O Senegal, país onde alinha da Académica N'Doye, foi hoje eliminado da Taça das Nações Africanas depois de não conseguir mais que um empate frente à selecção anfitriã do Mundial 2010 Africa do Sul. Para seguir em frente na prova, era necessário também que ou Angola ou Tunísia ganhassem o jogo entre si, mas que contudo acabou num empate a zero. Destaque para a qualificação da selecção angolana que nunca tinha conseguido passar a fase de grupos desta competição. .
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. Deste modo, a Académica poderá passar a contar com o nº78 que deverá estar em breve de regresso a Portugal.
Sérgio Conceição Académica traída pela burocracia e indecisão do atleta
Sérgio Conceição não foi inscrito em tempo útil pela Académica e não vai poder jogar em Portugal até ao fim da Liga. O antigo internacional português deslocou-se pessoalmente à sede da Liga de clubes, na companhia de representantes da Briosa, mas a delegação acabou por abandonar as instalações, após vários telefonemas e tentativas de desbloquear a situação, sem conseguir formalizar a inscrição, por não terem conseguido reunir em tempo útil todos os requisitos legais.
. Ao que o Maisfutebol também soube, propostas de última hora do estrangeiro, agudizaram a indecisão do atleta e atrasaram todo o desenrolar do processo. O ex-jogador do F.C. Porto e da Selecção Nacional esteve sempre ao telemóvel e abandonou apressadamente as instalações da Liga. Certamente concentrado nos alegados convites que lhe chegaram de outros países ao longo das últimas horas.
. Como era o último dia do prazo, fica colocada de parte a hipótese do regresso do extremo. Conceição, de 33 anos, passou recentemente pelo Kuwait, e queria agora retomar a carreira em Portugal.
O defesa esquerdo brasileiro Cléber Manttuy é o mais recente reforço da Académica. Com 25 anos, 1,80 m e 79 kg, o atleta começou a carreira no Santa Cruz do Recife e no seu currículo constam passagens pelo futebol espanhol, uruguaio e grego. O último clube que representou foi o Marília.
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Em declarações ao site oficial do clube, Cléber disse ter optado pela Académica por se tratar de «um bom clube, que luta sempre pela melhor posição na classificação».«Espero, com os meus novos companheiros, ajudar a equipa a alcançar a melhor posição», adiantou. Apesar de actuar como defesa-esquerdo, Cléber definiu-se como «um jogador que gosta bastante de atacar».«Mas respeito a forma como o treinador quer que jogue», ressalvou.
Maló Abreu volta à luta pela presidência na Académica
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Há cerca de três anos, José Eduardo Simões e Maló Abreu disputaram entre si o lugar na presidência da Académica. Como se sabe a lista liderada por Simões saiu vencedora, algo que Maló Abreu quer em 2008 contrariar. Em declarações ao Diário de Coimbra, Maló afirmou "Eu sou candidato a presidente da Académica/OAF. Vou levar a candidatura até ao fim. A partir de agora vou falar com todos os sócios da Académica e convencê-los da bondade do meu projecto de candidatura".
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José Eduardo Simões, deverá juntar-se à corrida pois sempre deu a entender a necessidade de continuar o seu projecto. Por outro lado, Luís Santarino e José Belo foram nomes lançados para cima da mesa, mas que até ao momento nada confirmaram.
A derrota em Leiria complicou as contas da Académica na presente edição da BwinLiga. Assim, a Briosa caiu uma posição, encontrando-se agora no 13º lugar, em igualdade pontual com a Naval, que empatou em "casa" com o Estrela da Amadora. Por seu turno, a derrota do Paços de Ferreira em Matosinhos manteve os "pretos" com um ponto acima da "linha de água". O Leixões foi, aliás, a equipa mais beneficiada da ronda, tendo inclusive agarrado o Boavista, derrotado pelo Marítimo, no Funchal.
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Eis os resultados da 17ª jornada:
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Por seu turno, a classificação actual está assim ordenada:
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Entretanto, a 18ª jornada engloba os seguintes encontros:
O plantel da Académica conheceu um regresso ao trabalho doloroso na manhã desta segunda-feira na sequência da derrota no derby com a U. Leiria. Depois de quatro jogos consecutivos sem perder, os estudantes voltaram a sentir a frustração de mais uma desfeita, num encontro no qual a eficácia do adversário se sobrepôs à melhor circulação de bola e domínio dos comandados de Domingos Paciência. O jovem técnico não gostou, porém, de alguns aspectos da sua equipa e fez questão de o dizer durante uma longa e intensa prelecção, no centro do relvado, com todos os jogadores à sua volta. Domingos apontou o dedo aos erros e pediu mais concentração no futuro, desde já frente ao Marítimo, em mais um jogo decisivo para os objectivos da Briosa, no próximo domingo. Para essa partida, a Académica já poderá contar com o médio Pavlovic, de regresso após castigo, e é previsível que aconteçam outras mexidas no onze, como a entrada de Edgar, na sequência da exibição insatisfatória da equipa na cidade do Lis. No treino desta manhã, destaque apenas para Miguel Pedro, que se exercitou de forma condicionada devido a uma indisposição. Os titulares do encontro de domingo cumpriram um preparo mais ligeiro, antes da folga semanal, agendada para esta terça-feira. Fora das quatro linhas, esta será uma semana crucial para os retoques finais no plantel, com a expectativa a crescer em torno da esperada chegada de Leandro Lima e da possibilidade de Lino seguir as pisadas de Luís Aguiar e Edgar, que já deixaram o F.C. Porto para ingressar, até final da época, no plantel estudantil.
U. Leiria, 3 - AAC, 1: "Barca da Briosa naufraga nas águas do Lis"
A Académica foi hoje derrotada pela U. Leiria, em partida disputada no Estádio Magalhães Pessoa, na cidade do Lis.
Relativamente ao "onze" que iniciou o jogo com o Sporting verificaram-se as entradas de Pedro Costa e Joeano e as saídas de Pavlovic (que viu o 5º "amarelo" no encontro com os "leões) e de Hélder Barbosa (que regressou ao FC Porto).
A Briosa voltou a alinhar no 4-4-2 em losango, com Pedro Costa, Orlando, Káká e Vítor Vinha na defesa; no meio-campo, Paulo Sérgio regressou à sua posição habitual de "trinco", Tiero e Cris surgiram como "interiores" e Nuno Piloto apareceu mais adiantado; na frente, Lito e Joeano.
Desde o início se viu que as duas equipas vinham com disposições diferentes: a Académica a "assumir as despesas" do jogo e a U.Leiria a explorar o contra-ataque.
A Briosa entrou melhor e, ao sétimo minuto, Joeano, com um forte remate de fora da área, proporcionou a Fernando a "defesa da tarde". Logo a seguir, o mesmo jogador voltou a tentar a sua sorte, mas o remate (desta vez, rasteiro) saiu ligeiramente ao lado das redes leirienses.
A partir de então, os "all blacks" continuaram a dominar territorialmente, mas sem criar perigo.
Até que, aos 24 minutos, um "balde de água fria" abateu-se sobre as hostes academistas. Na sequência de uma jogada aparentemente inofensiva, Toñito amorteceu para João Paulo, que, de meia-distância, desferiu um remate rasteiro, seco e colocado, fazendo a bola anichar-se no ângulo inferior direito da baliza de Pedro Roma, que, surpreendido, se lançou tarde.
A equipa sentiu imenso o golo e não mais foi a mesma. O nervosismo apoderou-se dos jogadores, o "miolo" não funcionava e o desacerto geral passou a ser a regra.
Aos 37 minutos, João Paulo, aproveitando uma desatenção da nossa defesa, isolou-se, obrigando Pedro Roma a uma saída apertadíssima. O guardião academista tocou primeiro na bola mas atingiu igualmente o adversário. O árbitro considerou a intervenção faltosa e exibiu-lhe o cartão amarelo.
Próximo do intervalo, o guarda-redes da Briosa esteve em foco por más razões, ao tentar tirar desforço de um elemento do "banco" leiriense que o estaria a provocar. Valeu a intervenção de Paulo Sérgio e a complacência do juíz da partida.
Após o descanso, Domingos Paciência mexeu na equipa, trocando os dois "interiores" (Tiero e Cris) por Edgar (que se estreou com a camisola da Briosa) e Ivanildo.
A Académica voltou a aparecer mais na frente, mas a verdade é que o conjunto se mostrava sempre muito desinspirado e não conseguia criar perigo. Para isso contribuia a falta de consistência do nosso meio-campo, que não só nunca conseguiu ligar o jogo do conjunto mas também falhou no apoio aos outros sectores.
E, aos 67 minutos, o "filme" repetiu-se. Um mau atraso de Káká originou um "canto". Na sequência deste, João Paulo, entre os "centrais", cabeceou vitoriosamente.
A partir daí, o encontro ficou sentenciado, pois os "all blacks" nunca deram mostras de conseguir inverter o rumo dos acontecimentos.
A partida arrastava-se, quando, a três minutos do final, Ivanildo derrubou Ferreira dentro da área. Grande penalidade desnecessária mas indiscutível que Laranjeiro transformou.
Quando já muitos adeptos tinham abandonado o estádio, surgiu o tento de honra da Briosa: "Canto" apontado por Ivanildo na esquerda e EDGAR, a elevar-se bem e a cabecear para o fundo das redes de Fernando. Em resumo, uma exibição desastrada que se traduziu numa derrota merecida. Apesar de ter tido sempre o domínio territorial, a equipa nunca o conseguiu materializar. O meio-campo não funcionou, a defesa cometeu erros de arrepiar e o ataque quase não criou oportunidades. Quando assim é, não se podem ganhar jogos, mesmo ante um adversário que se limitou a esperar a sua oportunidade e foi eficaz. Mais uma vez a Académica mostrou que não se dá bem com conjuntos que "não ganham a ninguém".
O trabalho de Bruno Paixão deixou muito a desejar, apesar de não ter tido influência no resultado. Faltas ao contrário (normalmente, contra as nossas cores), "amarelos" sem critério, um tempo infinito até que fossem marcadas as bolas paradas. Em suma, uma arbitragem que já não se usa e que nos leva a interrogar-nos como foi possível que este árbitro tivesse chegado a "internacional".
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Sob a arbitragem de Bruno Paixão, do CA de Setúbal, as equipas alinharam:
U.Leiria - Fernando; Éder Bonfim, Éder Gaúcho, Lukas e Laranjeiro; Arvid Smit e Toñito (Faria, 46); Cadú, Harison e Paulo César (Patrick, 60); João Paulo (Ferreira, 80).
Académica - Pedro Roma; Pedro Costa, Orlando, Káká e Vítor Vinha; Paulo Sérgio; Tiero (Edgar, 46) e Cris (Ivanildo, 46); Nuno Piloto (Luís Aguiar, 71); Lito e Joeano.
Marcadores: João Paulo (24, 67) e Laranjeiro (87 g.p.), pela U.Leiria; Edgar (90+1), pela Briosa.
Disciplina: Cartões amarelos a Faria (52), João Paulo (76) e Harison (81); Joeano (35), Pedro Roma (37), Tiero (43), Ivanildo (86) e Luís Aguiar (90).
Assistência: 1503 espectadores (cerca de 1200 da Académica)
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Os "náufragos", um a um:
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Pedro Roma (2) - Quase não teve trabalho e sofreu três golos. Destes, tem culpas no primeiro: é verdade que o remate de João Paulo é muito colacado, mas não é menos certo que se lançou tardiamente. Mas pior foi a intranquilidade que demonstrou aos 43 minutos: por mais insultuosas que fossem as "bocas" que lhe eram dirigidas, não pode ir pedir satisfações ao "banco" adversário, ainda por cima quando já tinha visto um "amarelo". Com a sua experiência futebolística, tal atitude não se compreende.
Pedro Costa (3) - Esteve discreto mas não comprometeu. Apesar de tudo, o menos mau da defesa.
Orlando (1) - Muito pouco consistente. As suas limitações técnicas e a sua falta de velocidade vieram ao de cima em muitos lances. Aos 59 minutos, uma "fífia" incrível só não deu golo porque João Paulo não acreditou.
Káká (1) - Trapalhão e complicativo, foi um susto permenente. Umas vezes, procurou adornar lances em "zona proibida", outras recorreu ao "chutão". Nunca se entendeu com a marcação a João Paulo. A pior actuação que lhe vimos fazer.
Vítor Vinha (2) - Muito esforçado, procurou apoiar o ataque sempre que possível. Mas a verdade é que raramente as coisas lhe saíram bem e revelou-se, frequentemente, lento a recuperar. Fartou-se de escorregar: problema de botas?
Paulo Sérgio (1) - Um regresso infeliz à sua posição. Nunca se entendeu com a posição de João Paulo (colacado muitas vezes entre ele e os "centrais") e não foi o "muro" a que nos habituou. Andou "aos papéis" durante todo o jogo.
Tiero (1) - Não deu "uma para a caixa". Por vezes, parecia que se estreava na equipa, tão desenquadrado do jogo se mostrou. Foram inúmeros os passes sem nexo. Bem substituído ao intervalo.
Cris (1) - Esteve em campo? A verdade é que passou totalmente ao lado da partida e foi, igualmente, bem substituído ao intervalo.
Nuno Piloto (2) - Colocado mais na frente, no apoio aos avançados, não começou mal. Porém, a partir do 1º golo sofrido, deixou-se contagiar pelo desacerto geral e foi desaparecendo do jogo. Acabou também por sair, a meio da 2ª parte.
Lito (2) - Alguns apontamentos e algumas tentativas de tirar partido da sua velocidade, mas pouco mais.
Joeano (3) - Um dos mais inconformados. Surgiu mais mexido que nos últimos tempos e foram dele as duas únicas ocasiões de perigo da equipa, para além do golo. Porém, a verdade é que quase nunca foi servido em condições, sendo frequente ter de ir atrás buscar jogo. O menos mau da Briosa.
Ivanildo (1) - Foi jogar na ala esquerda mas a sua entrada pouco acrescentou. Para piorar a sua avaliação, cometeu uma falta escusada que originou uma grande penalidade, convertida no 3º golo da U.Leiria.
Edgar (3) - Uma estreia positiva. A sua entrada pareceu mexer um pouco com o ataque da equipa. Porém, o desacerto do meio-campo não permitiu ter jogo para brilhar. Muito naturalmente, acusou falta de entrosamento em vários lances. No golo que marcou, foi oportuno e tirou partido da sua estatura.
Luís Aguiar (2) - Outra estreia. Entrou já com a equipa em desvantagem por 2-0 mas não esteve mal. Apesar de ainda pouco entrosado e com pouco ritmo competitivo, tentou dar alguma ordem ao meio-campo. Mas já era tarde.
U. Leiria - AAC: Humildade e concentração precisam-se
A Académica joga amanhã em Leiria uma cartada decisiva para o resto do Campeonato: se vencer, pode aspirar a uma prova tranquila; se perder, tudo indica que nada mais nos resta que o habitual sofrimento até ao fim. Recordo que, há duas épocas atrás, uma derrota em Penafiel (que acabou a Liga com apenas dois triunfos) quase nos ia custando a despromoção.
O nosso adversário de amanhã encontra-se na última posição, com apenas cinco pontos resultantes de outros tantos empates. Contudo, está longe de ter "atirado a toalha ao chão".
Actualmente, trabalho na cidade do Liz. Como tal, converso frequentemente com pessoas que conhecem a realidade da UDL. Segundo o que apurei, consideram que a classificação não está de acordo com o valor da equipa e a partida com a Briosa é vista como a grande oportunidade para a recuperação em que ainda acreditam. O que significa que os seus atletas, amanhã, vão "dar tudo".
Por isso, é importante que os nossos jogadores esqueçam a classificação da equipa adversária, que a respeitem, que sejam humiles e que mantenham a concentração durante os 90 minutos. Só assim poderemos evitar dissabores!
Para já, apoio não deve faltar. Acabei há pouco de comprar seis bilhetes na "Mancha Negra" e já não restam muitos. Por sua vez, nas lojas da TBZ já esgotaram. Esperemos que a equipa se mostre merecedora da confiaça dos adeptos.
FORÇA BRIOSA!
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Reforços convocados
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Guarda-redes: Pedro Roma e Rui Nereu;
Defesas: Pedrinho, Pedro Costa, Orlando, Kaká, Berger e Vítor Vinha;
Médios: Paulo Sérgio, Cris, Nuno Piloto, Tiero, Luís Aguiar e Miguel Pedro;
A Académica vai passar a ter mais uma opção para o meio-campo já que o júnior Cristiano, presença habitual na selecção de sub-19 vai ser inscrito e passará a fazer parte do plantel principal. Há várias semanas que o jovem tem trabalhado com os mais velhos e Domingos Paciência acabou por ficar rendido ao talento do seu pé esquerdo.
Os estudantes prosseguiram nesta quarta-feira a preparação para o encontro de domingo, em Leiria, estando todo o plantel à disposição do técnico, com excepção de Pavlovic, que irá cumprir um jogo de castigo.
No âmbito do mercado, e enquanto Leandro Lima não volta do Brasil para decidir o seu futuro, o clube de Coimbra continua a suspirar por um lateral-esquerdo, estando o portista Lino no topo das prioridades. Caso os bicampeões decidam emprestá-lo, a Académica deverá ter primazia e, segundo foi possível apurar, estará até na disposição de esperar até perto do final do mês para conseguir o jogador.
Certo é que a vaga (Vítor Vinha é o único defesa-esquerdo de raiz) terá necessariamente de ser preenchida e, caso não seja possível contar com Lino, o reforço deverá vir do estrangeiro.
Luís Santarino, sócio da Académica identificado como um dos rostos da oposição ao presidente José Eduardo Simões, promoveu, nesta segunda-feira, uma conferência de imprensa na qual reafirmou a sua disponibilidade para se candidatar à presidência do clube [as eleições devem ter lugar em Abril], desde que lhe seja dada a oportunidade de saber, previamente, qual a real situação económico-financeira da Briosa.
«O noivo, antes de fazer o enlace, tem de conhecer a noiva. Solicitei, das mais variadas formas, e com bastante insistência, as actas das reuniões da Direcção, até porque este é um direito que me assiste estatutariamente», revelou o hipotético candidato a desafiar José Eduardo Simões (já começou a fazer contactos com vista à recandidatura) no próximo acto eleitoral. Como essas actas teimam em não chegar à sua posse, Luís Santarino diz que irá «dar um timing» à Direcção mas, no limite, não hesitará em avançar para a via judicial, através de uma «intimação para um comportamento», que, em caso de lhe ser reconhecida razão, obrigará os actuais dirigentes estudantis a entregar os documentos em causa. O associado académico acusa, desta forma, José Eduardo Simões de estar a impedir o surgimento da sua candidatura, para a qual diz já ter um programa e um grupo de pessoas que lhe dão totais garantias.
Académica 2-0 Panduri Edgar, (a)guiar para a vitória
A Académica treinou hoje no Cidade de Coimbra com a equipa romena do Panduri. Um adversário modesto que acabou por não motivar as hostes académicas. Uma primeira parte de nível mediano onde as ocasiões de golo nao abundaram, sem jogadas de perigo a registar. A Briosa jogou com a defesa da praxe, com Vinha e Pedro Costa nas alas e Orlando e Kaka no centro. O meio de terreno foi ocupado por Paulo Sergio, Tiero, Piloto e Cris, deixando as movimentações de pendor mais ofensivo a cargo de Lito e Joeano.
Na segunda parte do desafio entraram os reforços, com igual sistema, mas com o «peso» dos reforços. A procura do golo foi mais intensa e foi neste perido que a Briosa marcou os dois golos com que se haveriam de saldar as contas finais do desafio.
Análise aos reforços:
Irineu - Um jogo na medida do que foi o encontro, ou seja discreto. Nada mais se podia exigir ao central internacional brasileiro. Descomplicou o jogo defensivo académico e sempre que chamado a intervir respondeu presente. Duas ou tres intervenções de maior exigencia e apenas um lance perdido nas alturas. Nota positiva em 45 minutos.
Pedrinho - Percebe-se que tem propenção ofensiva, pelos largos anos de «escola» na ala. Fechou sempre o espaço interior a rigor e nunca virou a cara à luta. Um lateral de porte.
Luis Aguiar - Mais expedito que no jogo com o Nelas o medio uruguaio marcou de penalty, enganando o guarda-redes do Panduri. Rasgou bem o jogo nos flancos, serviu ao primeiro toque depois da recuperação de bola, mas percebe-se que tem dificuldade em defender.
Edgar - Um ponta de lança que quando servido com qualidade cria situações de perigo. Um excelente golo, na passada, depois de ser superiormente servido por Ivanildo. Sempre presente na luta, arrisca-se a tornar-se uma referencia do jogo ofensivo académico.
Cristiano - O jovem junior foi adaptado à posição de defesa-esquerdo sendo que teve naturais dificuldades. Um bom apontamento num remate de ressaca, quando por uma unica vez, puxou para o meio...Um meio golo!
Académica: Passado, presente e futuro (IV): da reinserção à actualidade
G) De 1984 a 2007
Dá-se a consolidação do regime democrático e vão-se corrigindo os excessos da Revolução. Como corolário, Portugal entra na CEE (mais tarde UE) em 1986. Essa adesão é acompanhada do afluxo de grandes meios financeiros, que promovem o crescimento económico, a modernização das infraestruturas de transportes e comunicações e a melhoria do nível de vida da população. Prossegue, assim, a terciarização da economia. Esta cresce continuamente até 2000. Porém, no início deste século, o ciclo económico inverte-se e a crise entra no vocabulário dos cidadãos. Entretanto, fecha-se o “ciclo do Império”, com a devolução de Macau à China e a independência de Timor-leste. O crescimento das cidades e das classes médias urbanas produz alterações profundas nos hábitos e costumes dos portugueses. O aumento do poder de compra gera uma onda consumista, que atinge o expoente máximo nos últimos anos do século XX. A televisão generaliza-se e passa a transmitir os principais eventos desportivos. Com o aparecimento das privadas e do Cabo, a oferta televisiva é cada vez maior. Surgem os telemóveis, a Internet e toda uma panóplia de novos meios audiovisuais. Diversificam-se os lazeres e as ofertas cultural e turística. Coimbra continua a crescer: engloba cada vez mais áreas periféricas e a sua área de influência próxima alarga-se a vários concelhos vizinhos. A população ultrapassa os 100 mil habitantes, embora muitos não sejam conimbricenses “de gema”. Os serviços assumem cada vez mais importância no emprego, enquanto que a indústria vai-se afundando, com o encerramento de várias fábricas emblemáticas da cidade, especialmente a partir de 2000. Ao mesmo tempo, multiplicam-se as grandes superfícies e definha o comércio tradicional. O centro histórico perde população e vai-se, progressivamente, despovoando. Surgem novos centros da cidade (Celas, Solum, Vale das Flores). No Ensino Superior, verifica-se a explosão das universidades privadas e dos politécnicos, que existem, agora, em todas as capitais de distrito e noutras cidades médias. Ao mesmo tempo, generalizam-se os mestrados e os doutoramentos. A Universidade de Coimbra vê aumentar o número de estudantes (mais de 20 mil na actualidade, maioritariamente do sexo feminino), o que obriga à criação de novos pólos universitários na cidade. Apesar de albergar cada vez mais alunos, a instituição vai perdendo prestígio. A imagem que passa (por vezes, injustamente) é a de privilegiar um saber teórico, desfasado das realidades do Mundo actual e sem ligação ao meio circundante, em contraste com o dinamismo e a inserção regional dos novos estabelecimentos públicos entretanto criados. Entretanto, perde o monopólio na própria urbe, onde é criada a universidade Vasco da Gama e os institutos Bissaya Barreto e Miguel Torga. Não surpreende, assim, que a percentagem de governantes licenciados pela Universidade de Coimbra diminua a olhos vistos. Os estudantes constituem um corpo cada vez mais heterogéneo. Muitos dispõem de instrumentos de mobilidade que lhes permitem deslocar-se, com frequência, às terras de origem, em especial ao fim-de-semana. Também o desporto conhece profundas mudanças, beneficiando de uma mentalidade mais aberta e menos provinciana. Assim, a nível internacional, depois de uma “travessia no deserto”, nos anos 70, o nosso futebol recupera prestígio a nível internacional. Nas selecções, destaque para os dois “Mundiais” de juniores conquistados (1989 e 1991) e outros títulos mundiais e europeus das equipas nacionais mais jovens. Por sua vez, a selecção principal começa a ser “cliente” habitual das fases finais das grandes competições, conseguindo um 3º lugar no “Euro 2000” e terminando o “Mundial” de 2006 na 4ª posição. Falha, porém, a vitória no “Euro 2004”, como anfitriã, ao perder na “final” com a Grécia. A nível de clubes, o destaque vai para o FC Porto, que, após perder a final da Taça das Taças, em 1984, conquista duas Taças dos Campeões (1987 e 2004), uma Taça UEFA (2003), uma Supertaça Europeia (1987) e duas Taças Intercontinentais (1987 e 2004). Por seu turno, o Benfica foi duas vezes finalista da Taça dos Campeões (1988 e 1990) e o Sporting da Taça UEFA (2005). O próprio Boavista atinge as meias-finais da Taça UEFA, em 2003. No futebol nacional, o FC Porto impõe-se claramente aos rivais lisboetas e assegura a hegemonia nas competições internas. Ao mesmo tempo, o sistema mediático privilegia cada vez mais os três “grandes” e reduz todos os outros clubes a meros comparsas. Paradoxalmente, o equilíbrio competitivo tende a ser maior. Em 1993, o “acórdão Bosman” liberaliza as transferências no espaço europeu, produzindo uma “revolução” no futebol mundial. A modalidade mercantiliza-se e as transferências atingem valores astronómicos. Não há jogador que não tenha empresário. A rotação dos futebolistas é cada vez maior e a maioria dos clubes não consegue segurar os seus atletas por muito tempo. Graças a essa nova realidade, os melhores jogadores nacionais actuam no estrangeiro e alguns, como Figo e Cristiano Ronaldo, adquirem o estatuto de ídolos globais. Como corolário desta evolução, é criada a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), que marca a autonomia dos principais emblemas relativamente às instâncias federativas e associativas. O novo organismo passa a organizar os Campeonatos da 1ª e 2ª Ligas (futura Liga de Honra). A televisão assume um papel cada vez maior, constituindo as receitas televisivas, na maioria dos casos, a principal fonte de financiamento da maioria dos clubes. As jornadas da Liga principal prolongam-se por quatro ou cinco dias. Em Portugal, constitui o principal factor (embora não o único) da diminuição drástica do número de espectadores presentes nos estádios. Ao mesmo tempo, avolumam-se os problemas financeiros das colectividades de menor dimensão, que levam à exclusão de algumas das competições profissionais (Salgueiros, Farense e Alverca são os casos mais mediáticos). Para a Briosa, este período inicia-se com o regresso à “casa-mãe”, em 1984, na sequência de um protocolo assinado por Jorge Anjinho e Ricardo Roque, então presidentes do CAC e da DG da AAC. No entanto, pela sua natureza profissional e, principalmente, para evitar que o futebol fique refém de eventuais convulsões políticas no seio da Academia, a sua reintegração faz-se com o estatuto (já previsto para alguns grupos culturais) de organismo autónomo e não de secção desportiva. Nasce, assim, o Organismo Autónomo de Futebol (OAF) da Académica. Sintomaticamente, a sede não regressa à Rua Padre António Vieira, mantendo-se nos Arcos do Jardim. Mais tarde, passa para o Pavilhão Jorge Anjinho, situado na Rua Infanta Dª Maria, à Solum. Com a reintegração na “casa-mãe”, o futebol academista passa a ter acesso a subsídios destinados à associação estudantil, o que, juntamente com a concessão do Bingo, contribui para a melhoria da sua situação financeira. O duplo regresso (ao seio da AAC e à 1ª Divisão) reconcilia os académicos com a Briosa, gerando algum entusiasmo e mobilização na cidade e na Academia. Porém, nada é como dantes: para muitos, a “nova” Académica não se compara à “velha” e, apesar de alguma simpatia por ela, mantém-se fiéis a um dos três “grandes”. Fora de Coimbra e dos meios académicos, é vista apenas como mais um clube, tal como sucedia com o CAC. Em mais uma concessão aos novos tempos, são contratados os primeiros estrangeiros não lusófonos. Após quatro épocas consecutivas no escalão principal, a Briosa volta a cair na 2ª Divisão em 1987/88, numa despromoção marcada pelo tristemente célebre “caso N’Dinga”, jogador congolês irregularmente inscrito pelo V.Guimarães. O desfecho desfavorável da batalha jurídica encetada pelos seus dirigentes mostra que a instituição já não tem a influência de outros tempos. Segue-se uma verdadeira “descida aos infernos”. A Académica arrasta-se durante nove anos no escalão secundário. Numa dessas épocas, em 1994/95, quase cai na 2ª Divisão B: apenas assegura a permanência na derradeira jornada. A cidade e a Academia vão-se paulatinamente afastando da Briosa e o número de presenças no estádio diminui. A maioria dos sócios e simpatizantes que se mantém fiéis à Académica acaba por adoptar, igualmente, um dos três “grandes”. Como corolário dos insucessos desportivos, os apoios vão escasseando e as finanças voltam a “entrar no vermelho”. Em 1996/97, dá-se, finalmente, o tão ansiado retorno ao escalão principal. Mas é “Sol de pouca dura”: depois de uma manutenção muito sofrida na época seguinte, nova descida um ano depois, após uma temporada para esquecer. Consequentemente, o entusiasmo despertado pela subida rapidamente se esboroa. Após mais três épocas na Liga de Honra, novo regresso à Liga principal, em 2001/02. Mas, financeiramente, as coisas vão de mal a pior: as dívidas acumulam-se e os salários em atraso cifram-se em vários meses. A continuidade da instituição está em risco. Por outro lado, o retorno à “casa-mãe” não acaba com as dificuldades para treinar em condições e a equipa principal chega a preparar os seus jogos no pavilhão. Uma situação que suscita críticas recorrentes dos técnicos que vão passando pela Académica. Com o apoio da Câmara Municipal, começa a construir-se um centro de treinos, no Bolão. Entretanto, é criada a equipa B, para melhor rentabilizar o investimento na formação. Dela saem alguns jogadores que, mais tarde, acabam por integrar o plantel principal. Todavia, a sua manutenção revela-se insustentável para a depauperada tesouraria da instituição e, dois anos depois, é extinta. Afastado o espectro da falência, a Briosa mantém-se ininterruptamente no escalão maior do futebol nacional desde 2002/03, o que perfaz seis épocas consecutivas. Algo que já não sucedia desde os anos 70. Contudo, os resultados são medíocres e, ano após ano, só consegue garantir a permanência numa das duas últimas rondas. Esse imenso sofrimento vai deixando os adeptos e associados cada vez mais frustrados e com os “nervos em franja”. A inauguração do novo Estádio Cidade de Coimbra (construído para o “Euro 2004”) e o acordo assinado com a Câmara Municipal e a TBZ parece criar condições para uma maior estabilidade financeira, mas o passivo cresce. Actualmente, continua muito alto, o que condiciona a capacidade de investimento da instituição. Entretanto, a rotação de jogadores atinge um volume extremamente elevado, sinónimo de uma grande taxa de contratações falhadas. O número de jogadores estrangeiros aumenta, mas a qualidade de muitos é mais que duvidosa. Nas duas últimas temporadas, chegam a constituir a maioria do plantel. Esta época, o seu número diminui, mas o seu peso na equipa continua a ser grande. Por outro lado, cada vez há menos espectadores nos jogos e o divórcio com a cidade e com a Academia acentua-se. Isto apesar de a Académica quase ter deixado de ter concorrência em Coimbra: o despovoamento da Baixa, a quebra do comércio tradicional e a perda de identidade de bairros periféricos (como os Olivais, a Arregaça ou Santa Clara) levam à agonia do União, que acaba por cair no Distrital. Após alguns impasses, são finalmente inauguradas as novas instalações do Bolão. Mas a sua designação gera polémica: para uns, é a Academia Briosa XXIou “Dolce Vita”; para outros, o Complexo de Treinos Dr. Francisco Soares. Essa divergência é paradigmática do impasse identitário que já dura há mais de 30 anos e se reflecte em fortes clivagens internas: para os primeiros, há que adaptar a Briosa aos novos tempos e às novas circunstâncias, assumindo resolutamente o profissionalismo e relegando para segundo plano a ligação à Academia; para os segundos, o actual caminho conduz à descaracterização da instituição e há que regressar aos valores tradicionais, reforçando a ligação ao meio estudantil. Quem tem razão? Provavelmente, ambos. Agora, resta saber se será possível conciliá-las, sem prolongar a indefinição. No fundo, a questão que se coloca é esta: o que quer (ou, antes, o que pode) ser a Académica do futuro? Têm a palavra os nossos leitores.
Académica: Passado, presente e futuro (III): da "mudança de sexo" ao "regresso a casa"
F) De 1974 a 1984
Em 25 de Abril de 1974, o país reconquista a liberdade. É o tempo de todas as esperanças, que alimentam as mais variadas utopias e delírios revolucionários. As diferentes opções políticas confrontam-se com virulência e, por vezes, o poder parece cair na rua: estamos em pleno PREC (Processo Revolucionário em Curso), que durará até 25 de Novembro de 1975. É também o tempo do fim da guerra colonial e da descolonização. A partir daí, assiste-se a uma progressiva normalização e ao início da consolidação do novo regime democrático. Simultaneamente, emerge o poder local e os seus novos eleitos. É ainda concedido um estatuto de autonomia aos Açores e à Madeira. A Revolução ocasiona grandes transformações na economia e na sociedade portuguesas: são reconhecidos os direitos laborais e assiste-se ao acesso das grandes massas ao Ensino Superior, à generalização dos cuidados de saúde, à valorização do papel social da mulher, entre outras. Por seu turno, o retorno dos portugueses das ex-colónias e de alguns emigrantes e exilados políticos faz aumentar o crescimento urbano, na maioria dos casos de forma caótica e desordenada. Aumenta enormemente o número de automóveis. A televisão abrange quase todos os lares e, em 1981, começam as emissões a cores. As transformações económicas deixam marcas nas grandes unidades industriais do sul do país, mas poupam as pequenas e médias indústrias do Norte, região que ganha protagonismo. Entretanto, cresce o sector terciário, fruto do aumento dos serviços públicos e do crescimento dos sectores da educação e da saúde. Coimbra é uma das cidades onde mais se afirma essa terciarização do tecido económico. A cidade continua a expandir-se, graças ao êxodo rural, mas começa a sofrer a concorrência de outros centros urbanos da região (casos de Aveiro, Leiria e Viseu), que crescem muito rapidamente. Começa a ser posto em causa o seu título (até então incontestado) de “capital do Centro”. Entretanto, fase à “explosão escolar” verificada, abrem novas universidades públicas (Évora, Algarve, UTAD, UBI, Açores, Madeira) e alguns politécnicos, enquanto que a Católica multiplica os seus pólos. A Universidade de Coimbra vê reduzir-se a sua área de influência e vai perdendo a aura. Começa, progressivamente, a ser encarada apenas como uma entre várias, apesar de ver crescer exponencialmente o número de estudantes (mais de 10 mil, em meados dos anos 80). Entre estes, é cada vez maior o número de raparigas. A democratização da sociedade atinge também o futebol: a “lei da opção”, que prendia o jogador ao clube, é abolida, instituindo-se a liberdade contratual. Ao mesmo tempo, o profissionalismo alastra às divisões inferiores. Por seu turno, a televisão começa a transmitir alguns jogos de futebol, que, para não colidir com os restantes, passam a realizar-se ao sábado. Porém, os encontros principais ainda não são objecto de transmissão televisiva e continuam a realizar-se ao domingo. Em termos desportivos, o FC Porto começa a pôr em causa o domínio dos dois “grandes” lisboetas, algo que é a parte mais visível de um processo de deslocação para norte do “centro de gravidade” do futebol português. Assim, enquanto o Boavista, o V.Guimarães e, a espaços, o Braga surgem a disputar os lugares cimeiros, clubes históricos do sul definham (casos de Belenenses e V.Setúbal) ou caem no anonimato das divisões inferiores (como o Barreirense, a CUF e o Atlético). Algo que se deve, em grande parte, às convulsões do PREC, que afectaram bastante o tecido económico da região de Lisboa. É neste período que as equipas insulares passam a participar nos Campeonatos Nacionais. Na Academia de Coimbra, a Revolução tem o efeito de um furacão. Sob pressão da extrema-esquerda revolucionária, a nova Direcção-Geral da AAC, afecta ao PCP, propõe à Assembleia Magna, em Junho de 1974, a extinção da secção de futebol, sob o pretexto de que esta se desviara dos princípios do amadorismo que deviam ser apanágio da Briosa. A aprovação da proposta deixa a maioria dos adeptos academistas em “estado de choque”. A solução encontrada é a criação do Clube Académico de Coimbra, que, após uma dramática batalha jurídica, consegue ser reconhecido pelos órgãos federativos como herdeiro da Académica e do seu lugar na 1ª Divisão. Solidárias com o futebol, as secções de basquetebol e de natação aderem à nova colectividade. Face às novas circunstâncias, o CAC assume o profissionalismo, embora afirme privilegiar o jogador-estudante. Uma ambiguidade que traduz clivagens internas e que é causa e consequência de uma crise de identidade, latente já no final dos anos 60, e que, agora, se manifesta de forma nua e crua. Em consequência dessa opção, os seus futebolistas passam a ter o estatuto de profissionais e deixam de ser, obrigatoriamente, estudantes. No final dos anos 70, surgem os primeiros brasileiros na equipa. Por isso, se a operação de “mudança de sexo” evita a morte, deixa sequelas profundas. O novo clube (com sede nos Arcos do Jardim) não suscita a mesma adesão e simpatia da “velha” Académica, inclusive entre muitos academistas de sempre. Um número significativo de conimbricenses afasta-se e assume-se como adepto de um dos três “grandes”. A ligação à Academia vai-se perdendo. Fora de Coimbra, passa a ser visto como um clube igual aos outros, por vezes mesmo entre antigos estudantes: desaparece o “perfume” da Briosa. Para piorar a situação, com excepção de um 5º lugar em 1976/77 (quando perde a qualificação para a Taça UEFA na última jornada), os resultados desportivos do CAC não são brilhantes. A equipa desce de divisão em 1978/79, sobe dificilmente no ano seguinte e volta a ser despromovida na época imediata. Apenas regressa em 1983/84, após três anos de permanência no escalão secundário, algo que nunca antes sucedera. Simultaneamente, o crescimento económico de algumas cidades vizinhas traduz-se também na subida de rendimento dos seus clubes mais representativos. Assim, Beira Mar, União de Leiria e Académico de Viseu vão somando algumas presenças na divisão principal, colocando em causa a hegemonia regional do emblema conimbricense. Já em Coimbra, o União vai sobrevivendo no escalão secundário e não consegue capitalizar o descontentamento crescente face ao novo emblema, mantendo apenas a sua base de apoio tradicional. Por seu turno, a saída da Académica origina dificuldades ao nível das condições de treino, pois a utilização do “Santa Cruz” e do “Universitário” passa a ser paga. O valor crescente dos ordenados dos atletas, a par com a diminuição do número de sócios pagantes e das receitas dos jogos, agrava a situação financeira da colectividade, cujo passivo vai aumentando. Ao mesmo tempo, as dissensões internas sucedem-se. Entretanto, a turbulência política na AAC abranda. O PCP e a extrema-esquerda, que dominam a DG desde o 25 de Abril, cedem, a partir de 1979, o lugar a estudantes afectos ao PSD ou ao PS. São repostas a “Queima das Fitas” e outras tradições académicas, suspensas desde a crise de 1969, quando foi decretado o "luto académico". Com o apoio de algumas figuras do “bloco central” ligadas a Coimbra, começam a criar-se condições para o regresso à “casa-mãe”, visto como a solução para resolver os problemas do clube e recuperar a mística perdida. Uma doce ilusão que o tempo se encarregará de desmentir!
Académica: Passado, presente e futuro (II): da maturidade aos "anos dourados"
D) De 1939 a 1960
O Estado Novo mantém o país neutro na 2ª Guerra Mundial, mas, com a vitória dos Aliados, a contestação ao regime sobe de tom. Porém, aproveitando o clima de “guerra fria” que então se instala, Salazar consegue manter-se no poder com o apoio das potências ocidentais. No final deste período, o salazarismo enfrenta um sério desafio, com o enorme apoio popular à candidatura de Humberto Delgado. O êxodo rural vai ganhando mais expressão. O país, apesar de ainda maioritariamente rural, vai encetando, lentamente, o caminho da urbanização. Entretanto, a rádio começa a transmitir os principais eventos desportivos e, em 1957, a televisão pública faz a sua aparição. Coimbra mantém uma dimensão relativamente pequena mas continua a sua expansão para áreas periféricas. Surge a zona industrial da Pedrulha. É construída a nova Ponte de Santa Clara, que facilita a ligação entre as duas margens do Mondego. É também nessa época que é inaugurado o Estádio Municipal, no Calhabé, nova frente urbana da cidade. A universidade mantém o seu prestígio (especialmente nos cursos de Medicina e de Direito) mas a concorrência de Lisboa é cada vez mais forte. Por seu turno, o Porto começa a afirmar-se, especialmente na área das Engenharias, mas falta-lhe o curso de Direito, o que “empurra” os estudantes nortenhos dessa área para Coimbra. O Campeonato Nacional da 1ª Divisão surge na época de 1938/39, com os participantes a deixarem de depender das provas distritais. Pouco depois, surge a 2ª Divisão e, progressivamente, estabilizam-se os quadros competitivos. O FC Porto obtém os dois primeiros títulos nacionais, mas são os dois “grandes” da capital que dominam o panorama futebolístico do país, com destaque para o Sporting e os seus “cinco violinos”. Os "portistas" e o Belenenses são os seus principais adversários. Em 1954, é criada a UEFA e, um ano depois, na época de 1955/56, iniciam-se as competições europeias de clubes. Esse período é marcado pelo advento do profissionalismo, que vai sendo adoptado, progressivamente, pelos clubes portugueses. Entretanto, a vitória na Taça, em 1939, faz aumentar a popularidade da Académica no seio da cidade e do próprio país, onde a “equipa dos estudantes” é vista com especial simpatia. Em Coimbra, torna-se o clube mais representativo da urbe, “saltando” o meio universitário. Assim, numerosos “futricas” são atraídos para a Briosa, reduzindo a base de apoio do União, o seu principal rival. Em termos desportivos, os resultados estão longe de ser exaltantes, mas, sob o comando de Cândido de Oliveira, a Académica cria um tipo de futebol apoiado, muito apreciado pelos amantes da modalidade. Com maiores ou menores dificuldades, a Briosa vai-se mantendo no escalão principal, apenas com um ano de interrupção (desceu em 1947/48 e subiu na época seguinte, ao sagrar-se campeã nacional da 2ª Divisão). E, em 1951, volta a defrontar o Benfica na “final” da Taça de Portugal, mas, agora, com um resultado bem diferente: derrota por 5-1. Maiores alegrias dá a equipa de juniores, que, no início da década de 50, vence, por três vezes, o “Nacional” da categoria. Entretanto, o profissionalismo crescente começa a criar problemas à Académica. Vai valendo alguma cumplicidade do poder político, onde pontificam juristas licenciados em Coimbra. É, então, criada a chamada “lei dos estudos”, que facilita as transferências de jogadores de outros clubes para a Briosa, desde que desejem continuar a estudar. E, naquele tempo, um curso valia ouro!
E) De 1961 a 1974
Entramos na fase final do Estado Novo. A guerra colonial impulsiona a revolta estudantil e as universidades tornam-se os principais centros de contestação ao regime ditatorial. Surgem as “crises académicas” de 1962 e 1969, a primeira com “epicentro” em Lisboa, a segunda em Coimbra. Em 1968, após a “queda da cadeira” de Salazar, assume o poder Marcelo Caetano, que ensaia uma tímida e falhada experiência de liberalização. O atraso do país, a guerra colonial e a expansão económica da Europa Ocidental levam à emigração em massa dos portugueses para outros países europeus. Ao mesmo tempo, a adesão à EFTA permite um surto de industrialização que vai acelerar, de forma decisiva, o êxodo rural. O interior despovoa-se e acentua-se a litoralização e a suburbanização em redor de Lisboa (com destaque para a península de Setúbal) e Porto. Entretanto, o turismo cresce, o número de automóveis aumenta e a televisão vai atingindo um número cada vez maior de lares. Paulatinamente, o país vai-se modernizando: a classe média ganha expressão. Continua a expansão da cidade para os arrabaldes (Olivais, Tovim, Pedrulha, S. Martinho do Bispo). Surge uma nova zona industrial, junto à variante de Cernache. A classe média emergente contribui para a dinamização do comércio. A população ultrapassa os 50 mil habitantes. Porém, a universidade perde, definitivamente, a primazia. Passa a ser apenas uma das três existentes, a par de Lisboa e Porto, embora continue a beneficiar do facto de esta última não possuir o curso de Direito. Por outro lado, o número de estudantes é ainda relativamente reduzido (pouco mais de 2000), reflexo do ensino elitista de então. Com a política de expansão educativa do então ME, Veiga Simão, são criadas, em 1973, três novas universidades públicas: Braga, Aveiro e Nova de Lisboa. Já em 1963 a Universidade Católica tinha iniciado as suas actividades. No campo futebolístico, o profissionalismo impõe-se definitivamente no futebol nacional, que assiste, na década de 60, à sua consagração além-fronteiras. Assim, o Benfica vence por duas vezes a Taça dos Campeões (e é finalista vencido noutras três) e o Sporting conquista uma Taça das Taças. No “Mundial” de 1966, disputado em Inglaterra, Portugal consegue um sensacional 3º lugar e Eusébio o título de melhor marcador da competição. No plano interno, assiste-se ao domínio dos dois “grandes” de Lisboa (com as “águias” a assumir, agora, a primazia), a par com o marasmo do FC Porto e a decadência do Belenenses. Ao mesmo tempo, emergem o V.Setúbal e a nossa Académica. Com efeito, a década de 60 corresponde aos “anos dourados” da Briosa. Sob o comando técnico de Mário Wilson, depois de obter o 4º lugar em 1964/65, consegue ser vice-campeã em 1966/67, apenas atrás de um Benfica onde pontificam os principais “craques” da selecção nacional. Nessa mesma época, nova presença na “final” da Taça, com derrota por 3-2 frente ao V.Setúbal, num jogo dramático, que termina com um “golo de ouro” marcado aos 144 (!...) minutos. Dois anos depois, em plena “crise académica”, repete o feito frente ao Benfica, numa partida que se transforma numa enorme manifestação estudantil contra a ditadura. Depois de “ter o pássaro na mão, deixa-o fugir” e acaba ingloriamente derrotada por 2-1, após prolongamento. No ano seguinte, atinge os quartos-de-final da Taça das Taças, sendo eliminada pelo Manchester City no 120º minuto do encontro da 2ª “mão”, em Inglaterra. Nesse período, a equipa tem o estatuto de “quase grande” e arrasta multidões. A simbiose entre a instituição, a Academia e a cidade é quase total e estende-se a outras modalidades, em especial o basquetebol, então comandado pelo meu saudoso Pai. Por seu turno, a presença de antigos estudantes garante apoio um pouco por todo o país. Entretanto, para manter a competitividade, a Briosa começa a fazer concessões ao profissionalismo. Surge o conceito de estudante-futebolista e o estatuto de jogador “não-amador” (ou seja, que recebe dinheiro do futebol mas tem outra actividade). Porém, com base na “lei dos estudos”, alguns profissionais acabam a representar a Académica, a pretexto de quererem prosseguir estudos. O problema é que alguns apenas se matriculam... Algo que começa a criar mal-estar em certos meios académicos, que se insurgem contra o que chamam de profissionais encapotados. Mas, apesar disso, as ofertas dos “grandes” de Lisboa são cada vez mais tentadoras e os melhores jogadores começam a sair. Por outro lado, em reacção à crise de 1969, o governo nomeia uma Comissão Administrativa afecta ao regime para gerir a AAC, algo que irá afastar os sectores estudantis mais radicais da secção de futebol. Assim, em 1971/72, pela segunda vez, a Académica desce à 2ª Divisão e vê o rival União (que, fruto do aumento da prosperidade do comércio da Baixa, havia “renascido das cinzas”) tomar o seu lugar na prova principal. Uma situação que se inverte no ano seguinte, quando a Briosa passeia a sua superioridade pelo escalão secundário, coroada com novo título nacional. Parecia estarmos em presença de um acidente de percurso. Infelizmente, começava aí a decadência.
Pouco utilizado por Domingos Paciência, Gyano parecia claramente não fazer parte do grupo ideal para atacar a segunda volta do campeonato. A solução encontrada, foi um empréstimo ao Beira-Mar até final da época de modo a dar tempo de jogo ao ponta de lança de 28 anos.
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Esta é uma alternativa que a direcção tem encontrado para "queimar as gorduras" do plantel 2007/2008 sem que perder valores ainda jovens. Recorde-se que tal como Gyano já outros 2 jogadores foram também emprestados: Sarmento (Varzim) e Vohou (Portimonense).
Académica: Passado, presente e futuro (I): dos primórdios à conquista da Taça
A) De 1887 a 1910
A criação da Associação Académica de Coimbra, em 1887, surge no contexto político marcado pelo estertor da monarquia constitucional. É uma época em que alastra a contestação ao regime monárquico e florescem as ideias republicanas. Em termos económicos, é um período marcado pela crise financeira e por uma tímida industrialização. Com ela cresce a burguesia urbana, principal base de apoio do republicanismo. Assiste-se ao nascimento da sociedade de massas e ao aparecimento do fenómeno do associativismo. Coimbra é, então, uma cidade pequena, dividida entre a Alta dos “estudantes” e a Baixa dos “futricas”. Contudo, é a sede da única universidade do país, atraindo alunos de todo o território nacional. Por isso, a sua importância é muito superior à sua dimensão. Com origem nas ilhas britânicas, o desporto começa a despertar no seio das classes altas e nos meios estudantis dos países recém-industrializados. Em 1896, realizam-se os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna e, em 1904, é fundada a FIFA. É essa influência britânica que facilita a penetração do futebol em Portugal. Tal como no estrangeiro, o novo jogo vai-se popularizando. No nosso país, surgem, inicialmente, vários jogos particulares e, na primeira década do século XX, os primeiros torneios regionais em Lisboa e no Porto. Nessa altura, a AAC vai-se dedicando a outras actividades desportivas que não o futebol e a sua influência restringe-se ao meio universitário.
B) De 1910 a 1926
A implantação da República, em 1910, marca uma mudança de regime mas não da turbulência política e social. Neste período, continua a assistir-se a um ligeiro aumento da industrialização e da urbanização, com o consequente crescimento do operariado. Contudo, o país continua a ser predominantemente rural. A cidade continua a ser pequena mas vai-se expandindo para o eixo Avenida Sá da Bandeira – Praça da República, ligando a Alta e a Baixa. Entretanto, com a criação das Universidades de Lisboa e do Porto, Coimbra perde o monopólio que, nesse capítulo, dispôs durante vários séculos. Por seu turno, a popularidade do desporto cresce rapidamente, tanto no país como no estrangeiro. No campo do futebol, surge a maioria das Associações Distritais, que irão criar, em 1914, a União Portuguesa de Futebol (futura FPF). Pouco depois, é criado o Campeonato de Portugal, prova a eliminar, antecessora da Taça de Portugal. Estamos, porém, no tempo da “baliza às costas”: o amadorismo impera e a organização é incipiente. É por essa altura que a AAC começa a dedicar-se ao futebol. Ao mesmo tempo, vão surgindo os seus rivais “futricas” (Sport Conimbricense, Nacional e, principalmente, o União). A Briosa participa no “Distrital” de Coimbra e consegue vários apuramentos para o Campeonato de Portugal, do qual é finalista em 1923. Apesar da derrota (0-3 em Faro, frente ao Sporting), a equipa estudantil vê o seu prestígio crescer na cidade.
C) De 1926 a 1939
Este período inicia-se com a instauração da ditadura militar, que degenerará no Estado Novo salazarista. Este conhece, então, o seu apogeu. Salazar afirma as suas origens camponesas e promove uma ideologia ruralista, mas o êxodo rural começa a acelerar, originando a continuação da expansão urbana. Entretanto, a rádio ganha importância como meio de comunicação social. A cidade vai crescendo, começando a anexar antigas aldeias próximas, como Celas. Ao mesmo tempo, apesar de a sua universidade continuar a ser a mais prestigiada, começa a sofrer a concorrência da sua congénere lisboeta, favorecida pela capitalidade. O futebol vai-se internacionalizando. Como corolário, realiza-se, em 1930, o primeiro Campeonato do Mundo, no Uruguai. Por seu turno, em Portugal, é criado, em 1934/35, o Campeonato da Liga, primeira prova oficial disputada no sistema de “poule”. Contudo, a participação restringe-se a oito clubes de quatro associações (4 de Lisboa, 2 do Porto, 1 de Coimbra e 1 de Setúbal). Dará lugar, em 1938/39, ao Campeonato Nacional da 1ª Divisão. Já o Campeonato de Portugal foi substituído pela Taça de Portugal. Neste período, a Briosa conhece altos e baixos ao nível desportivo. Contudo, apesar de alguns reveses, vai-se afirmando como o principal clube da cidade e do distrito. Por isso, consegue qualificar-se, como representante da AF de Coimbra, para as quatro edições do Campeonato da Liga. Todavia, as participações não são brilhantes, classificando-se sempre na segunda metade da tabela. É, porém, no final deste período que a Académica consegue aquele que é, ainda hoje, o único título nacional de primeiro plano do seu futebol sénior: a conquista da primeira Taça de Portugal, em 1939, batendo o Benfica no campo das Salésias, em Lisboa, por 4-3. Um triunfo que abria as portas a um grande futuro!
Na próxima 6ª feira, pelas 18 horas, será lançado, pelos académicos João Mesquita e João Santana, um livro sobre a história da Académica.
Não conheço os contornos da obra, mas penso que a sua publicação constituirá um marco importante para relançar o debate sobre a Briosa.
Desde sempre tenho defendido que o principal problema da Académica reside numa crise de identidade que já vem de há mais de 30 anos.
Por isso, reduzir as questões a saber se a culpa da situação actual da Briosa é do JES, do Coroa, de ambos ou de outro qualquer dirigente ou ex-dirigente, como se vê nos blogues, nas tertúlias e nas Assembleias Gerais, é enviesar a discussão. Provavelmente, todos eles têm as suas culpas. Nós próprios, associados, teremos as nossas.
Mas há algo de que nos esquecemos: a Académica não está isolada numa redoma. Está inserida num Mundo e num país que evoluiu política, económica, social e culturalmente. Essas transformações afectaram, obviamente, a cidade e a sua universidade e reflectiram-se, igualmente, no futebol nacional e internacional. A elas, a Briosa não podia fugir. A questão que se coloca é saber como se adaptou e se poderá adaptar nos tempos que correm.
Por isso, desde há muito que tinha guardado um conjunto de tópicos, procurando fazer a ligação entre a história da futebol da Académica e os diferentes contextos sócio-espaciais em que esta foi decorrendo. Porém, a minha vida pessoal e profissional só agora me permitiu desenvolvê-los devidamente.
Não vou negar que a publicação da obra acima referida me levou a acelerar o projecto. Sendo ele o resultado de um olhar muito pessoal sobre determinados acontecimentos e conjunturas, não quis ser influenciado pelo novo livro nem que pensassem que o tinha sido.
Obviamente que seria estultícia pretender, de alguma forma, concorrer com a obra que vai ser lançada. Até porque não são comparáveis: o outro será um trabalho de fundo, que, presumo, terá grande qualidade; o meu são apenas meia dúzia de páginas em que apresento um conjunto de dados históricos, conhecidos da maioria. O que procuro apenas é ligá-los, de forma a que os leitores possam reflectir sobre as conexões entre diferentes factores sociais. Mais do que dar respostas, pretendo fornecer pistas para reflexão.
Dada a sua extensão, não é possível apresentar o meu trabalho num único "post". Assim, vou dividir a postagem em quatro partes:
I - Dos primórdios à conquista da Taça
II - Da maturidade aos "anos dourados"
III - Da "mudança de sexo" ao "regresso a casa"
IV - Da reinserção à actualidade
A partir de amanhã, dia 17, todos os dias será colocado um "post". Espera-se, agora, a participação dos leitores.
É certo que Edgar está confirmado e será companhia a Gyano, Joeano e Vohou no centro de ataque da Académica. A verdade é que no final da época, depois de relançarmos mais um jogador, a Académica fica sem direito a nada e daqui a 6 meses, o empréstimo já de nada nos serve.
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A aposta na formação é sem qualquer dúvida o melhor remédio para colmatar esta sítuação e se hoje jogadores como Vítor Vinha ou Nuno Piloto, vestem de negro é porque um trabalho de vários anos foi feito e entra agora numa etapa final.
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É no bom caminho que a Académica caminha. Com a conclusão da Academia Dolce Vita mais oportunidades e melhores condições terão os jovens talentos para evoluírem e em poucos anos darem o seu contributo ao escalão sénior. No entanto, há erros que se pagam caros e é impossível voltar atrás. Se no blog vizinho se fala do caso Dame, a história de um zé ninguém que num ano virou vedeta, hoje queria falar de uma promessa tantas vezes falada como futuro ponta de lança que acabou despedido pela nossa direcção.
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O seu nome não é Nestor Alvarez, Raúl Estevez ou Horácio Peralta, mas sim Tozé Marreco. A despedida remonta já a 2006, ano de chegada do Professor Manuel Machado. Depois de 4 anos de Briosa ao peito nos escalões de formação, sempre como melhor marcador, o avançado chegou à idade sénior e teve a oportunidade de integrar a equipa principal durante as primeiras duas semanas de trabalho da nova época. Depois disso, foi informado que a Académica já não contava mais com ele e foi obrigado a prosseguir a sua vida.
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No mundo do futebol, há histórias felizes, histórias tristes, aventuras bem e mal sucedidas. Mesmo com convites do estrangeiro, Tozé preferiu manter-se um estudante, mas no verdadeiro sentido da palavra. Escolheu orientar os seus estudos e enquanto fez 11 partidas pelo Mirandense (5 golos), concluiu o 12º ano com notas que lhe garantiram a entrada no curso de Psicologia da Universidade de Coimbra.
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Apto a arriscar em Agosto deste ano, escolheu a Holanda, nomeadamente o FC Zwolle, actual 2º classificado da Jupiler League, o correspondente à nossa Liga Vitalis. 11 golos em 21 jogos, dão-lhe já o estatuto de pretendido por clubes da primeira liga, acentuado ainda mais depois da passagem aos Quartos de Final da Taça da Holanda. Nesta fase, Tozé estará ao lado de clubes como Feyernord, Ajax ou Roda.
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Esta é claro, uma história feliz. Feliz para o avançado que recomeçou do zero e está agora lançado na carreira, triste para todos nós Académicos que vemos mais um valor partir sem qualquer oportunidade de se mostrar e sem qualquer compensação. Quando questionado por um regresso a Coimbra, Tozé foi claro em afirmar que "não me parece que vá haver qualquer contacto. Sempre achei que tinha qualidade para me afirmar na Académica, só que não tive uma única oportunidade. Agora sei que estou muito melhor jogador, estou numa das melhores escolas do Mundo. De qualquer modo, teria todo o orgulho em estudar uma eventual proposta. Até porque comprei casa em Coimbra."
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A ele, toda a sorte do mundo. Deixamos aqui um pequeno vídeo que circula pela internet.
Vouho efectuou esta quarta-feira o último treino pela Académica, uma vez que vai ser cedido, a título de empréstimo, ao Portimonense, da Liga Vitalis, até ao final da presente época.
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Com esta cedência, o avançado, de 20 anos, terá mais oportunidade de jogar e evoluir, para no futuro reunir todas as condições para se afirmar na equipa principal da Académica.
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Na hora da despedida, ainda que temporária, o jovem costa-marfinense disse ao site oficial da Académica que espera mostrar as qualidades que possui ao serviço da equipa algarvia. «Quero fazer golos e, depois, regressar à Académica com mais experiência», afirmou.
Depois de se falar em diversos nomes e se desejarem outros tantos, a opção para empréstimo por parte do FCPorto passa por Luis Aguiar.
O jogador de 22 anos, contratado pelos «dragões» no início da época, encontrava-se cedido ao Estrela da Amadora. Luís Aguiar integra já hoje o treino da equipa de Domingos Paciência, tal como o avançado brasileiro Edgar, que ruma à «Briosa» igualmente por empréstimo do bicampeão nacional.
Avançado espera nova oportunidade no Dragão em 2008/2009
Na sequência da boa meia época que fez ao serviço do Beira-Mar – marcou 6 golos em 16 jogos (Liga e Taça), apesar de não ter evitado a descida de divisão dos aveirenses –, Edgar chegou ao FC Porto no início desta temporada emprestado pelo grupo empresarial Inverfutbol. Como já era de prever, o jovem avançado sentiu dificuldades em impor-se no Dragão e, agora, surgiu-lhe a hipótese de voltar a jogar com regularidade até ao final da época, na Académica e novamente por empréstimo.
Edgar nem pensou duas vezes e hoje já segue para Coimbra. Vai escolher casa e amanhã começa a treinar, já com objectivos bem definidos.
“Quero ter uma nova oportunidade no FC Porto e já na próxima temporada. Para conseguir isso vou trabalhar muito na Académica e tentar ajudá-los ao máximo na conquista dos seus objectivos”, afirmou Edgar a Record.
Em todo o caso, para que possa regressar ao Dragão, o ponta-de-lança vai ter de convencer a administração portista a exercer a opção que detém para a compra de 50 por cento do seu passe, por cerca de um milhão de euros. “Penso que se o FC Porto não quisesse activar essa cláusula não me teria emprestado à Académica. Vou para Coimbra com a intenção de mostrar todo o meu valor e provar que posso vir a ter lugar no FC Porto”, assumiu.