o nosso guarda-redes espanhol Dani, que é um excelente profissional e um excelente companheiro; sejam portugueses. Os nossos atletas são todos de nível elevado, quanto a qualidades humanas e desempenho social, o que é para nós o mais importante. Estou certo que, independentemente da nacionalidade sabem o que é ser da Académica! Quem vem para Coimbra, se tiver qualidade e capacidade, integra-se no nosso espírito e nossa mística. E torna-se uma mais-valia. Com carisma e “classe”, é o que pretendemos sempre.
Para além disto, é importante reconhecer que os jogadores que vêm de fora conseguem ajudar a levar o nome da Académica e de Coimbra cada vez mais longe: ao Brasil, a Espanha, a Angola, a Moçambique; sem esquecer que vamos fazer uma missão em Timor, onde vamos mostrar que a Académica não é apenas um clube onde se pratica futebol, mas que tem uma perspectiva social sempre presente.
Relativamente a atletas emprestados, que no final da época saem sem nenhuma contrapartida para o clube, vai continuar a contar com eles?
JES - O meu princípio foi sempre o de não ter atletas emprestados. Esta época foi possível construir, pela primeira vez em muitos anos, uma equipa em que todos os jogadores são, efectivamente, da Académica.
A nossa preocupação foi, é e será sempre a de criar uma espinha dorsal com atletas nossos, de qualidade, que possam integrar atletas da formação. Porque, essa mistura da qualidade, da experiência, com uma formação de jovens que precisam dessa experiência para evoluir e para atingir outros patamares é, para nós, o ideal em termos de continuidade deste clube e do seu desenvolvimento para o futuro. Se identificarmos, hoje, alguns atletas mais novos que eram da formação: o Eduardo, o Zé Castro, o Nuno Piloto, o Vinha, o Sarmento, o Ito (que ainda é júnior), o Rui Miguel, (para além do Barroca, do Gonçalo e do Portulez) são atletas saídos da formação nos últimos anos, que conjuntamente com outros que estão colocados em outros clubes de forma a poderem evoluir, vão poder criar um grupo de muita qualidade, muito coeso e forte. Com a mística da Académica.
Que plataforma de entendimento se pode atingir entre o Organismo Autónomo de Futebol e a casa-mãe da AAC, no sentido de ter todo o espólio futebolístico num único museu?
JES – Estamos a desenvolver todos os esforços nesse sentido, até porque, o espólio não existe apenas na casa-mãe, existe espólio no Museu Académico da Reitoria da Universidade de Coimbra, existe algum aqui no OAF, existe espólio espalhado por diferentes pessoas (atletas, ex-dirigentes, etc.) e em muitos locais. Gostaríamos muito de contribuir para que existisse em Coimbra o “Museu do Desporto”, que envolvesse toda a Académica, nas suas diferentes modalidades. Já falámos com a Reitoria, com a Direcção Geral também queremos falar deste assunto. Sendo certo que é um trabalho de Hércules este de erguer um museu que, volto a sublinhar, gostaríamos que fosse um verdadeiro “Museu do desporto”, pensamos que seria uma grande mais-valia para a cidade de Coimbra. Mas, o que neste momento é fundamental é conseguir fazer o levantamento de todo o espólio que anda espalhado. O nosso objectivo, esse, está traçado! Assim haja vontade de todas as entidades.
A Académica tem uma parceria com a Tbz. Alguns associados reclamam mais informação sobre os pormenores deste negócio. Qual é a estratégia para aumentar o número de adeptos no Estádio Cidade de Coimbra?
JES – É uma estratégia assente naquilo que, verdadeiramente, atrai mais sócios e simpatizantes. Essa estratégia passa pela a realização de jogos em horários adequados para se ver futebol, ter um estádio com boas condições e ter uma boa equipa: que seja competitiva, capaz de disputar jogo a jogo com vontade de ganhar. É isso que nós temos e vamos conseguir.
Portanto, a estratégia para aumentar o número de adeptos passa, por um lado pela da qualidade do futebol e por outro, por uma operação de captação novos associados, de captação de franjas de pessoas que andam um pouco afastadas, como por exemplo os estudantes, e os antigos estudantes não só universitários mas, também, os do ensino básico e secundário, espalhados por Portugal inteiro e, neste último caso, residentes na região de influência de Coimbra.
Precisamente sobre os estudantes, que nos tempo áureos académicos se podiam vislumbrar no calhabé de capa e batina. Como é que pensa que os vai conseguir atrair, de novo, para o Estádio?
JES – Fui professor na Universidade durante muitos anos e vejo a diferença que existe entre o estudante universitário desse tempo (há dez anos atrás) e o de hoje. Actualmente, o estudante universitário está muito mais alheado das questões desportivas, do que aqui há dez, quinze ou vinte anos. Há diferenças substanciais. Trazê-los de volta ao desporto não é tarefa fácil. No entanto, volto a reiterar que, com uma boa equipa, a jogar um futebol competitivo, com uma maior capacidade de sedução através de contactos com os nossos atletas universitários, vamos dar a volta ao assunto. Nós temos atletas/estudantes, como é disso exemplo o Nuno Piloto, que está a terminar o curso de Bioquímica, entre outros que frequentam a Universidade ou para lá caminham.
Quanto ao espectáculo da capa e batina, gostaria de o voltar a ver mas isso é algo que depende muito das pessoas, tal como já havia referido. Hoje em dia vêem-se muito menos capas e batinas na Universidade, já não é hábito envergar o traje regularmente. Penso mesmo que a maioria dos estudantes só o veste mesmo na Semana Académica da Queima das Fitas.
É do conhecimento público que as camadas jovens treinam em campos pelados, muitas vezes sem as condições necessárias para um clube primo divisionário. Mas, o que é certo é que recentemente a Académica tem revelado talentos como Lucas, Zé Castro, Nuno Piloto e mais recentemente Sarmento ou Vitor Vinha. Não acha necessário apostar fortemente na formação de jovens valores, a nível financeiro e de condições, de forma a tirar maior proveito com eventuais vendas de jogadores formados na Briosa?
JES – Sobre este assunto gostava de dizer que a Académica esteve muitos anos adormecida no que diz respeito a formação. Uma formação que podemos dizer era deficiente, não tinha regras claras, capacidade formativa, não tinha objectivos e nem sequer atingia resultados minimamente aceitáveis, nem para o nome nem para a tradição que a Académica tinha nas camadas jovens (há 20, 30, 40 ou 50 anos atrás).
O que estamos a fazer, desde há dois/três anos, é uma inversão completa de atitude. Agora, todo o trabalho vai no sentido de criar uma pirâmide: desde as escolas até aos juniores, uma pirâmide muito alargada na captação e promoção do ensino nas escolinhas. Partindo de uma base de 500 atletas nas escolinhas, vamos progressivamente escolher cada vez melhores atletas e estudantes. Por outro lado vamos observar e captar, em clubes da Área Metropolitana de Coimbra e em todas as zonas em que possamos ter pessoas ligadas ao gabinete de prospecção (“olheiros” como hoje se diz), atletas que sejam talentos desportivos.
Estamos a conseguir, com esse triângulo de base muito forte, muito alargado e com boa formação, criar os alicerces para que boas equipas de iniciados, de infantis, de juvenis e de juniores apareçam.
Gostava ainda de salientar que os melhores resultados dos últimos anos, aconteceram esta época de 2004/2005 quer nos iniciados, quer nos infantis, quer nos juvenis e nos juniores. Isto significa que o trabalho que está a ser desenvolvido já está a dar bons frutos. Porém, esses frutos só se irão ver a médio, longo prazo. Há ainda muito caminho para percorrer. Os atletas estão a ser bem formados e todos os anos mais atletas vão dar apoio à equipa principal.
Tudo isto significa, portanto, que fizemos uma aposta muita clara na formação.
Essa aposta passa, também, por infra-estruturas. É óbvio que não nos agrada que alguns jovens treinem em campos pelados. Infelizmente o concelho de Coimbra não tem capacidade para dar resposta à procura de campos relvados, por isso, só os juniores é que treinam em campos relvados. É pouco e temos de ultrapassar essa carência. Desde há três anos que não podemos utilizar o campo de Santa Cruz, nem sabemos quando é que ele poderá estar disponível, este que seria um excelente recinto desportivo para os escalões jovens. Por tudo isto, estamos a investir fortemente na componente de infra-estruturas e, ainda este ano, vamos ter capacidade para colocar jovens da formação para treinar na nossa “Academia Briosa XXI”.
Quanto à questão dos benefícios financeiros que podemos tirar dos nossos atletas da formação, é óbvio que quando existe uma boa formação se tira proveito. Embora tal não seja uma regra, senão vejamos os casos dos últimos anos. Podia aqui lembrar atletas que estiveram na formação da Académica e que deixaram expirar o contrato para irem para outros clubes, sem qualquer benefício financeiro para a Académica.
No entanto, o mais importante para nós é conseguirmos formar atletas e estudantes, o que não acontece nos outros clubes. Não posso deixar de salientar que a equipa de juniores da Académica teve este ano seis estudantes universitários e todos os restantes frequentam o ensino secundário. Estes atletas/estudantes competiram com equipas nas quais praticamente ninguém estudava, salvo uma ou outra excepção. Esta é a grande diferença da nossa visão e do nosso projecto de formação: formar talentos, desportivos e humanos.
Quando estará finalizada a Academia Briosa XXI? Quais a suas actuais condições e o que é que falta ser feito?
JES – Neste momento, estamos a completar a estrutura de base dos dois relvados sintéticos destinados à formação, o que significa que durante o mês de Setembro poderemos ter os relvados sintéticos a funcionar a tempo do início dos trabalhos desportivos. Para além disso, estamos a fazer obras de adaptação nos balneários de forma a torná-los mais funcionais, incluindo alguns equipamentos médicos de apoio e espaço de hidroterapia. Hoje em dia todas as equipas profissionais têm de ter estes recursos para melhorar os seus desempenhos em termos clínicos e de fisioterapia. O que neste momento está parado é o novo edifício. Está nos chamados “toscos” mas, até Setembro vai arrancar mais uma fase e, portanto, poderemos dizer que talvez uma boa expectativa é a Academia Briosa XXI, daqui a um ano, em 2006, poder estar concluída.
Anunciou, recentemente, a criação de uma Fundação da Académica. Quais as contrapartidas que esta terá para o clube?
JES – Em primeiro lugar, a criação da Fundação é um processo que está agora a nascer. A Fundação significa, em nosso entender, algo que não se substituindo, é um pouco mais do que o clube. Será o instrumento capaz de assumir o espírito daquilo que é a Académica e daquilo que é Coimbra. Um âmbito internacional, um espírito de cultura, de solidariedade, de companheirismo, um espírito com uma mística muito própria de ajudar quem precisa e quem tem valor; de ser capaz de ver um bocadinho mais longe e para além do futebol.
Essa Fundação pretende, por isso, ser algo que a Académica não pode ser mas que, de alguma forma, já foi em tempos passados. Mas, estamos apenas a dar os primeiros passos.
A Fundação terá também como objectivo dar alguma protecção ao regime de gestão que a Académica tem actualmente, que é o regime denominado “regime especial de gestão”, onde a Direcção é responsável financeiramente por tudo o que se passa.
Vou dar um exemplo, para que entendam melhor: este pavilhão, o pavilhão Jorge Anjinho, está penhorado às Finanças por causa de hipotéticas dívidas, relativas a IRC, anteriores a 1996, que estão impugnadas pela Académica. Se um dia, o Tribunal se pronunciasse a favor da administração fiscal e a Académica tivesse que pagar essas dívidas, ou as pagaríamos nós, elementos da Direcção (o que não é justo nem correcto) ou teríamos que permitir que este pavilhão fosse alienado para o pagamento dessas mesmas dívidas. Pensamos que não é correcta nem uma opção, nem a outra. Não é correcto que se deixe alienar o património, a nossa função é aumentá-lo para que a Académica seja cada vez mais forte. Por outro lado, também não é justo que a responsabilidade recaia sobre as pessoas que aqui estão a dar o melhor de si e do seu tempo e às vezes das suas economias para que a Académica possa ser um clube que paga a horas e possa ser hoje uma Instituição com credibilidade. Portanto, mais do que falar em contrapartidas que a Fundação possa trazer, primeiro é necessário pensar como é que essa Fundação deve ser criada, quais os seus objectivos, estes já citados e outros que possam ser meritórios, porque esta não é uma Fundação que se pretende substituir ao clube. É uma Fundação para além do clube, para atingir aquilo que a Académica, enquanto Organismo Autónomo de Futebol, está limitada mas em que não pode deixar de pensar, em termos sociais, educativos, culturais, internacionais, de nome e imagem, de qualidade, de diferença em relação aos outros clubes de futebol.
Para finalizar, qual o seu objectivo para a Académica, a médio ou longo prazo?
JES – São vários e distintos.
O objectivo desportivo:
Consolidar a Académica como equipa da SuperLiga. Não queremos estar lá quatro ou cinco anos apenas, queremos um clube estável na primeira divisão da liga de futebol profissional, como é o caso do Braga, do Guimarães, do Marítimo ou do Belenenses, esses sim são clubes estáveis de SuperLiga. Para atingir este objectivo, temos que ter uma equipa de qualidade que seja capaz de competir com todas as outras. Por outro lado, essa equipa não pode esquecer que é da Académica, que é de Coimbra, e isto significa que vamos continuar a apostar fortemente na formação, que vamos dar condições aos nossos jovens que tenham capacidades desportivas diferentes das que são habituais, para que tanto possam estudar, como evoluir e competir desportivamente ao mais alto nível.
Objectivo relativamente ao património:
O nosso objectivo em termos patrimoniais é aumentar o nosso património. Estamos em vias de o concretizar porque, já somos accionistas maioritários da PROCAC, entidade que é detentora do edifício nos Arcos do Jardim (sede do CAC). Estamos, assim, a um pequeno passo de nos tornarmos detentores reais desse património. Depois, ainda em termos patrimoniais, pretendemos levar a cabo uma intervenção profunda aqui no pavilhão, mantendo um espaço desportivo de qualidade para o futsal, para as escolinhas e para outras actividades para os nossos associados e, por outro lado, criar valências de apoio à terceira idade, aos jovens e não só, através de serviços de medicina desportiva e medicina de recuperação e serviços de assistência (em particular para sócios idosos).
Se conseguirmos isto neste pavilhão, mantendo a sua nave principal para o desporto, melhorando a sua qualidade em termos acústicos e de comportamento térmico e concretizarmos uma boa cobertura (porque a que existe não é uma cobertura sequer saudável para instalações desportivas), então conseguiremos realizar aqui um projecto muito interessante. Tornar este pavilhão num “Centro Académico Jorge Anjinho” que seja motivo de orgulho de todos os associados.
Objectivos no campo social:
Integrar a Académica e torná-la num porta-estandarte da região de Coimbra cada vez mais forte, que não desmereça em nada os seus pergaminhos, em termos estudantis e em termos culturais e sociais, daquilo que já foi capaz de fazer. Que sejamos capazes de continuar a formar atletas/estudantes, como foi o caso do Miguel Rocha, do Pedro Roma e, mais recentemente, do Nuno Piloto; que estes exemplos sejam exemplos a seguir, que exista sempre uma grande vontade e disponibilidade de alguns atletas em querer avançar e formarem-se. O Estatuto do atleta de alta competição deve ser ajustado à nova realidade do futebol profissional dos tempos de hoje.
O objectivo financeiro:
Conseguir que a Académica seja um clube saudável financeiramente, um clube cumpridor, que dê menos dores de cabeça às pessoas que no futuro vierem dirigir o clube. Não desejo a ninguém um trigésimo daquilo que encontrei e daquilo por que temos sido condicionados nos últimos anos.
O meu objectivo último é, deixar a Académica noutra situação. Permitindo a quem vier, encontrar um clube mais saudável, onde dê orgulho trabalhar, onde dê orgulho ser dirigente e que seja um bocadinho mais fácil do que tem sido, e está a ser, para nós!
O passatempo que vai fazer alguém voltar a ser milionário
Atenção treinadores de bancada, Alexandrinos, Mayas e Professor Bamboo. Este é o jogo onde se podem lançar as cartas, os búzios ou até ver na bola de cristal. Tudo com um objectivo: acertar no que vai dar os jogos da Briosa!
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1- Condições de inscrição
Toda a legião de fans do Briosómilhões que queira jogar nesta época 2006/2007 só precisa de se deslocar à Loja do Cidadão mais próxima e deixar uma fotocópia do Bilhete de Identidade, cartão de sócio da Académica e pagar uma caução de 50€ para o seguro de vida. Ok, estou a brincar...
Basta deixar o prognóstico para o jogo entre a 1ª e a 30ª jornada via comentário ou mail (simplesmentebriosa@hotmail.com) com um único nick.
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2- O jogo em si
Consiste no mesmo que o ano passado. Tótó Bola - 1 x 2, tal como no jogo da Santa Casa. 1 para a equipa que jogue em casa ganhar, x para o empate e 2 para a equipa visitante levar os três pontos.
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Fura Redes - nome do(s) jogador(es) da Académica que vão marcar golos.
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Espaço Maya - acertar em cheio no resultado do jogo.
M&M'space (Man of the Match/Manuel Machado space) - Acertar no melhor jogador em campo da Académica. A decisão deste jogador será feita por votação entre os blog's da Académica.
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3- Os pontos
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Tótó Bola: 1 ponto (em caso de resultado acertado); Fura Redes: 2 pontos por cada marcador correcto; Espaço Maya: 5 pontos (se resultado totalmente certo); M&M'space: 3 pontos.
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4- O prémio final .
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Só joga no Briosómilhões quem tem amor à camisola! Assim,
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1º classificado - Uma camisola oficial da Académica época 2006/2007 sem os números a dourado.
2º classificado - Uma bicicleta oficial Simplesmente Briosa capaz de andar em estrada, montanha e até na Lua. Para garantir a satisfação do premiado e para não quebrar os estatutos a bicicleta também não tem ponta de dourado.
3º classificado - Será dado a escolher entre um mês de acesso ao site Simplesmente Briosa completamente grátis ou um tijolo autografado pela equipa SB.
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A classificação geral será dada todas as Quartas-Feiras da semana seguinte à do jogo. Boa sorte a todos!
Nota Editorial: Na sequência das contribuições que temos recebido dos nossos leitores. Fica aqui o sentir de um Português no Brasil pela pena do João Laranjeiro.
São Paulo, uma das maiores cidades do mundo, a maior do Brasil; quase 20 milhões de habitantes, e cidade irmâ de Coimbra. Uma cidade com uma vida única, com uma oferta cultural, gastronómica e financeira apenas comparáveis a Nova York. Uma cidade multiracial com grandes comunidades como a Portuguesa, Italiana, Espanhola, Japonesa, Síria, Libanesa, Polonesa (falando em Brasileiro), Alemã, e tantas outras; todas tentando sempre preservar as suas origens, suas tradições, seus costumes. Esse “cocktail” de origens faz com que todos os brasileiros tenham sempre um elo a um desses países. É raro encontrar alguém cuja origem é 100% brasileira: “meu pai é português e minha mãe italiana” é um dos maiores exemplos que me acostumei a ouvir.
Foi nesta cidade que cheguei em Janeiro de 2002 para ficar por um ano. Hoje já “contabilizo” 3 anos e 8 meses, muito tempo longe da família, dos amigos, e claro da minha Briosa. Custa muito fim de semana atrás de fim de semana ficar acompanhando os jogos pela net (obrigado RUC), pelos blogs, pela mailing list, pelos sms. Custa mais do que estar no estádio em Portugal, posso-vos garantir isso.
Falando de futebol, a cidade têm 4 times (vou sempre dar um toque brasileiro em algumas expressões), o São Paulo (clube da elite social), o Corinthians (clube do povo), o Palmeiras (dos italianos) e claro a Portuguesa, a velha Lusa.
Quando me perguntam aqui para que time eu torço respondo sempre o mesmo, Académica de Coimbra. A resposta que normalmente ouço é: “ahhh, ok”. Explico sempre a história, que é um dos clubes mais antigos e mais famosos de Portugal, com uma tradição única, tentando angariar adeptos. (quem entra em minha casa depara sempre com 2 cachecois da Briosa rodeando a bandeira portuguesa. O meu carro têm o nosso símbolo no vidro)
Tive a sorte de conhecer o Marcos, primo do Paulo Adriano que sempre me convidou para ir ao Canindé assistir a um jogo da Portuguesa dos Desportos. O Marcos tem dois clubes no coração, a Portuguesa e a nossa Briosa, estando sempre a par do que se passa nos dois.
Em Agosto de 2005 acedi a ir ver pela primeira vez ver um jogo aqui no Brasil. (Gosto de futebol mas ir a um estádio para ver um jogo que não seja da minha Briosa nunca me atraiu).
Mas lá fui com o Marcos ver a Portuguesa jogar contra o Grêmio de Porto Alegre (onde despertava Anderson, hj no Porto). O Marcos recebeu-me com a camisola da Briosa vestida, oferecida pelo seu primo.
Chegado ao estádio tive uma grande surpresa; via famílias inteiras vestidas com as mais variadas camisolas (em brasileiro camisetas), de Portugal, dos supostos 3 grandes, do Boavista, Guimarães, Espinho, Leiria, Infesta, Académico Viseu, Campomaiorense, de tantos outros que não me recordo agora. Mas era Portugal que estava ali, todos queriam mostrar as suas origens, a sua paixão clubistica. O meu cachecol estava agora ao pescoço de um amigo lagarto que nos acompanhou junto com um amigo Benfiquista (mais dois convertidos à nossa Briosa).
Dentro do estádio predominava a culinária portuguesa, os bolinhos de bacalhau, os tremoços, até Super Bock para quem quisesse.
As famílias faziam a festa, o jogo era um motivo para se encontrarem. O ambiente ao redor do estádio era fabuloso, tendo-me sentido pela primeira vez aqui no Brasil como se estivesse em Portugal, apesar dos 8000 kms que nos separam.
Mas as saudades de ver a minha Briosa ao vivo são grandes, grandes demais. As lembranças de vários jogos que vivi ficarão para outro texto.
Um abraço do tamanho do Oceano.
BRIOOOSSAAAAAAAAAAAAAAAA !!!
Por curiosidade a Portuguesa perdeu o jogo com uma grande exibição do puto hoje no Porto, que como se diz em bom português partiu a loiça toda...
Depois de confirmado o nome de Milos Pavlovic, internacional sub-21 e que marcou presença no Campeonato sub-21 realizado em Portugal no último verão, confirmou-se agora o nome do português Miguel Pedro, atleta do Desportivo das Aves e que foi na última época a grande figura da equipa e uma das principais referências da Liga de Honra. . Se em relação a jogadores como Sonkaya ou a Douglas me pergunto constantemente qual a utilidade destes e sobretudo se não haveria em Portugal jogadores de qualidade semelhante ou mesmo melhor com os mesmos custos e com menores riscos de adaptação, no caso deste jovem, é provavelmente uma das aquisições mais bem conseguidas dos últimos tempos, pelo menos no que diz respeito ao plano desportivo, já que em termos financeiros não foram avançados mais pormenores.
A Briosa perdeu, pela margem mínima, o jogo efectuado na noite de ontem na cidade basca de Vitória. Apesar da boa réplica dada ao Alavés durante o encontro, a Académica acabou por perder o jogo graças a um pontapé indefensável na cobrança de livre de directo por Ruben Navarro. O empate acabou por estar nas botas de Gelson e Fernando que, no entanto, não conseguiram desfeitear o guardião basco.
A pré-época da Briosa fica assim concluída no que a jogos diz respeito, com os pretos em crescendo, nesta última semana, a descansarem os corações Académicos mais inquietos e a prometer uma entrada condigna na Liga que se avizinha. Que assim seja e que na próxima Segunda-Feira possamos festejar muitas bolas na rede e os primeiros 3 pontinhos da época!
“Não vejo grande margem de manobra para ficar no primeiro terço da tabela”
. A próxima temporada pode ser chamada de “ano zero” da Académica. Revolução no plantel com a introdução de jogadores provenientes de mercados alernativos e um novo treinador. Em entrevista ao Diário de Coimbra, Manuel Machado, técnico da Briosa, analisa a pré-temporada estudantil e perspectiva o futuro do clube. Arrefece os ânimos de quem pensa na Académica para o primeiro terço da tabela, confessando que com trabalho e rigor o segundo terço é uma possibilidade. Sobre a revolução no plantel, Manuel Machado afirma que foi vontade da direcção, mas considera-a pertinente. Todavia, assegura que os resultados não vão aparecer no imediato . Diário de Coimbra (DC) - Que balanço faz do primeiro mês de trabalho? Manuel Machado (MM) - Tem sido um princípio de temporada difícil por três ou quatro razões que já referi. Em primeiro lugar existe um grande número de jogadores introduzidos e o faseamento da sua chegada. Depois as lesões, imponderáveis que são normais nesta fase da época e, finalmente, algumas coisas que não são tão normais, como jogadores que chegaram com problemas, caso do Nestor, do Estevez e do Sonkaya, e que não são propriamente fruto do início da temporada, porque são mazelas que vinham de trás. Difícil é a palavra que mais se coaduna para este primeiro mês e 10 dias de trabalho. . DC - Mas esperava outro tipo de resposta dos jogadores? MM - Não tem nada a ver uma coisa com outra. A resposta dos jogadores tem sido muito positiva. Estas condicionantes fogem da minha mão, da mão do departamento clínico e dos próprios jogadores. O problema das lesões acontece a qualquer momento, por isso, não se podem controlar esse tipo de factores. Os jogadores têm revelado uma boa e grande disponibilidade para trabalhar, agora as condicionantes estão presentes. Não é uma situação desesperante, mas é uma realidade. . DC - A ambição da grande revolução efectuada no plantel foi introduzida pelo “professor”... (interrompe) MM - Não. Nem pouco mais ao menos. A solução da alteração do quadro de profissionais que a Académica levou a cabo, e está a levar a cabo, é da responsabilidade de quem de direito, ou seja, da sua direcção. A questão da alteração não tem nada a haver comigo. Porém, o trabalho de encontrar perfis que se quer para um grupo de trabalho com cor e de preencher esses determinados perfis é que tem sido bipartido entre a direcção e o quadro técnico. São coisas diferentes. . DC - Na altura em que foi direccionado o convite e apresentado o projecto foi-lhe transmitido logo, por parte da direcção, a vontade de realizar essa profunda alteração? MM - Praticamente. À partida previa-se a manutenção de cerca de 60 por cento dos jogadores do grupo e 40 por cento de novas entradas. Mas fruto da venda do Ezequias, do Joeano e da saída do Hugo Alcântara, as coisas inverteram-se um pouco, mas eu sabia que existia a vontade da direcção em fazer esta transformação no grupo de trabalho. . DC - De alguma forma esse desafio incentivou-o a aceitar o convite para treinar a Académica? MM - Não. O convite foi aceite antes disso e com o pressuposto Académica instituição, independente das nuances que o grupo de trabalho viesse a ter. A partir do momento que apareceu o convite e foi aceite, debruçámo- -nos sobre o plantel e foram aparecendo certas condicionantes. . DC - Quando afirmou que a chegada faseada dos jogadores condicionava a construção da equipa, queria fazer alguma crítica ao trabalho da direcção? MM - Não. As pessoas fizeram uma leitura na diagonal daquilo que eu disse. O que queria dizer, e o porquê de o ter dito, foi a constante leitura que a imprensa vinha a fazer da sucessão de resultados. Depois expliquei que essa sucessão menos positiva tinha a ver com algo menos normal, ligado às razões que já mencionei atrás. Não tem nada de crítico, foi uma explicação do porquê de os resultados não terem aparecido tão rapidamente quanto se queria. Essa leitura foi feita talvez porque o meu português não é bom ou porque as pessoas têm sempre como predominante o lado menos positivo do que se diz, buscando sempre o lado negativo. E isso apareceu na imprensa a induzir na crítica quando assim não é. . DC - Tem consciência que o facto de ter chegado às competições europeias nos últimos dois clubes por onde passou pode elevar a confiança dos adeptos da Académica? MM - Não há nada no futebol que garanta resultados, mas também não é previsível que uma equipa após uma transformação desta dimensão os obtenha no imediato. Nesse quadro e tendo em conta os resultados obtidos nos últimos clubes que liderei não é garantia absolutamente nenhuma. Evidente que o que foi dito na apresentação, quer por mim quer pelo presidente da direcção, e depois de nas últimas épocas a Académica ter tido dificuldades em se manter, é que o objectivo é efectuar uma época tranquila. Isto é, que a manutenção na Liga se alcance de forma tranquila para não repetirmos uma ponta final de prova com o coração apertado como tem acontecido ultimamente. Não podemos fazer projecções de objectivos maiores enquanto este não tiver realizado. . DC - Afirmou no final do jogo com o Boavista que não acreditava que a Académica fosse um “outsider” na Liga. Isso serviu para acalmar alguns ânimos mais excessivos? MM - Isso é realismo, e não levar as pessoas a pensar em outros voos que depois ao não serem alcançados levam à frustração. Quem anda neste mundo e conhece os pressuposto do que são as pedras basilares de um bom desempenho, sabe que dificilmente eles se encontram neste momento na Académica. E uma das regras principais é que não se façam grandes alterações num plantel, normalmente, quando esse dá garantias, o não tem sido o caso. Por isso, acho pertinente aquilo que a direcção acabou por fazer. Depois destes quatro anos onde a equipa teve dificuldades em obter a manutenção, partir para uma limpeza e introdução de novos jogadores no sentido de criar um grupo diferente. Parece-me importante e de alguma maneira correcto. Veja-se por exemplo o Sporting de Braga que nas últimas três épocas tem conseguido obter resultados, antes passou pelo mesmo que a Académica, mas nestes últimos anos as alterações que foram feitas no plantel nunca excederam os 20 por cento. Quando se efectua uma mudança deste calibre dificilmente se conseguem obter resultados no imediato. Pode-se sim, lançar os alicerces para que nas temporadas vindoiras se atinja com naturalidade objectivos maiores e ambições maiores. . DC - Acredita que a Briosa tem condições para no futuro cimentar a sua posição na Liga e lutar por outros objectivos? MM - Acredito. Aliás, quando me perguntou o porquê de ter aceite o convite tem a haver com esta questão. Coimbra é uma cidade grande deste país e que gosta de futebol. Tem na Académica uma instituição com grande tradição e relevo na modalidade. Para mim era sempre uma interrogação em saber porque a Académica não conseguia fazer campanhas mais condizentes com estas grandezas que acabei de enumerar. O grande factor motivacional que me faz estar aqui agora é tentar perceber o porquê de as coisas não acontecerem de forma diferente, e ser um catalizador para conseguir torneá-las. Penso que encontrados os caminhos certos e corrigidos os problemas no plano desportivo a Académica tem condições para cimentar a sua posição na Liga. Tem um belo estádio, uma massa associativa grande e um centro de treinos que garante uma logística razoável. Do ponto de vista financeiro tem cumprido com os seus encargos e compromissos e isso são factores positivos que, de alguma maneira, me levam a acreditar que depois do trabalho de base, a Académica possa lutar por patamares classificativos mais elevados. . DC - Já identificou algum desses problemas que não permitiam que o sucesso aparecesse em anos anteriores? MM - Não conheço o passado desportivo do clube, conheço apenas o passado pelas suas classificações. Por isso não posso, de maneira nenhuma, neste momento, dizer o que falhou. É uma questão que com franqueza não poderei responder. Não entro num discurso de conveniência quando não tenha dados para o fazer. . DC - Será uma temporada difícil pelas razões conhecidas, já o disse, mas ao mesmo tempo quer garantir a manutenção com tranquilidade. Não é um pouco contraditório? MM - Vai ser difícil no sentido dos objectivos que algumas pessoas querem ver espelhados, que é falar no primeiro terço da tabela. Isso digo-lhe já que teremos 10 por cento de possibilidade de o conseguir. Relativamente à questão de fazer uma época tranquila, ou seja ficar no segundo terço (entre o sétimo e o 12.º lugar) diria que será menos difícil. São duas dificuldades de grandezas diferentes, embora no futebol não existam impossíveis. Para o primeiro terço não vejo grande margem de manobra para lá chegarmos, para a segunda acredito que com trabalho, organização, com ponta de sorte, rigor e com nível de exigência grande, possamos conseguir a tranquilidade um pouquinho melhor do que em anos anteriores. . DC - Que análise faz ao início da Liga da Académica , uma vez que defronta equipas do mesmo “campeonato”? MM - No “timing” que essas equipas nos aparecerem não nos é nada benéfico. Sendo que temos um mês de atraso relativamente à preparação, jogar com adversários que, no plano teórico, são da nossa grandeza e do nosso campeonato e recebermos a Naval e o Belenenses ou o Gil Vicente, consoante venha a ser determinado a resolução do caso, não é tão positivo assim. Se tivéssemos já mais construídos, com certeza que poderiam ser dois bons resultados, uma vez que Setúbal também não é impossível de lá irmos pontuar, e podíamos ganhar aí índices de confiança que nos possibilitasse um bom arranque para a temporada. Agora com o atraso que temos, esses jogos são de grande risco e poderemos estar a desperdiçar pontos que, no plano teórico, seriam de quase obrigatória obtenção. . DC - A uma semana do começo da prova ainda está para chegar um jogador. Esse atleta fecha o plantel? MM - Já na última conferência de imprensa me colocaram essa questão embora de uma forma transversal, tentando saber se a entrada de mais jogador quereria dizer a saída de outros, e eu respondi de uma forma irónica que era segredo. Todavia, neste momento é líquido, salvo se houver algum percalço, que o Milos Pavlovic é um jogador em trânsito, só não está cá ainda, sendo que está tudo tratado com o jogador e o clube que representava, por uma questão burocrática de obtenção de visto e que julgo estará pronto muito brevemente. É evidente que isso faz com que o número de jogadores acresça para 26, sendo que eu disse no passado que gostaria de ter um grupo entre os 23 e os 25 atletas, prossupostamente, isso obrigará a arrumação em termos numéricos do grupo que cá está. Mas também direi, tal como no passado, que as questões do foro contratual, que dizem respeito à realização de vínculos ou à quebra dos mesmos, é da competência, não do técnico, que é mais um contratado, mas sim da entidade patronal, que aqui é corporizada pela direcção e seu presidente. Se eventualmente acontecer alguma entrada mais ou sair daqui alguém será sempre a direcção a decidi-lo. Eu assessorio tecnicamente essa direcção, normalmente é me colocada a questão, e se isso vier a acontecer, logicamente me pronunciarei. . DC - Mas será sempre o treinador a ter essa decisão? MM - Posso é fazer ver às pessoas que aquele sector está sobrelotado ou sobredimensionado e nesse contexto deixar a porta aberta para a lacuna ser suprimida. Mas isso é uma questão que agora não se coloca porque os clubes podem inscrever 27 jogadores, e se a direcção achar que em vez de 25, deveremos ter 27, não vejo que a casa caia. . DC - Os reforços confirmaram as expectativas? MM - Sim. Fizemos um trabalho de pesquisa longo para encontrarmos as individualidades para dar cor e qualidade ao grupo e penso que as encontrámos. Existem questões que nos fogem da mão, porque são jogadores de mercados alternativos e que vêm de realidades diferentes. Por isso há sempre o período chamado adaptação e há uns que conseguem fazê-lo rapidamente e outros não. Tivemos cuidado nas pesquisa que fizemos para encontrar os tais requisitos e esperamos que todos, ou a maioria deles, tenham a capacidade de se adaptar a um futebol diferente, a um meio social diferente, a um clima que é diferente, a uma alimentação e cultura diferente, enfim, a toda uma nova realidade que não perturbam de alguma maneira o que eles expressaram nos “futebóis”, se assim se pode dizer, de que são originários. . DC – Foram as suas primeiras escolhas? MM – Não existiram primeiras e segundas escolhas. Foi feito um trabalho entre equipa técnica, director desportivo e presidente da direcção, no sentido de identificar perfis que se adequassem aos nossos propósitos. Nessa escolha entram o factor do perfil, mas também a questão financeira. E nesse campo existiram jogadores equacionados mas que foram descartados pelo que a Académica pode pagar a A ou B. . DC - Qual o sistema táctico que quer para a Académica? MM – Eu não sou treinador de sistemas. Só para ilustrar eu não sou como o técnico Co Adriaanse fez no Porto, que apenas se fixou no sistema de três defesas, jogou com ele e teve sucesso. Até porque os clubes que tenho treinado são de média e pequena dimensão e gosto que as minhas equipas tenham flexibilidade. Ou seja, que consigam dar resposta às várias situações , adequando-se às diversas fases competitivas que formos tendo. Não vale a pena tentar encontrar um sistema para a Académica, vamos conseguir dar resposta em 4x2x3x1, 4x4x2 em losângulo e em 3x5x2. Estes são os sistemas referenciados, porque procuramos flexibilidade e cultura táctica. . DC - O facto de existirem várias nacionalidades dentro do balneário não impede essa rápida adaptação? MM - Não me parece. Hoje em dia estamos constantemente a falar de coisas e quando elas caem na nossa casa vemos sempre problemas. Muito se fala de aldeia global, de globalização, da livre circulação de mercadoria e trabalhadores, bem como da abolição de fronteiras e do inglês como língua universal. Por isso tudo, não me parece um problema a variedade de culturas, nacionalidades e línguas que temos dentro do balneário. Agora, é evidente que seria mais fácil e mais aconselhável ter um plantel de 23 ou 25 portugueses, mas julgo que hoje essa é uma situação sem exemplo no nosso país, porque qualquer grupo tem uma diversidade de nacionalidades como a que a Académica tem. Uns mais outro menos, mas teremos de encarar o futuro com essa realidade. Não me parece que venha a existir retrocesso nessa tendência e julgo que a tendência de contratar jogadores de vários locais será cada vez maior. . DC - Como analisa o recente protocolo elaborado com o Tourizense? MM - Julgo que é interessante. O protocolo com o Tourizense traz a possibilidade de manter um canal aberto entre os clubes e existindo quatro ou cinco jogadores - na casa dos 19/20 anos - no Tourizense que estão em fase de complemento formativo. E por isso, existe sempre a possibilidade de a qualquer momento, por leitura do bom trabalho efectuado por eles, de fazer com que ingressem na Académica. Por outro lado, há outros que também têm a possibilidade, por um abaixamento de forma ou recuperação de lesão, de jogar a um nível mais baixo para readquirirem a forma. Por isso penso que é um protocolo inteligente e que beneficia as duas colectividades. . Ricardo Busano . http://www.diariocoimbra.pt/13274.htm
"Uma mentira repetida cem vezes, passa a ser uma verdade"
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"Brum (0)- Hoje tive a sorte de ter por companhia três pessoas que não pertencem ao staff dos Pardalitos. Foram pois, testemunhas de uma situação verdadeiramente inacreditável por parte de alguém que ostenta a braçadeira de capitão da GRANDE BRIOSA.Passo a descrever.Por duas vezes, MM saltou do banco irritado com Brum. Ou por não deixar Lino bater um livre, ou porque se agarrou à bola em demasia deixando o ala direito Dame, à espera de se isolar.Pois bem, a azia de Brum (Capitão ocasional, mas capitão) notou-se numa atitude verdadeiramente miserável. Um adversário, que por acaso foi colega dele na pré-época, caiu. Brum, covarde e propositadamente, pisou-o descaradamente com os pitons deixando-o em sofrimento.Se esta atitude manchou o jogo, que dizer da inoquocidadeda sua exibição?Não jogou NADA."
PATÉTICO! O que levará alguém a fazer acusações sem ponta de verdade, as quais a única consequência que eventualmente poderão ter, é única e exclusivamente o manchar do bom nome que o jogador tem em todos aqueles que sofrem pela Briosa, e que vêem em Roberto Brum um exemplo de entrega e dedicação ao emblema, que já por diversas vezes teve propostas vantajosas a nível pessoal para sair do clube e que NUNCA! se lhe ouviu uma única palavra a pedir para sair? Por mais voltas que dê não encontrarei explicação possível para que quem se diz da Académica faça insinuações deste teor, e sobretudo para que estas insinuações tenham sempre definido o mesmo alvo. Sinceramente... não sei.